O IT Web publica o perfil das dez primeiras colocadas no ranking geral e um panorama da inovação nas 16 categorias do prêmio
3º lugar na classificação geral: Fundação Bradesco
A escolaridade da população
brasileira vem aumentando significativamente, mas ainda falta muito para que
seja um problema resolvido no País. Os dados do IBGE mostram, por exemplo, que a
parcela de pessoas de 15
a 64 anos com no máximo quatro anos de estudo caiu de
37,9% para 33,6% entre 2002 e 2005, enquanto que a proporção daqueles que
completaram o ensino médio ou superior subiu de 35,5% para 40,8% no mesmo
período.
No entanto, este aumento da
escolaridade ainda não garante resultados positivos em termos de analfabetismo
funcional: em 2007, ele ainda chegava a 32% da população. E, mesmo tendo
apresentado o maior avanço no Índice de Oportunidades Humanas (IOH) do Banco
Mundial entre 1995 e 2005, o Brasil está abaixo da média da América Latina na
oferta de educação às crianças, por exemplo.
“Há uma demanda muito forte por
educação de qualidade. Só nas escolas da Fundação Bradesco existe uma fila de
300 mil pessoas querendo estudar”, relata Nivaldo Marcusso, diretor de
tecnologia e inovação da entidade mantida pelo Banco Bradesco, que atua nos
níveis fundamental e médio, incluindo as modalidades técnico e escolarização de
jovens e adultos.
Instrumento fundamental, a TI
proporcionou um salto no número de pessoas atendidas pela Fundação desde que ela
adotou o e-learning. Além dos 110 mil alunos que freqüentam as 40 escolas da
Fundação, outros 300 mil acessam os conteúdos do portal escolavirtual.org.br e
há uma centena de centros de inclusão digital mantidos em parceria com diversas
entidades, que oferecem acesso à tecnologia à população carente. “Quando
trazemos inovação, ela tem de apresentar resultados. No curto prazo, precisa
melhorar os processos da Fundação. No médio e longo, visa à criação de um modelo
de negócio, como foi o e-learning.”
Por conta dessa visão, a Fundação
conquistou pela segunda vez o primeiro lugar na categoria de serviços diversos
de As 100+ Inovadoras e, nesta edição, entrou na lista dos dez primeiros
classificados.
Neste intervalo, afirma Marcusso,
houve uma consolidação no processo de inovação dentro da Fundação, com a criação
de um white book, onde estão definidas todas as etapas para a avaliação de uma
tecnologia, desde a sua prospecção até a implementação do piloto, independente
de sua aplicação no curto prazo ou não. “Isso nos ajuda a gerar cases, com o
objetivo de melhorar os resultados e atingir as metas estabelecidas. Também
queremos gerar relatórios, para registrar os resultados no intuito de disseminar
o conhecimento gerado no Bradesco Instituto de Tecnologia (BIT)”, explica o CIO.
Tudo
documentado
Para elaborar o “manual de
inovação”, foi composto um comitê envolvendo as áreas pedagógica e de tecnologia
e a diretoria da Fundação Bradesco. O processo teve início no fim de 2007 e a
primeira versão (1.0) foi disponibilizada em junho deste ano. Em setembro,
entrou no ar a 2.0. “A inovação não pode ser muito diferente da operação. Por
isso, a atualização da versão contemplou um detalhamento maior nas etapas do
processo e suas métricas e controles”, expõe Marcusso. O desempenho das
atividades da TI da Fundação Bradesco é acompanhado por indicadores de balanced
scorecard (BSC). Quando o processo estiver totalmente implementado, em 2009, o
objetivo é gerar entre seis e oito relatórios por
ano.
Outro ponto trabalhado entre 2007 e
2008 foi a implantação de escritórios de projetos, de processos e de estratégia,
este último dividido em gestão do conhecimento e inteligência competitiva.
“Minhas metas vão até 2012, mas, no curto prazo, preciso aperfeiçoar os
processos, melhorar meus transacionais, montar meu dashboard e extrair as
informações por meio da nossa ferramenta de BI.” Para este processo, está sendo
buscada no mercado uma ferramenta de BPM e ainda a certificação de profissionais
em Itil 3.0.
Enquanto ajusta seus processos, a
Fundação consolida o uso de ferramentas de colaboração (como blog e wiki),
conferência IP, roll out da nova versão de seu portal interno (educacao.org.br)
e está expandindo suas parcerias com países que se aprofundam no uso da
tecnologia na educação – são mais de 15 hoje.
Entre eles está a Coréia, de onde
veio a idéia de um projeto de uso de iluminação LED para salas de aula. “Isto
ofereceria uma economia de 60% no consumo de energia. Com 540 salas de aula,
isto representa um impacto razoável”, analisa. Também se pode usar a tecnologia
para melhorar o aprendizado – segundo estudos coreanos, determinadas cores
auxiliam o processo em determinados conteúdos.
Os planos de Nivaldo Marcusso
vislumbram ainda o teste de RFID para controle dos alunos. Nas contas do
diretor, poderia haver uma redução de até 30% no trabalho da secretaria da
escola, por não precisar de um back office de acompanhamento do aluno. A
informação seria em tempo real e online.
O projeto piloto está em curso com a
IBM e a Intel, com previsão de lançamento da prova de conceito a partir de
outubro. “Vemos a escola, daqui pra frente, como um ambiente de mobilidade e de
colaboração, que você aprende em qualquer lugar. Para
isto, temos de saber onde está o aluno.” A meta da Fundação é se transformar em
um grande hub multiplicador das melhores práticas em educação não apenas do
ponto de vista pedagógico, como também da tecnologia.
Em 2009, os objetivos incluem levar
para as escolas públicas de todo o País o que é desenvolvido no Bradesco
Instituto de Tecnologia. “Mas esse não é um movimento só da Fundação, precisamos
de uma rede de colaboração e de parcerias com empresas e prefeituras”, finaliza.
Desta forma, a TI está servindo de munição para as palavras do líder
sul-africano Nelson Mandela: a educação é a arma mais poderosa que você pode
usar para mudar o mundo.