Empresa trabalha para conseguir acompanhar a mente do CEO e, assim, apresentar projetos como o de gestão de paciente de alto risco
Fazer um raio X do setor de saúde no Brasil é complexo. Primeiro,
pela dimensão do País e, depois, pelas particularidades e deficiências
regionais (leia mais em reportagem sobre
o segmento na pág. 88). Mas, quando se parte para a iniciativa privada, observa-se
um esforço grande para melhorar processos, informatizar e automatizar tudo o
que for possível, tendo em mente um simples – mas difícil – objetivo: a
satisfação do paciente. Na Amil Participações não é diferente. No grupo, que
possui operadora, hospitais, ambulatórios e medicina diagnóstica, a TI trabalha
forte para gerar projetos que agreguem valor ao dia a dia da operação.
Em 2009, o maior desafio e talvez o que tenha rendido ao
grupo a sétima colocação no estudo As
100+ Inovadoras no Uso de TI, na visão do CIO, Telmo Pereira, foi a
integração completa da área de saúde por meio de um projeto batizado de GPAC – gestão
do paciente de alto risco. “É fazer com que o cliente passe pelos serviços
médicos de forma integrada, acompanhar todos os procedimentos sem migrar base
de dados”, resume.
Parece algo simples, mas não é. A equipe de TI da Amil Participações
vinha trabalhando no projeto desde julho de 2008. Em meados deste ano, a
solução entrou em produção e a operação mesmo teve início em setembro último.
Com isto, um funcionário da operadora pode acessar resultados de exames do
paciente, marcar consulta ou internação na rede própria – tudo por meio de
compartilhamento e um fluxo pré-determinado por tipo de doença.
O desenvolvimento do software ocorreu com ajuda de um
parceiro terceirizado. A parte mais complexa, como Pereira lembrou, foi formatar
o fluxo que cada tipo de paciente teria dentro da rede. Por exemplo, alguém com
diabete tipo 1 em determinado nível precisa de atendimento X, exame Y e retorno
em N dias. Era preciso descrever este tipo de caminho para diversos perfis,
como hipertensos, que podem ter desenvolvido o problema por diversos fatores,
como obesidade.
“Foi um projeto inovador e de integração, pelo qual
acompanhamos o paciente do diagnóstico até a estabilização do quadro”, explica.
“O GPAC tem todo um trabalho de identificação patológica pelos programas de
qualidade de vida, pelo primeiro contato ou ainda por meio de diagnóstico da
empresa”, detalha.
Para que o projeto fosse possível, houve um trabalho intenso
de comunicação com as áreas de negócio e colaboração entre os três ramos da
companhia. Pereira coordena os CIOs das divisões de operadora, serviços médicos
(onde estão hospitais e ambulatórios) e medicina diagnóstica. São cerca de 150
colaboradores no total. O GPAC, além de dar mais segurança ao paciente que
segue um caminho padrão dentro do plano, acaba, num segundo momento, gerando
redução de custos, porque, com a abordagem adequada, é menos provável que esses
pacientes precisem de internação ou tratamentos mais complexos.
Invadindo a mente do
chefe
A integração por meio do GPAC realmente merece atenção por
todo o suporte que garante aos pacientes de alto risco, mas a equipe de Pereira
também está à frente de outros projetos, como o que visa à eliminação do papel
na identificação do cliente. Em operação desde o fim de 2008, agora tudo é
feito por meio da URA ou da plataforma web. “Ao ligar para marcar, já verificamos
se o procedimento está liberado e o atendimento faz apenas uma rechecagem”,
avisa.
Entre a apresentação de um projeto e outro, o executivo, que
conta com um orçamento de TI na casa de 2% do faturamento do grupo, estimado
para 2009 em R$ 4 bilhões, frisa que a relação da TI com o negócio é
extremamente importante. “A tecnologia da informação é conectividade, hardware,
suporte; ela permite que as regras do negócio sejam mais fáceis.” Para ele esta
relação próxima vai além de conversas em reuniões. Pereira
ensina que “o modelo é estar dentro da mente do CEO. Precisa estar ligado e dar
o suporte necessário.” Sem precisar o quanto do seu orçamento é destinado para
inovação, o executivo garante que metade seria o essencial. “Não tem CEO que
não esteja pensando em
diferenciais. No ano que vem, lançaremos produto e o esforço para
isto será grande.”
Enquanto 2010 não chega, o executivo ressalta outro destaque
entre os projetos que tocou neste ano. Trata-se da formação de uma espécie de
junta médica para fechar diagnósticos complexos e, como a Amil Participações
conta com hospitais em todo o País, esta comunicação pode ser por meio de
teleconferência. “O projeto consiste em acessar todos os exames via portal e
trocar ideias com outros médicos”, comenta.
Os especialistas também podem consultar esses resultados
pelo celular, notebook, conferindo mobilidade ao profissional, propiciando
também a garantia de continuidade do atendimento mesmo quando está fora da
base.
Recentemente, esta mesma publicação trouxe uma reportagem
sobre o setor de saúde abordando principalmente a TI dentro dos hospitais. O
diagnóstico foi de desafio intenso e que o caminho a ser percorrido pela área
era de trabalho árduo. Alguns grupos conseguem se diferenciar, sobretudo os
privados, por conta de gestores que acreditam no potencial tecnológico e no
salto de qualidade que pode ser dado ao investir em inovação, colocando à
disposição não apenas orçamento, mas possibilidade de capacitar pessoas.
No caso da Amil Participações, a boa colocação reflete o
valor dado à TI e também insere a empresa no contexto de firmas que acreditam
no processo de inovação. Como deduz Telmo Pereira, “empresa de capital aberto
sempre tem de usar a TI para melhorar a qualidade e ter diferenciais.”
Leia também:
Confira o especial completo sobre a nona edição de As 100+ Inovadoras.