Em finanças, tecnologia é core e organizações fazem de tudo pela inovação
Uma das surpresas de As 100+
Inovadoras em TI em 2009 ficou por conta do recuo dos gastos em inovação do
setor financeiro neste ano em comparação com 2008. Caracterizado pela forte
dependência de TI, pela firme presença no front
dos avanços tecnológicos e pelo alto volume de investimentos, as empresas
financeiras pesquisadas registraram investimentos médios em experimentação de
apenas 4,8%, a menor taxa entre todas as áreas pesquisadas e mais baixa que os
7,06% de 2008. A explicação, segundo a Deloitte, pode estar na brusca
desaceleração decorrente da crise econômica mundial. Pressionadas, as
instituições teriam dado preferência a projetos menos custosos e com resultados
mais imediatos.
Mas
não foi o que aconteceu no Banco do Brasil, vice-campeão da categoria (o Bradesco venceu o segmento). Em 2009, a instituição pública aumentou em mais de 8% seu orçamento de TI e
não alterou o ritmo de inovações. Pelo menos, é o que garante o vice-presidente
de tecnologia e logística, José Luís Prola Salinas. “Em se tratando de soluções
inéditas para a indústria financeira, o Banco do Brasil implementa, em média,
seis projetos a cada ano. Mas, de uma forma geral, a inovação está presente em
todos os cerca de 250 projetos anuais que a TI desenvolve.” O executivo diz que
mais de 90% das transações realizadas pelos clientes do BB são feitas por
canais eletrônicos.
Mesmo
com mais verba, o Banco do Brasil está empenhado em melhorar o processo de
priorização de investimentos. “Estamos implementando um novo modelo de
processamento, que desmembra os diversos sistemas da instituição agrupando-os
em sites por nível de criticidade. Isto nos ajudará a priorizar os projetos de
modernização e de segurança, além de facilitar a manutenção e a agregação de
novos sistemas”, explica o executivo. O modelo, que Salinas chama de “revolução
silenciosa”, também simplifica a comunicação com sistemas externos, com mais
estabilidade e segurança. “É um trabalho que não aparece para todos, mas que
trará um ganho significativo em termos de eficiência”, resume.
Na percepção de Salinas, tudo à sua volta pede
inovação, o tempo todo. Para ele, inovação em TI não é apenas algo surpreendente,
mas uma solução simples e eficaz para suprir uma necessidade. “Muitas vezes,
ela está na nossa frente, pedindo para acontecer. Nos basta perceber
dificuldades que não precisariam existir e pensar em coisas simples que gerem
comodidade e flexibilidade para o cliente, com segurança.”
Atualmente,
o banco está organizando uma equipe para cuidar unicamente das questões
relacionadas com incentivo, valorização, qualificação e seleção de ideias,
inteligência competitiva em TI e desenvolvimento de protótipos junto com
fornecedores e institutos de ciência e tecnologia de universidades. “O objetivo
é articular mecanismos internos para captação, filtro e classificação de ideias.
As que provarem seu potencial de sucesso serão encaminhadas ao portfólio de projetos
de TI para desenvolvimento e implementação. Esses profissionais acompanharão os
resultados da inovação tecnológica no BB”, explica o VP.
A participação de todos os funcionários na
geração de novidades tecnológicas é facilitada por ferramentas colaborativas. A
empresa utiliza wikis e está lançando portal que congregará as mais diferentes
soluções de comunicação interativa da web 2.0, como chat, conferências pela web,
mensagens instantâneas, fóruns e blogs, além de ter áreas de compartilhamento
de conhecimento e workflows. “Também
estamos estudando soluções tecnológicas para gerir brainstormings corporativos”, revela Salinas.
Fator de sobrevivência
Para
Guilherme Lessa, CIO do Banco Matone, focado na oferta de crédito consignado
para servidores públicos e aposentados ou pensionistas do
INSS, os investimentos e a inovação em TI ganham um caráter ainda mais
essencial para quem atua em mercado restrito. “Estamos em um nicho onde a
concorrência é grande, o que torna a eficiência operacional um fator de sobrevivência”,
defende o executivo do banco, quarto colocado no setor .
À
frente de uma equipe enxuta – 26 profissionais -, Lessa dirige uma estrutura
criada nos moldes propostos por Peter Weill, pesquisador-sênior do Centro para
Pesquisas em Tecnologia da Informação do MIT (Massachusetts Institute of
Technology). O CIO explica que a TI do Banco Matone está dividida em duas
gerências estratégicas, voltadas para governança e gestão da informação, e duas
outras operacionais, dedicadas a soluções, apoio e infraestrutura.
Esse
desenho, em conjunto com sua atuação como diretor estatutário, reportando-se
diretamente à presidência, garantem à TI um peso estratégico e um adequado
alinhamento ao negócio, na avaliação do executivo. “Conseguimos um nível de
integração de toda a cadeia envolvida no crédito consignado que nos permite
realizar em apenas duas horas o processo de contratação, desde a solicitação do
cliente, em um correspondente bancário, passando pela aprovação do crédito até
o depósito do dinheiro na sua conta.”
Um
dos mais recentes testes de eficiência a que foi submetida a equipe de Lessa
ocorreu no fim de 2008, em plena crise econômica. Foram integradas à rede mais
de 70 lojas, em pouco mais de 120 dias, cobrindo 21 estados brasileiros. “A
tecnologia não ajudou apenas na integração das lojas, mas também no preenchimento
de vagas nas mesmas. Muitos profissionais foram entrevistados e selecionados
por meio de ferramentas da web 2.0, incluindo videoconferência”, informa o
executivo.
O
Banco Matone optou pelo otimismo no cenário turbulento, e isso pode explicar o
desempenho. “Nem por um momento consideramos que a crise seria drástica no
Brasil. Assumimos que, apesar da desaceleração, a retomada seria forte, e quem
estivesse preparado sairia na frente. Estávamos certos”, conclui Lessa.
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