Associação Congregação de Santa Catarina redesenha processo para laudos de exames por imagens e trabalha em portal de compras corporativas
Fazer a TI acontecer em um grupo híbrido é complexo. As demandas diferenciadas que partem de hospitais, escolas e residênciais para idosos e creches formam o desafio diário da área de tecnologia da informação da Associação Congregação de Santa Catarina, responsável, entre outros, por 13 hospitais, seis colégios e 12 mil funcionários. Embora cada unidade conte com um coordenador de tecnologia da informação e orçamentos independentes para tocar a rotina, grandes projetos ficam centralizados na área corporativa, liderada por Heitor Fernandez Garcia.
Ao receber a reportagem de InformationWeek Brasil, na unidade central localizada na avenida Paulista, em São Paulo, o executivo passou um histórico da casa, frisando as ações sociais, sobretudo em pequenos municípios brasileiros, explicou os desafios enfrentados e comentou seus principais projetos para 2010. Mas alguns tópicos que explicam a primeira colocação no segmento serviços de saúde em As 100+ Inovadoras no Uso de TI e o sexto lugar no ranking geral incluem uma visão mais completa do que tem sido feito com o uso da tecnologia na instituição e não apenas por conta das ações produzidas neste ano.
Iniciativas implantadas em 2009, por exemplo, apontam para a criatividade e inovação que se espera nas companhias, mesmo em locais onde o processo de aprovação passa por um conselho administrativo e pelo crivo das irmãs que comandam a entidade mantenedora da Associação.
No ano passado, para obter de forma mais ágil o diagnóstico e melhorar a gestão de custo, Garcia redesenhou o processo para laudos de exames por imagens. Em vez de o paciente fazer um raio X e um especialista da mesma unidade avaliar, criou-se um centro de análise na zona sul da capital paulista, dispensando a necessidade de uma pessoa com determinado tipo de conhecimento em cada ponto.
Ficou assim: a pessoa faz o exame, a imagem é enviada via rádio em link de 100 Mbps, o profissional da central recebe, avalia e devolve o laudo também pela rede. Tudo dura até duas horas. Além de atender aos hospitais da associação, também presta serviço para o governo de São Paulo, já que a entidade atua como cogestora em alguns hospitais públicos.
A ideia surgiu em uma das reuniões bimestrais do comitê formado por Garcia, pelo diretor de logística para o qual a TI se reporta e três coordenadores de unidades. “Este grupo determina todas as regras que a associação vai seguir. Sou o executor dos projetos”, explica o executivo. “Tenho oito funcionários e nós fazemos a gestão de tudo.” Cada unidade da associação responde apenas pelo dia a dia, questões de suporte, help desk, qualquer projeto que interfira no padrão, precisa passar pela TI corporativa, como mobilidade, melhoria de sistema de gestão e assim por diante.
Aliás, está em curso por lá uma iniciativa de BPM que visa a sofisticar o processo de melhoria de sistema. Hoje, sem o projeto, o esquema funciona da seguinte maneira: um hospital pede uma personalização dentro do ERP, a demanda vai para a MV Sistemas – atual fornecedora – e o serviço é executado. Se outra unidade precisar da mesma coisa, o trabalho será refeito pela falta de registro e controle. “Com BPM, toda solicitação de desenvolvimento passa por ele e cria-se histórico de tudo o que está sendo feito em hospital, RH, gestão de risco. Teremos controle do que foi feito e o tempo que levou. Finalizaremos em setembro. A parte mais complexa é integração com os diversos softwares. Uso MV para hospitais e Totvs para os colégios, por exemplo.” A ideia é levar isso para além da TI.
A Associação conta ainda com outros três projetos interessantes na pauta: a criação de um portal de videoconferência pela web, a ser lançado em 2011; outro de compras corporativas, onde será possível leilão reverso e aproximação maior com fornecedores, tendo como foco redução de custos, este já em processo de homologação; e, por fim, uma ação para atender uma lei a ser aprovada na cidade de São Paulo que exige pulseira de RFID em recém-nascidos. “Teremos rastreabilidade, se está no berçário, no quarto, indo para outro lugar”, projeta.