Um processo estruturado e a missão de colocar inovação no DNA. Por três edições consecutivas, a empresa figura entre as cinco primeiras
Em média, o setor de eletroeletrônicos investe 11,1% do budget destinado à tecnologia em inovação. Este porcentual
apontado pela edição 2009 de As 100+
Inovadoras o coloca à frente das outras verticais. Cinco entre seis CIOs de
empresas do segmento que responderam à pesquisa afirmaram possuir estratégias
definidas para avaliar e buscar novas tecnologias que podem contribuir com o
negócio. “A chave é ter um processo bem-estruturado para medir e acompanhar a
evolução, eventualmente fazendo os ajustes necessários e mensurar o retorno à organização”,
avalia Jedey Miranda, líder global da divisão de comunicações unificadas (UC,
na sigla em inglês) e diretor de TI da Eaton para a América Latina.
O CIO lidera um grupo que olha constantemente para o mercado
em busca de novas soluções que possam impactar significativamente e agregar
valor à operação. Miranda mantém o processo de monitoramento de 120 tecnologias
a cada ano, um dos fatores que ajudou a consagrar a empresa como a mais inovadora
em 2008. “São três pessoas de TI dedicadas a este trabalho”, contabiliza.
Quando encontram algo relevante nesta primeira triagem, partem para análises
mais profundas até reduzir o escopo a duas prováveis soluções que vão para
implementação.
“Se não implantar duas tecnologias por ano, não cumpro minhas
metas”, confessa o executivo, apontando que todo esforço direciona a empresa
para trazer inovação ao DNA. “Quem não fizer isto estará preso a mesmice”,
enfatiza. Miranda parece determinado em seu objetivo. “A Eaton já vendeu
patentes que não achava interessante e muita gente ganhou dinheiro com isto”,
reconhece.
O discurso do gestor se alinha à percepção geral do estudo
deste ano, que aponta a gestão estruturada como uma maneira de melhor definir
as ações que atendam às necessidades das áreas de negócio. Mesmo assim, apenas
engessar métodos por meio de métricas não garante o êxito das iniciativas. Se
de uma forma geral 49% das empresas participantes possuem políticas, 61%
monitoram o seu desempenho por meio de indicadores.
Amadurecimento
O trabalho do CIO apresenta resultado e, com o tempo, a
inovação se enraíza nas estruturas da companhia. Não fosse assim, a empresa na
qual Miranda atua não estaria pelo terceiro ano consecutivo no topo de As 100+ Inovadoras no Uso de TI. Em 2007, a Eaton bateu na trave
e ficou com o segundo lugar. No ano seguinte, liderou o ranking. Agora, segue a
frente do setor, mas na quarta colocação geral.
A queda pode atrelar-se ao estágio do ciclo de
desenvolvimento atingido ainda em 2008. Segundo o Miranda, atualmente, a Eaton
colhe frutos das iniciativas de comunicação unificada lançadas no passado e que
a fizeram campeã. A diferença é que, de lá para cá, a tecnologia amadureceu na
companhia e avança rumo a níveis mais elevados de colaboração abrangendo outras
as áreas de negócio.
No dia 8 de outubro último, o executivo recebeu sinal verde
da corporação para tocar um projeto que integrará 15 localidades ao redor do
mundo por meio de videoconferência em alta definição. “O Brasil teve
envolvimento efetivo, liderando o grupo de arquitetura e inovação”, comenta o
CIO, enfatizando que o objetivo da iniciativa reside em melhorar o time to market e desenvolvimento de
produtos com colaboração na mesma proporção que reduz custos de viagens. “Todos
sistemas conversarão”, projeta.
A medida está plenamente alinhada ao framework de UC já existente e contemplará fortes investimentos em
infraestrutura para oferecer banda suficiente para comportar as reuniões
virtuais. A empresa já utiliza a tecnologia em fase de piloto e a expectativa é
promover o roll out do projeto em 1º
de abril de 2010.
Participação
A nova onda de inovação na TI da Eaton encontra-se nas
tecnologias focadas em ampliar negócio. A companhia lançou esforços globais no
que o executivo chama de “call center
CRM”. A solução prevê, entre outras medidas, a integração do ERP da Oracle com
toda parte de voz sobre o protocolo de internet (VoIP, na sigla em inglês) da
Avaya, já em utilização. “É um grande projeto global onde o Brasil faz parte
desde o grupo piloto até a definição dos padrões tecnológicos.” De uma forma
simplificada, a intenção é usar o contact
center para facilitar o relacionamento com os clientes, prevendo
identificação por voz, histórico de atendimentos e direcionamento da demanda
para especialistas.
Para tanto, a companhia pretende adotar um software de
gestão de clientes (CRM) como ferramenta corporativa. Parte do projeto será
entregue até o fim de 2009 e com roll out
completo previsto ainda para o primeiro trimestre do ano seguinte. O CIO não
entra em detalhes, mas revela que está em avaliação uma possível migração para
uma solução no formato “como serviço” (SaaS, na sigla em inglês).
Aliás, a modalidade parece ganhar cada vez mais espaço no
conceito do executivo, citando que nos últimos meses as operações na América
Latina já tiraram algum proveito do formato. No início do ano, por exemplo, a
Eaton implantou um sistema de gerenciamento de despesas desta forma, trazendo
resultados no processo como um todo.
Com o tempo, o departamento sob o comando de Miranda tende a
seguir por dois caminhos interessantes: alinhar-se cada vez mais ao negócio e
colher mais frutos das sementes de UC plantadas no passado. Sobre estes pontos,
o executivo divaga. “Imagine uma tecnologia para área de vendas? Ou algo para
avaliação de pesquisa na internet onde eu vejo por quais sites e produtos o
internauta procurou e com isto formatar uma oferta específica na hora em que
ele entrar no meu site?”. Ele completa: “Não acho que faremos negócio como
fazíamos antes”. O executivo afirma que um ponto de market share pode fazer toda a diferença e que esse cenário é bem
provável como consequência dos investimentos em TI feitos até agora.
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