Empresas do setor de farmacêutica, higiene e cosmética esforçam-se para alçar TI ao mesmo patamar de amadurecimento na inovação científica
No setor de farmacêutica, higiene e cosmética, ainda há um longo caminho a percorrer quando o assunto é processo de inovação de TI. As empresas do segmento amargaram o pior desempenho neste quesito entre todos os setores contemplados no estudo de 2010. A nota média foi de 0,27 de um máximo de 1,0. A indústria se orgulha de ter a inovação impressa no seu DNA e de investir pesado em pesquisa científica para desenvolvimento acelerado de produtos. Mas ainda não emplacou uma representante na lista dos dez primeiros no ranking geral.
Entre as que mais avançaram, o destaque ficou com a L”Oréal, campeã na categoria. Por trás do desempenho da multinacional francesa está a meta de crescimento da operação mundial, disposta a dobrar a base global de consumidores finais, para 2,5 bilhões de clientes. O Brasil, posicionado entre os dez maiores faturamentos do grupo, é peça-chave na empreitada. “Só, no primeiro semestre deste ano, já crescemos 24% contra 15% em todo o ano de 2009”, diz o CIO, Sérgio Hart. A TI da operação local – um time de 25 profissionais – desempenha papel central na corrida por novos mercados e canais de vendas. O executivo explica que, na L”Oréal, os projetos de TI são classificados em quatro tipos, começando pelos pilotos, que testam inovações; os estratégicos, que irão influenciar a maneira como a empresa faz negócio; os obrigatórios, por exigência legal ou de manutenção; e os core, que focam processos internos, como, por exemplo, mudança de versão de ERP. “Os piloto representam entre 5% e 10% do orçamento de TI”, explica o diretor, que considera o porcentual suficiente para garantir as modernizações na TI da L”Oréal.
Tais modernizações são objeto de uma estratégia claramente definida, embora a empresa não mantenha equipe dedicada à inovação. “Temos um processo cíclico, mas também incentivamos a criatividade espontânea.” Lá, é incentivado o espírito empreendedor dos profissionais de tecnologia, para que pesquisem e pensem novidades que agreguem valor ao negócio. “Afora isso, é constante o movimento de inovações do tipo top down, implementadas para suprir necessidades e desafios que surgem no dia a dia, como, por exemplo, solução móvel para atender à área comercial no seu desafio de melhorar o relacionamento com a clientela”, ressalta.
Entre os projetos mais recentes da L”Oréal, um destaque é a solução de web para gestão dos estoques do cliente, implementada em 2009 e ainda em fase de roll out. Com a tecnologia, a empresa conectou seus sistemas aos dos seus distribuidores para acompanhar, em tempo real, a saída dos seus produtos.
Já o “projeto sinergia” equipou cerca de 500 vendedores, entre internos e externos, com aplicativo para PDA, notebooks e netbooks que permite acesso a informações corporativas. O sistema está integrado ao SAP, onde estão embutidas as regras de negócios da L”Oréal. “O projeto aprofundou o nosso CRM, tornou o fechamento de negócios mais ágil e contribuiu significativamente para o crescimento das nossas vendas.”
Mais dinheiro
Na Natura, que repetiu o desempenho do ano passado e se manteve firme na vice-liderança do segmento, a boa notícia é que está em fase de aprovação um aumento substancial do orçamento destinado à pesquisa e experimentação de novas soluções, segundo informa o diretor de TI da empresa, Marcos Pelaez. “Hoje não precisamos mais brigar pela verba de inovação, desde que a ideia seja boa e tenha aderência ao planejamento estratégico da empresa.” Sem revelar valores, ele assegura que sua área visa a ir além dos projetos que resultam em mera transformação – aqueles que promovem melhoria incremental dos processos e tecnologias já existentes, na definição do CIO.
Por enquanto, o caráter de transformação prevalece nos projetos de TI da Natura, mas a verba para experimentação deverá engordar o portfólio de iniciativas que Pelaez considera, de fato, inovadoras. Na categoria, está a adoção de tecnologias que sejam pioneiras e/ou capazes de mudar radicalmente o processo de negócio. Integram este elenco, por exemplo, um piloto que testa o uso de redes sociais como canais efetivos de vendas.
Afora isso, há um portfólio expressivo de transformações ocorrendo na TI da Natura. Pelaez destaca a construção de nova versão de ERP para contemplar novos processos e o desenvolvimento de um novo modelo de logística nacional e internacional. A empresa também aprovou orçamento para avançar no terreno da colaboração interna e o time também estuda soluções de conectividade e mobilidade para aproximar mais a empresa dos seus parceiros. “Nosso cliente direto é a consultora. Estamos falando de 900 mil pessoas no Brasil. Quanto mais aumenta este contingente, mais difícil fica.”