Com 27 participantes, categoria foi recorde de número de inscritos e emplacou três representantes entre os dez primeiros colocados
A indústria de bens de consumo tem movimento garantido o ano todo, independente de sazonalidades e crises. Isto porque, congrega produtos essenciais para a sobrevivência das pessoas, especialmente se trata de alimentos. Num país como o Brasil, é comum a existência de diversas firmas atuantes pelo potencial agrícola, capacidade produtiva e escala para venda, sobretudo, com uma classe emergente que tende a consumir mais produtos alimentícios industrializados. Não é à toa, portanto, que a categoria de indústria de bens de consumo (alimentos, bebidas, fumo e confecções) do estudo é a que conta com maior número de participantes, 27 no total.
Essa amplitude, entretanto, não significa que o setor seja altamente inovador na aplicação de tecnologia da informação. Embora conte com três representantes entre os dez primeiros do ranking geral, trata-se de um segmento com muitos desafios pela frente, especialmente em logística e gestão industrial, áreas de trabalho mais citadas pelos CIOs entrevistados. Na avaliação da consultoria Deloitte, o segmento fica bem posicionado quando se avalia o papel da TI dentro das empresas, com nota pouco acima da média. Este é um ponto importante, uma vez que se avalia o alinhamento da TI à estratégia da empresa. No geral, é um segmento com certo equilíbrio, entre o 1º e o 6º colocados, a diferença de nota gira em torno de 30 pontos. Na categoria comércio atacadista e varejista, por exemplo, a diferença entre o 1º e o 2º ultrapassa os cem pontos.
Irajá Curts, responsável pela TI da Frimesa, companhia com 18 unidades entre fábricas e pontos de distribuição espalhados pelo Brasil e quinta colocada na categoria, conhece bem os desafios. Com orçamento de R$ 7 milhões e equipe de 30 funcionários, ele trabalha focado em melhorar aspectos de segurança, iniciativas de open source, atualização e modernização de infraestrutura com virtualização e, sobretudo, automação da gestão industrial.
Na parte de segurança, existe um esforço para elaboração e implantação de políticas, tendo como obstáculo a resistência dos usuários, sobretudo, pela restrição de diversas ferramentas. “Toda informação pertence à empresa e percebemos um cuidado maior. Mas culturalmente é complicado, estamos com ações corretivas para que entendam o que está sendo controlado.” Curts lembra que ferramentas como MSN e Skype são liberadas em cada área por determinação do gestor. “Mas redes sociais estão bloqueadas, tudo dependerá da viabilidade disto para nosso negócio. Hoje, não tem trazido benefício.”
Na área de open source, ele migrou 99,9% dos usuários para BR Office e diversas estações de trabalho são baseadas em Linux. Há um trabalho de migração, mas com olhos voltados à compatibilidade, de aplicações que ainda não rodam em Linux. O Windows está instalado, ainda, por conta de softwares legados e outros aplicativos não compatíveis com outras plataformas.
Na parte industrial, o esforço está em automatizar alguns pontos. “Hoje é tudo manual, mas passará a ser automatizado. Estoque e expedição terão controle e isso vai permitir gestão das informações para custo e qualidade, será algo muito grande em relação à cultura”, aponta. A primeira fase do projeto, abraçando a área de coleta de leite, entra em operação em setembro. A divisão de carnes ainda levará uns sete meses para contar com a automação.
Se na Frimesa existe forte movimentação, na Citrovita, empresa do grupo Votorantim e sexta colocada na categoria, o ano é de elaborar planos. A companhia acordou em maio deste ano a fusão com a Citrosuco para formar o maior produtor mundial de suco de laranja e ainda aguarda aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para a operação. Enquanto isso, as equipes apenas elaboram planos visando à possível junção. O CIO, Humberto Shida, entretanto, chama a atenção para algumas iniciativas implantadas em 2009 – quando contou com R$ 7,5 milhões de orçamento. O que mais se destaca é um projeto batizado de solução de agricultura de precisão que interfere diretamente no preço final do produto. Eles elaboraram um processo agrícola, integrado ao sistema de gestão e com apoio de georeferência e computador de bordo, para controle de infestação de pomar. Antes, o profissional saia a campo, avaliava, voltava e passava a informação se havia ou não presença de doença nas árvores. Faltava “acuracidade”. Além disso, na identificação de 10% de infestação, uma área inteira era pulverizada. Com a automação tudo mudou. Para fazer a coleta do dado, o profissional tem que ir até o local que foi recomendado e, enquanto não chega ao ponto, o sistema não abre para apontamento por conta do GPS. “Temos certeza de que coleta está dentro do modelo proposto.” Além disso, se a infestação atingiu uma pequena área, com as informações descarregadas no computador de bordo dos tratores, a pulverização abre apenas no ponto de infestação. “Gera muita economia com insumos e barateia o custo da fruta.”