Em momento de expansão, empresas atacadistas e varejistas apostam em elasticidade para suportar crescimento
Se o ano de 2009 não tem muito que ser comemorado em termos de inovações em TI na Lojas Renner, a marca de 2010 será justamente esta. Depois da retração decorrente da crise econômica mundial, o ritmo é frenético na companhia nacional. Inauguração de comércio eletrônico e modernização de sistemas e equipamentos de tecnologia são exemplos deste ano. Ambiciosos, os planos de Leandro Balbinot, diretor de tecnologia e gestão – ele responde ainda pelo escritório de projetos e processos corporativos e pelo e-commerce -, incluem mudar o modelo de entrega de TI.
Balbinot aposta na computação em nuvem como a alternativa mais adequada para sustentar o crescimento da firma. E-mail, sistemas de colaboração, intranet e gestão de documentos estão em cloud, assim como ferramentas não-críticas. O próximo passo é migrar para nuvem privada os dois sistemas de ERP (Oracle Retail e Oracle EBS). “Queremos ter mais elasticidade para crescer. Inovação é isto: balancear o risco e a oportunidade”, sentencia o executivo, que toca por volta de dez grandes programas em TI por ano. Segunda colocada na categoria comércio atacadista e varejista – da qual a BR Distribuidora é a campeã (leia mais na pág. 28) – e 27ª no ranking geral, a Lojas Renner terá de contar com a tecnologia para atingir metas como abrir 30 lojas em 2011 (normalmente são 12 novas unidades por ano). O orçamento está maior, fato.
Uma particularidade da empresa deixa a tarefa ainda mais complexa: as lojas mudam periodicamente. “Fazemos uma analogia com os carros que sofrem transformações de um ano para o outro.” Um comitê interno, formado pelas áreas de compras, lojas, marketing e TI, define o modelo e as inovações que serão incorporadas. Por exemplo, em visitas às lojas, a área de arquitetura de TI identificou que os gerentes permaneciam muito tempo na retaguarda. A solução veio pela mobilidade: ao ganhar um PDA com acesso online a vendas, internet e ramal, o gerente pode ficar mais tempo na frente de loja.
Da mesma maneira surgiram os PDVs móveis para reduzir as filas nos caixas nos momentos picos de vendas. “Fabricamos junto com a Bematech equipamentos portáteis. Temos 45 que são usados nas maiores lojas”, conta Balbinot, que estuda a aquisição de mais. A TI da Lojas Renner possui cem pessoas, sendo que sete estão alocadas na área de arquitetura, responsável pelas sugestões de inovações. “Nossa meta é sempre pensar um ano à frente.”
Em ascensão
Neste ano, o segmento de comércio atacadista e varejista não se destacou em algum item particular em comparação com as demais categorias do estudo As 100+ Inovadoras no Uso de TI, obtendo notas dentro da média geral. A maior disparidade aparece na enorme diferença entre a campeã e demais classificadas da categoria. São 126,18 pontos que separam primeiro e segundo lugares. Apesar disso, as empresas do segmento têm em comum a exigência de a TI conseguir adiantar quais serão as futuras necessidades e construir a base a partir disto. Afinal, é um setor que vem imprimindo forte crescimento na retomada econômica do País.
Assim como a Renner, a Simpress, terceira da categoria, está vendo sua demanda aumentar e, para não perder oportunidades, coloca os investimentos em TI entre suas prioridades. Com orçamento de TI de R$ 10 milhões, sendo R$ 1,5 milhão para o dia a dia, o CIO, Carlos Pulici, que também responde por processos e qualidade, fala com orgulho dos projetos que considera mais inovadores: o NOC (network operation center) e o sistema de BI para clientes, ambos voltados para melhorar o atendimento da distribuidora e empresa de terceirização de equipamentos de impressão e gestão de documentos.
A central de operações (NOC) começou a operar em janeiro como piloto e três meses depois já estava efetivamente funcionando. A ideia surgiu da avaliação de como seria possível mover o atendimento de reativo a proativo. “Quando o cliente liga é para dizer que a máquina já quebrou ou está com falta de material.” As metas giraram em torno de melhorar a gestão de estoque, entregando os produtos antes que o comprador ficasse sem, e de fazer um trabalho de prevenção nas máquinas alocadas nos clientes.
O NOC absorveu parte do call center e da equipe técnica, o que obrigou a gerir a mudança cultural. Da parte tecnológica, a plataforma puxa informação tanto do ERP como as enviadas do campo e das próprias máquinas terceirizadas, que mandam, via internet, dados para análise. Assim, painéis estrategicamente colocados no centro da área que os funcionários ficam sinalizam a situação em tempo real.
Já o projeto de oferecer informações estratégicas aos clientes finais por meio de ferramenta de BI nasceu da observação da demanda. A solução existia, porém, era usada apenas internamente na Simpress, que preparava relatórios com dados sobre a bilhetagem e os perfis de compra, e os entregava. Contudo, os clientes começaram a solicitar mais e diferentes documentos. “A TI propôs deixar a ferramenta disponível para acesso via web. Assim, eles tratam as informações que querem e ganham autonomia”, explica Pulici. Simples, a iniciativa garantiu a fidelização e, atualmente, é usada por cerca de 1,2 mil empresas.