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100+: instituições financeiras apostam em TI para crescer e ganhar mercado

Em finanças, tecnologia é core e organizações fazem de tudo pela inovação

Publicado: 09/05/2026 às 21:50
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5 minutos
100+: instituições financeiras apostam em TI para crescer e ganhar mercado
Construção civil — Foto: Reprodução

Uma das surpresas de As 100+

Inovadoras em TI em 2009 ficou por conta do recuo dos gastos em inovação do

setor financeiro neste ano em comparação com 2008. Caracterizado pela forte

dependência de TI, pela firme presença no front

dos avanços tecnológicos e pelo alto volume de investimentos, as empresas

financeiras pesquisadas registraram investimentos médios em experimentação de

apenas 4,8%, a menor taxa entre todas as áreas pesquisadas e mais baixa que os

7,06% de 2008. A explicação, segundo a Deloitte, pode estar na brusca

desaceleração decorrente da crise econômica mundial. Pressionadas, as

instituições teriam dado preferência a projetos menos custosos e com resultados

mais imediatos.

            Mas

não foi o que aconteceu no Banco do Brasil, vice-campeão da categoria (o Bradesco venceu o segmento). Em 2009, a instituição pública aumentou em mais de 8% seu orçamento de TI e

não alterou o ritmo de inovações. Pelo menos, é o que garante o vice-presidente

de tecnologia e logística, José Luís Prola Salinas. “Em se tratando de soluções

inéditas para a indústria financeira, o Banco do Brasil implementa, em média,

seis projetos a cada ano. Mas, de uma forma geral, a inovação está presente em

todos os cerca de 250 projetos anuais que a TI desenvolve.” O executivo diz que

mais de 90% das transações realizadas pelos clientes do BB são feitas por

canais eletrônicos.

            Mesmo

com mais verba, o Banco do Brasil está empenhado em melhorar o processo de

priorização de investimentos. “Estamos implementando um novo modelo de

processamento, que desmembra os diversos sistemas da instituição agrupando-os

em sites por nível de criticidade. Isto nos ajudará a priorizar os projetos de

modernização e de segurança, além de facilitar a manutenção e a agregação de

novos sistemas”, explica o executivo. O modelo, que Salinas chama de “revolução

silenciosa”, também simplifica a comunicação com sistemas externos, com mais

estabilidade e segurança. “É um trabalho que não aparece para todos, mas que

trará um ganho significativo em termos de eficiência”, resume.

              Na percepção de Salinas, tudo à sua volta pede

inovação, o tempo todo. Para ele, inovação em TI não é apenas algo surpreendente,

mas uma solução simples e eficaz para suprir uma necessidade. “Muitas vezes,

ela está na nossa frente, pedindo para acontecer. Nos basta perceber

dificuldades que não precisariam existir e pensar em coisas simples que gerem

comodidade e flexibilidade para o cliente, com segurança.”

            Atualmente,

o banco está organizando uma equipe para cuidar unicamente das questões

relacionadas com incentivo, valorização, qualificação e seleção de ideias,

inteligência competitiva em TI e desenvolvimento de protótipos junto com

fornecedores e institutos de ciência e tecnologia de universidades. “O objetivo

é articular mecanismos internos para captação, filtro e classificação de ideias.

As que provarem seu potencial de sucesso serão encaminhadas ao portfólio de projetos

de TI para desenvolvimento e implementação. Esses profissionais acompanharão os

resultados da inovação tecnológica no BB”, explica o VP.

             A participação de todos os funcionários na

geração de novidades tecnológicas é facilitada por ferramentas colaborativas. A

empresa utiliza wikis e está lançando portal que congregará as mais diferentes

soluções de comunicação interativa da web 2.0, como chat, conferências pela web,

mensagens instantâneas, fóruns e blogs, além de ter áreas de compartilhamento

de conhecimento e workflows. “Também

estamos estudando soluções tecnológicas para gerir brainstormings corporativos”, revela Salinas.

 

Fator de sobrevivência

            Para

Guilherme Lessa, CIO do Banco Matone, focado na oferta de crédito consignado

para servidores públicos e aposentados ou pensionistas do

INSS, os investimentos e a inovação em TI ganham um caráter ainda mais

essencial para quem atua em mercado restrito. “Estamos em um nicho onde a

concorrência é grande, o que torna a eficiência operacional um fator de sobrevivência”,

defende o executivo do banco, quarto colocado no setor . 

            À

frente de uma equipe enxuta – 26 profissionais -, Lessa dirige uma estrutura

criada nos moldes propostos por Peter Weill, pesquisador-sênior do Centro para

Pesquisas em Tecnologia da Informação do MIT (Massachusetts Institute of

Technology). O CIO explica que a TI do Banco Matone está dividida em duas

gerências estratégicas, voltadas para governança e gestão da informação, e duas

outras operacionais, dedicadas a soluções, apoio e infraestrutura. 

            Esse

desenho, em conjunto com sua atuação como diretor estatutário, reportando-se

diretamente à presidência, garantem à TI um peso estratégico e um adequado

alinhamento ao negócio, na avaliação do executivo. “Conseguimos um nível de

integração de toda a cadeia envolvida no crédito consignado que nos permite

realizar em apenas duas horas o processo de contratação, desde a solicitação do

cliente, em um correspondente bancário, passando pela aprovação do crédito até

o depósito do dinheiro na sua conta.”

            Um

dos mais recentes testes de eficiência a que foi submetida a equipe de Lessa

ocorreu no fim de 2008, em plena crise econômica. Foram integradas à rede mais

de 70 lojas, em pouco mais de 120 dias, cobrindo 21 estados brasileiros. “A

tecnologia não ajudou apenas na integração das lojas, mas também no preenchimento

de vagas nas mesmas. Muitos profissionais foram entrevistados e selecionados

por meio de ferramentas da web 2.0, incluindo videoconferência”, informa o

executivo.

            O

Banco Matone optou pelo otimismo no cenário turbulento, e isso pode explicar o

desempenho. “Nem por um momento consideramos que a crise seria drástica no

Brasil. Assumimos que, apesar da desaceleração, a retomada seria forte, e quem

estivesse preparado sairia na frente. Estávamos certos”, conclui Lessa.

Leia também:

Confira o especial completo sobre a nona edição de As 100+ Inovadoras.

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