Com lema pensar grande e fazer simples, Nelson Cardoso leva a companhia ao posto de campeã geral do estudo
A Petrobras Distribuidora (BR) vive um momento de expansão. Registrou lucro líquido recorde em 2009 (R$ 1,46 bilhão, 13,4% superior ao R$ 1,2 bilhão de 2008) e, impulsionada pelas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, imprimiu um crescimento na casa dos 20% no ano passado. A recuperação econômica também ajudou, porque faz as indústrias dos mais variados tipos aumentarem o consumo de combustíveis, impactando diretamente a líder do setor. “Nossa competitividade está na logística”, pontua o gerente-executivo de tecnologia da informação, Nelson Costa Cardoso.
Ele não minimiza a importância que o departamento que dirige tem para a estatal e mostra que sabe o que precisa fazer para não deixar que os concorrentes alcancem a BR. Está atento a movimentações como a joint venture entre Shell e Cosan, que, depois de efetivada, deve representar cerca de 18% do mercado interno de combustíveis. Mas Cardoso e sua equipe vão além: vislumbram o futuro. “Na BR, sonhamos com 2030. Fizemos uma reunião de planejamento olhando para como será o mercado, observando aspectos como o abastecimento dos carros elétrico e a compra e venda de combustíveis.”
Em curso, o gerente-executivo contabiliza 15 projetos classificados como aqueles que “vão fazer a diferença” para a companhia. Todos em linha com o plano estratégico. “Nosso presidente [José Lima de Andrade Neto] acredita que se pode melhorar a empresa por meio da TI”, comemora Cardoso. Há uma equipe – a de arquitetura – responsável por prospectar novas tecnologias e existem pessoas focadas em inovação. Além do planejamento para 2030, o departamento se reúne periodicamente para pensar nos próximos cinco anos.
Assim, surgem projetos como o rastreamento e a programação da entrega dos caminhões tanque e a automação dos terminais e das bases, permitindo a programação da retirada ou entrega com horários agendados, quiosques, controle de acesso, medição do carregamento e emissão do Danfe. Dentro do escopo do gerenciamento da cadeia de fornecimento, a TI trabalha em projeto que determina o volume e a melhor compra de combustível e logística, levando em conta custo, fretes e impostos. Tudo exibido em telas sensíveis ao toque. “Queremos ter um grande centro de monitoramento com painéis verificando a situação das entregas em todo o Brasil e em tempo real. Já temos muita coisa implementada. Diria que em grau até quatro, estamos entre o dois e o três no nível de adoção”, indica Cardoso.
Para manter a dianteira, Cardoso e equipe não podem se descuidar do presente e das mudanças nas necessidades de seus clientes internos. Para acompanhar o desenvolvimento do País e atender às remotas áreas agrícolas, a BR precisou investir em infraestrutura de TI e telecomunicações. Da mesma maneira, não ignorou a mobilidade e equipou com smartphones as cerca de 600 pessoas que trabalham na ponta, fazendo os pedidos. Agora, estuda como vai usar a nova plataforma dos tablets para que diretores tenham acesso aos dados do ERP da SAP – que, inclusive, passa pela migração da versão 4.6c para 6.0.
Do ponto de vista do cliente final – os consumidores de combustíveis – e dos proprietários dos postos, a BR investe em programa de fidelização por meio de um projeto de CRM, em parceria com o marketing. Entre outros pontos, são analisadas informações de compra e negociações comerciais com base na rentabilidade. “É preciso pensar grande e fazer simples, mas fazer simples é muito complexo”, assinala Cardoso, que diz que este tem sido seu lema.
Por trás da sua teoria, há um programa de gerenciamento de projetos e portfólio (PGP). Com início em setembro de 2005, o PGP é composto por 13 projetos inter-relacionados e tem como base a experiência adquirida na utilização das metodologias atuais e na capacitação individual. Os produtos e serviços de TI são registrados em um catálogo e na ferramenta de gestão de padrões. Tais mecanismos aliados com o perfil dos funcionários – por volta de 60% do efetivo tem menos de cinco anos de casa e, destes, metade são jovens da chamada geração Y – propiciam um ambiente aberto à inovação. E o conjunto dos fatores fez com que a BR Distribuidora melhorasse o bom posicionamento que obteve em 2009 (segundo lugar no geral) e se consagrasse como a campeã geral no estudo As 100+ Inovadoras no Uso de TI e campeã na categoria comércio atacadista e varejista.