Terceira e quarta colocadas mostram disposição para acompanhar crescimento da companhia por meio de projetos fora da caixa
Nesta edição de As 100+ Inovadoras em TI, o setor de química e
petroquímica contribuiu com a campeã absoluta, a Bunge Fertilizantes (leia
mais),
e foi o único a participar com duas representantes na lista das dez primeiras (a
Henkel ficou em 9º).
Trata-se de um feito importante, tendo em vista que o segmento não se destaca
em vários aspectos relacionados com inovação. Um exemplo é que apenas 59% das
empresas pesquisadas possuem estratégia de inovação de TI definida, enquanto menos de 30% contam com
políticas ou procedimentos estabelecidos sobre o tema. O segmento também está
entre os que menos atribuem à TI um viés mais estratégico. Perde neste item apenas para o setor de papel e celulose.
A Fosfertil,
terceira colocada na categoria e 14ª no geral, faz parte das que avançaram mais nesses quesitos.
A fornecedora de matéria-prima para fertilizantes, com atuação também no setor
de insumos para a indústria química, vem fortalecendo os músculos e o papel da
sua TI no mesmo ritmo de expansão do seu negócio. A previsão é dobrar a
produção nos próximos cinco anos, por meio de investimentos como o Projeto
Salitre, que prevê gastos de R$ 2 bilhões para abertura de complexos industrial
e de mineração. “Este crescimento demanda muito mais estrutura de tecnologia da
informação”, diz o gerente-executivo de TI, Daniel Martins Vaz. Ele contou neste ano com orçamento
10% maior e tem sob seu comando um time de 38 empregados e 23 terceirizados,
com o auxílio de um coordenador de sistemas e outro de infraestrutura.
Para Vaz, inovação em TI é um conceito descomplicado. Consiste em soluções
diferenciadas, simples e de rápido retorno, que surgem naturalmente em
ambientes onde se estimulam a mente aberta e o desligamento de meras respostas
técnicas. Um dos fortes aliados do executivo neste processo é a metodologia
Kaizen, não exclusiva de TI. “O foco desta ferramenta é unir pessoas de
diferentes áreas para pensarem juntas, pelo prazo de uma semana, sem bloqueios,
sem vícios e com muita autonomia de implantação. A expectativa é ganhar
velocidade na fase de blueprint“, conta.
Segundo o executivo, todos os profissionais com cargo de liderança na empresa
desafiam suas equipes a “pensarem fora da caixa” e a criarem soluções que
combinem inovação, baixo custo e retorno rápido. A TI participa de todas as
reuniões mensais de produção e promove, anualmente, encontros com cada
gerência para alinhar as demandas dos próximos 12 meses. “Contamos ainda com um
sistema para receber os novos
pedidos e cobramos
ideias inovadoras de parceiros de service desk e centrais de impressão,
em reuniões mensais”, enumera.
Um dos maiores empenhos do gerente, atualmente, é tornar a área de tecnologia
da Fosfertil mais
proativa. “Considero que atingimos um meio termo, mas já estamos planejando
reestruturação para absorvermos o crescimento previsto da companhia e
avançarmos na proatividade.” A TI da Fosfertil é um centro de custos subordinado hierarquicamente ao
CFO da companhia. “Mas o presidente é quem acumula a função de CFO, então, não
sinto nenhuma limitação na minha rotina”, afirma Vaz.
Pequena, mas notável
Na Carbocloro, fornecedora de cloro para tratamento de água e quarta colocada
no setor, menos de 20 profissionais cuidam das funções de TI, que incluem
administrar 125 tecnologias, de business intelligence (BI) e ERP até e-commerce,
segurança, manutenção e sistemas legados, entre outros. A ousadia e alta
produtividade do time, segundo o CIO, José Carlos Padilha, está entre os
motivos de a empresa ser chamada de “pequena notável” por vários dos seus
parceiros. Internamente, a área também tem sido muito bem-avaliada. Na última
pesquisa interna realizada junto a 60 gestores, 97% deles se disseram
satisfeitos ou muito satisfeitos com o desempenho da TI, vista por 54% como
área estratégica para a companhia.
Padilha explica que a TI integra o planejamento estratégico da Carbocloro há
cerca de três décadas, e que é este planejamento a maior fonte de inovações na
empresa. “Não discutimos muito com as unidades de negócios aspectos
operacionais da TI, mas sim como ela pode agregar valor em todas as áreas, de
forma que objetivos e metas estratégicos, como aumento da venda em determinado
período, possam ser atingidos”, detalha.
Reportando-se ao vice-presidente de finanças, Padilha admite que,
politicamente, sua atuação não é 100% independente. “Mas minha percepção é
sempre levada em total consideração e não tenho muita dificuldade em aprovar
projetos inovadores”, diz. Ele cita como exemplo o investimento em mobilidade
que dotou toda a força de vendas da companhia com dispositivos móveis que dão
acesso a módulos do sistema de gestão integrada da empresa. “O vendedor externo
tem no handset todas as informações relativas a sua carteira de clientes
e pode, inclusive, obter do diretor, via celular, aprovação de novos
pedidos”, explica. Entre as sistemáticas empregadas para incentivar a inovação
e a modernização da TI, a Carbocloro conta com diversas células
multidisciplinares de pesquisa, como a de inteligência competitiva.
Confira o especial completo sobre a nona edição de As 100+ Inovadoras.