Todas as companhias do setor apontaram esta meta como o principal foco do departamento de tecnologia da informação
Para as empresas do segmento de infraestrutura, transporte e
logística, a inovação é boa desde que garanta a continuidade dos negócios. As
três mais bem-colocadas no estudo As 100+ Inovadoras têm se dedicado ao longo do último ano a desenvolver soluções
que garantam o controle maior do patrimônio físico, que é o verdadeiro core business das companhias. Nada para
se espantar. Este trio de vencedoras trabalha com vários tipos de commodities. Por isto, a criação de
valor agregado se dá na transformação do produto em serviço de melhor qualidade
e na eliminação de gargalos e focos de desperdício.
O negócio da Comgás, por exemplo, é distribuir gás natural
encanado. Parece algo muito longe de qualquer inovação. A empresa, porém, é a
mais bem-colocada do setor no ranking de As
100+. Tudo por conta de sua preocupação em melhorar o serviço oferecido aos
clientes.
No último ano, a empresa se dedicou a construir um software
de controle de depreciação de ativos. A qualidade percebida pelos clientes está
diretamente ligada à rede de canos que distribuem o gás. Qualquer dano ou
desgaste afeta o abastecimento.
Existem softwares desse tipo no mercado. Mas eles são feitos
para companhias petrolíferas e ficam fora do patamar de investimentos da
Comgás. Sem opções de compra, a empresa decidiu desenvolver uma solução própria,
que já está na mira de seus controladores: Shell e BG Group.
A inovação surgiu de uma necessidade do plano estratégico da
companhia. “A TI deixou de ser uma recebedora de pedidos e, hoje, é um apoio na
busca de soluções de negócio”, comenta o CIO da Comgás, Roberto Carneiro.
Alcançar os objetivos definidos pela corporação é missão
para 100% das participantes do estudo neste setor. Embora 64% definam a TI como
centro de custos, o porcentual das que afirmam possuir uma estratégia de
inovação definida é alto, 82%. No entanto, o segmento está longe de ser
caracterizado como early adopter – o
que não significa falta de adoção de TI. O uso de tecnologias focadas no
negócio é impressionante.
Na Duke Energy, segundo lugar no segmento, um CRM está sendo
criado para o controle das bordas dos reservatórios. No ramo de hidroelétricas,
as companhias são as responsáveis por educar a população sobre os perigos de se
construir fora dos limites de segurança das margens dos rios e represas. Mas as
regras são constantemente desobedecidas, trazendo risco em tempos de abertura
das comportas das usinas.
Com o cadastro de todos os impactados pelas cheias em um CRM Dynamics,
da Microsoft, a empresa espera gerenciar melhor este problema. “Os dados e
contatos da população em questão ficarão visíveis a todos envolvidos nos
processos de fiscalização, deixando mais ágil e rápida a atuação com as
autoridades locais”, explica o CIO, Osvaldo Esteban Clari Redes.
O sistema está sendo encarado como um gerenciamento
automatizado para stakeholders. Algo
muito diferente do pensamento da empresa quando chegou ao Brasil há dez anos.
Em 1999, tudo era uma cópia da matriz norte-americana.
Hoje, a sede é apenas o objetivo para os ganhadores do
prêmio de inovação da filial brasileira – o Programa de Melhoria Contínua dá uma
viagem para conhecer como funciona a Duke nos Estados Unidos. Nos últimos dois
anos, a área de TI esteve entre estes privilegiados.
Medições
em todo lugar
Controlar os ativos que definem o negócio da empresa também
é foco de inovação na empresa de logística MRS, responsável pelo transporte de
várias commodities por uma rede
ferroviária que envolve RJ, SP e MG. As imensas locomotivas ganharam status de avião e são monitoradas da
mesma forma que as companhias aéreas cuidam de suas aeronaves.
Para isso, a MRS – terceira colocada na categoria – investiu
em tecnologia embarcada, transformando as locomotivas em um complexo sistema de
sensores, telefonia e softwares. Quando o trem passa pelos pontos de checagem,
todo o desgaste de peças é medido e enviado para um sistema de gestão. Assim, a
empresa consegue evitar paradas desnecessárias e aumenta a vida útil de cada
componente.
A solução irá ajudar a empresa a dobrar a capacidade de
carga (que, atualmente, é de 145 milhões de toneladas) sem investir em compras
de novas locomotivas. O ganho de escala, explica o CIO, Eliezer Tadeu Dore, se
dará por meio do aumento do tráfego dos comboios. Com intervalos menores e
controlados, a produtividade aumenta. Das 500 locomotivas da empresa, cem já
possuem o aparato.
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