Na categoria tecnologia e computação, destaque para as organizações que fizeram a inovação parte da estratégia e de ganhos de produtividade
O setor de tecnologia e computação tem uma presença
conflitante no estudo As 100+ Inovadoras.
Somente cinco das empresas que se inscreveram aparecem no ranking geral. A
situação não difere muito de 2008, quando apenas duas figuraram entre as cem.
No entanto, as mais bem-colocadas – Redecard, Totvs e Tecban – classificaram-se
entre as 20 melhores e contam com boa pontuação.
De uma forma geral, as companhias desse setor parecem não
aproveitar o que pregam em suas propagandas para clientes. Para 55% delas, a TI
é um centro de custo. Na média geral, esse índice é de 46%. Embora 100% afirmem
que há uma estratégia de inovação definida, 64% delas dizem que não há qualquer
métrica para o retorno destas ações.
O setor também aparece bem dividido quando questionado sobre
os processos prioritários da área de TI. O relacionamento com clientes,
operação e suporte de sistemas é foco principal para 36% das companhias. Com o
mesmo porcentual aparece a entrega de soluções e integração. O planejamento da
arquitetura e desenvolvimento de sistemas fica com 26%, enquanto o planejamento
estratégico e a gestão do modelo de negócios não são citados.
Com isso, ganharam destaque as organizações que fizeram a
inovação parte da estratégia de negócios e de ganhos de produtividade. As três primeiras
do setor não poupam esforços para se adaptarem às constantes mudanças nos
negócios e lidam muito bem com todo o arsenal tecnológico que ajudaram a
difundir pelo mundo.
A Redecard, parte importante no ecossistema de pagamentos
por meio eletrônico no Brasil, já contabiliza 11 mil pessoas realizando m-payment por meio de uma solução
própria. O novo modelo é tido como a próxima evolução, impulsionada,
principalmente, pelo aumento da base de celulares e uso desses aparelhos como
substituto dos cartões de crédito.
Outra inovação da empresa nasceu de uma necessidade fora da
TI. A campeã da categoria e 11ª no geral precisava melhorar a segurança dos pontos
de venda (POS, na sigla em inglês) existentes no comércio. Quando um destes
aparelhos apresenta problema de vulnerabilidade, precisa ser retirado do estabelecimento
e enviado para o laboratório. Uma solução de telemetria inventada pela área
técnica está mudando essa situação.
Com sensores de radiofrequência, a equipe de manutenção
poderá descobrir o problema e consertar a máquina em instantes, sem precisar
desligar ou trocar o POS. O sistema está em fase de patente internacional e
deve contribuir para a companhia melhorar o serviço prestado ao cliente.
“Antigamente, a TI fazia muitos projetos de pouca complexidade, hoje, nos
focamos em poucos, mas de extrema ligação com o negócio da companhia”, destaca
o diretor de TI da Redecard, Alessandro Raposo.
Ambos projetos mostram a fase na qual vive a TI da empresa. Há cerca de
três anos, o primeiro passo de inovação na área foi definir os processos por
meio de metodologias de gestão da qualidade. A segunda etapa, entre 2007 e 2008,
contou com a adoção de novos sistemas automatizados e a inclusão de scoredcards e workflow na rotina da área. Agora, na terceira fase da mudança, a
eficiência do negócio é feita em cima do que foi construído, seja tecnologia ou
metodologia.
Expansão
consciente
Uma operação remota de manutenção também está ajudando a
Tecban, terceiro lugar no setor e 19º no geral, a diagnosticar e recuperar
defeitos em sua rede de caixas eletrônicos do Banco 24 Horas. “O tempo gasto em
campo tem interferência direta no crescimento do negócio”, explica o diretor de
TI, Lisias Lauretti. Antes, a empresa precisava mandar um técnico a cada
terminal para fazer a manutenção. Com a operação remota, uma central pode
cuidar de várias máquinas ao mesmo tempo e até prevenir futuros problemas. A
solução será essencial para aumentar a disponibilidade da rede no plano de
expansão para 2012.
A economia esperada é de R$ 510 mil por ano. Por enquanto, a
empresa já descobriu que o tempo de atendimento vem caindo drasticamente,
passando de 23 minutos, em janeiro, para 8 minutos, em março. A disponibilidade
da rede é uma das grandes preocupações. Para diminuir os problemas que podem
fazer o cliente deixar de usar o caixa eletrônico, a empresa planeja usar uma
conexão reserva de telefonia 3G nestes terminais. Já existem algumas máquinas
destas funcionando e à medida que as operadoras aumentarem a cobertura, o
projeto será ampliado.
Na Totvs, vice-campeã da categoria e 15ª colocada entre As 100+, o destaque é para o uso de
canais de troca de ideias para inovação. O portal i9 é o centro mais aparente
dessa política. Mais de 3 mil sugestões de melhorias já foram enviadas para avaliação. O foco
principal é a experiência do usuário e as metas de negócio da empresa.
Os clientes também possuem formas de contato direto com a
empresa para sugestões e o CEO da empresa possui uma conta de e-mail específica
para receber insights dos
funcionários. “Com isto, a inovação não é pontual e fica presente por toda a empresa
e em todos os processos”, explica o vice-presidente de tecnologia e gestão da
qualidade Weber Canova.
Confira o especial completo sobre a nona edição de As 100+ Inovadoras.