Vencedores na categoria que engloba empresas de governo mostram como trabalhar o choque de gerações na estratégia de inovação
Por pouco, as duas primeiras colocadas na categoria das empresas do setor público no estudo As 100+ Inovadoras não ficam entre as top 10. Eletronorte e Companhia de Transmissão de Energia (CTEEP) acabaram em 11º e 16º lugares no ranking geral, respectivamente, e com bom índice final auditado pela Deloitte. A terceira colocada foi a AES, em 40º, seguida bem de perto pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) em 44º.
Para os executivos de TI das empresas, a explicação pode estar na formação dos profissionais e no choque de gerações bem gerenciado. Os cargos executivos são ocupados em sua ampla maioria por engenheiros experientes. Eles estão do lado de muitos estagiários e juniores que também buscam seus diplomas nesta formação. “É algo que pode causar inveja pra muita gente, temos o antigo CPD e a geração Y trabalhando juntos e focados”, argumenta o superintendente de TI da Eletronorte, Eduardo de Oliveira Lima.
Tal configuração tem ajudado as empresas do setor a se manterem atualizadas no seu parque tecnológico e a sempre testarem novidades que surgem no mercado. Na Eletronorte, a TI ajuda no projeto de virtualização de 110 servidores e dos blogs departamentais e da presidência. Tudo é levado por todos, independentemente da idade. “O maior benefício da mistura é a troca de ideias, não tem nada a ver com separar os projetos pela idade”, diz Lima.
Em 2010, um dos grandes projetos é algo que poderia assustar qualquer um que se encaixe no conceito de geração Y. A empresa, por definição do órgão regulador, precisa ter um manual de todo patrimônio rodando em seu sistema. Os dados exigidos são inclusive do histórico de aquisição e depreciação do ativo. Sem isto, fica em desacordo com as regras de mercado, perde competitividade e pode sofrer consequências duras do regulador.
O monte de números e planilhas que precisam ser digitalizados e relacionados passa longe da preferência de trabalho da geração Y. A Eletronorte usa um controle do portfólio de projetos e uma gestão informal da inovação para evitar esse choque cultural que poderia influenciar nos resultados e no clima organizacional. As equipes se misturam e a troca de ideias é constante. Não existe uma equipe de inovação, mas há líderes para os projetos. Eles são identificados pelo executivo de TI e passam a trabalhar nesse sistema. “Temos jovens que pedem aconselhamento sobre novas tecnologias para gente de cabelo branco e senhores que adoram ajudar os mais novos nos projetos”, aponta Lima.
Assim, a empresa colecionou uma série de inovações no último ano. Em 2010, existiam 40 projetos na TI. Todos foram implantados ou estarão rodando até o fim do período. São inovações que vão de compliance, passam pela modernização de sistemas e chegam até a tecnologia embarcada nos equipamentos de geração de energia. “Todos conhecem não somente a TI, mas o funcionamento da empresa, o que ajuda nos resultados”, explica o executivo.
Na segunda colocada na categoria, essa característica dos funcionários também existe. Mas há uma explicação suplementar para o bom desempenho do setor em As 100+ Inovadoras. “Corremos muito para recuperar o passivo de TI e modernizar a empresa nos últimos anos, agora as estratégias que se abrem no novo ciclo são beneficiadas pela gestão da inovação que aprendemos”, comenta o gerente de TI da CTEEP, Matheus Araújo.
Realmente, em uma recuperação dos premiados dos últimos anos, é possível ver que havia uma preocupação extrema em cuidar de infraestrutura. Em 2010, as ideias novas começam a aparecer. “O ritmo só não é maior porque há muita regra legal que devemos nos preocupar e há a questão dos prazos das concessões do setor que também interferem nos esforços de TI”, diz.
Mesmo assim, a CTEEP conseguiu inovações que podem até elevar o valor da companhia em qualquer mudança brusca de mercado. Em 2010, foi implantado um BI para o setor financeiro. Com isso, os cenários de investimentos e controle ficaram muito mais afinados. O projeto foi levado pela TI, mas com a participação dos gestores da área de negócio que ajudaram a modelagem do sistema de acordo com a visão da empresa.
É uma amostra de como funciona a gestão da inovação na empresa. A TI e os negócios estão juntos não por uma imposição da alta direção ou uma obediência ao discurso que ecoa por todos os cantos. É uma necessidade.
Muito dessa união vem do sistema de gestão do conhecimento que a empresa adotou nos últimos meses. A solução roda na intranet e é baseada no SharePoint, da Microsoft. A tecnologia é conhecida pelo setor de educação, por exemplo, mas, é algo recente no setor elétrico. “É um exemplo de como um projeto e investimento que tem toda a cara de TI influi na cultura de inovação de uma empresa”, diz Araújo.