Após compra da Cadbury, no início deste ano, fabricante trabalha na padronização de sistemas e na integração das equipes
Fusões e aquisições mexem com as estruturas das organizações e, invarialmente, impactam o departamento de TI, seja na integração de sistemas, priorização ou padronização quando há uma diretriz global. A Kraft Foods vive momento assim. Após adquirir a Cadbury – fabricante do Trident e Halls -, no início deste ano, a área comandada pelo CIO para América Latina, Fernando Brocaneli, enfrenta o desafio de padronizar a automação de força de vendas, unindo dentro de uma mesma estratégia equipes com culturas diferenciadas.
Além de direcionar projetos e investimentos, a aquisição trouxe outra mudança para a TI da companhia. Brocaneli, que respondia pela tecnologia Brasil e AL, passa a ser apenas regional, contando com Cesar Menezes para tocar as atividades no País. A estratégia e a integração foram revistas, principalmente, tendo em vista o número de funcionários, que praticamente duplicou em TI. “A divisão vinha nos planos, mas a aquisição acelerou o processo. A organização de forma global tem service delivery regional, mas o Brasil requer uma pessoa 100% dedicada”, explica Brocaneli.
A manobra se justifica. Apenas por aqui são sete mil usuários, sem contar o tamanho do mercado e as particularidades da legislação brasileira que geram contínuas demandas. A nona colocada no ranking geral de AS 100+ Inovadoras no Uso de TI e segunda colocada na categoria indústria de bens de consumo não-duráveis tem como grande projeto no País, neste momento, a padronização do sistema de gestão, hoje fornecido pela SAP. Trata-se de um alinhamento global. “Dentro do novo template, o Brasil será a primeira implantação na América Latina.”
O executivo explicou à InformationWeek Brasil que o projeto contempla a padronização de muitos dos processos de negócios. A análise caso a caso mostrou, por exemplo, que a área fiscal deve ser tratada à parte. “Com isto, conseguimos mais escala e divisão de custo.”
Enquanto a implantação do sistema de gestão vem de um alinhamento global, a automação da força de vendas tem uma relação muito mais próxima com a recente aquisição. A TI, como explicou Brocaneli, oferecerá à equipe comercial algo muito parecido a um CRM, com informações sobre quase todo o ciclo de vendas, incluindo dados das promoções e também da chegada do produto ao consumidor final. “Existe por trás disto uma estratégia para ampliar market share e margem, mas tem o desafio da integração das duas forças de vendas, não vamos trabalhar com dois sistemas, precisa sinergia.”
Mas, se o choque cultural das equipes de companhias diferentes poderia configurar o maior obstáculo, Brocaneli manda um aviso: “o mais complexo é achar o fornecedor correto. A América Latina não está tão madura em processos e CRM; e, quando buscamos parceiros, eles ainda são pequenos e com estrutura mais voltada à tecnologia e não à estratégia de negócios com soluções adaptadas. Elas executam bem, mas não ajudam na tomada de decisão.” A expectativa é fechar o fornecedor em outubro. Provavelmente, serão duas empresas, uma para executar e outra para integrar. A liberação do sistema para os usuários, no entanto, deve ocorrer apenas no próximo ano.
Ideias como essas podem surgir de diversas fontes. Brocaneli explicou que eles possuem comitês Brasil e regional com participação da diretoria. “Primeiro entendemos para onde negócio vai e quais prioridades”, aponta. Além de reuniões e da organização global de TI que geram diversos projetos, o executivo conta com o apoio do Gartner para entender o mercado e o momento dos fornecedores de tecnologia.
Entender o fornecedor e avaliar o valor gerado por ele é outro desafio para a Kraft Foods no Brasil. Neste momento, eles reavaliam o contrato de outsourcing com HP-EDS, com quem eles possuem data center, hosting, help desk e, inclusive, a hospedagem do ERP. “Os contratos estão sendo revistos, quero ver o quanto adiciona de valor. [Outsourcing] é caro e há oportunidades. Tem de entender o valor agregado, se não adiciona, fica mais difícil, mas não penso em insourcing.”