Empresa rabalha com conceitos de globalização e reconhece desafios para lidar com o novo perfil dos profissionais
O termo colaboração é, de uns tempos para cá, sem dúvida, um
dos mais citados no mundo corporativo, independentemente do departamento. Mas representa
também um grande desafio para as empresas, sobretudo, quando a ele se somam as
pessoas da chamada geração Y, que passarão a ocupar cargos cada vez mais
importantes, trazendo para o ambiente empresarial conceitos que antes eram inimagináveis.
Tamanha a relevância desse tema que, logo no início da entrevista
com InformationWeek Brasil, os executivos
da Unilever – estiveram presentes o vice-presidente de TI e global services, Gonzalo Esposto, e o
responsável pela TI no Brasil, Bernardo Tavares – deixaram claro como o assunto
é tratado com bastante atenção na companhia. No 11º andar de um moderno
edifício na zona sul da capital paulista, elaborado dentro do conceito “prédio
verde”, localiza-se a TI da empresa. Por quase duas horas, Esposto e Tavares
expuseram projetos e ressaltaram, por diversas vezes, a importância que é dada
ao tema ?pessoas”. “Precisamos continuar investindo para reter e atrair
talentos e diversidades”, confirma Esposto.
Nessa direção, a quinta colocada no ranking geral de As 100+ Inovadoras no Uso de TI e
campeã na categoria de bens de consumo não-duráveis prepara uma renovação
profunda da ferramenta de colaboração interna. “A plataforma precisava mudar.
As novas gerações não querem e-mail e planilhas”, pontua Tavares. “Telepresença,
telefonia IP, mobilidade. Geramos muito conteúdo com isto”, completa Esposto.
A nova versão da ferramenta será baseada em SharePoint, da
Microsoft, e contará com funcionalidades como mensagens instantâneas. Eles
querem, com estas mudanças, trazer o mindset
da comunidade interna para o centro. A plataforma atual acabou não atraindo
muitos usuários, especialmente na América Latina, como compartilharam os
executivos. “É uma mudança cultural que a AL precisa ter”, avalia Esposto,
sobre a questão colaborativa.
O portal é feito para que a comunidade de mais de 100 mil
funcionários troque ideias, compartilhe experiências e gere, acima de tudo,
inovação. Além desta, outras experiências visam a agradar o público mais jovem.
“Temos vários pilotos, aplicação para iPhone, conteúdo de mídia móvel. Sai do
transacional. Os novos funcionários são preocupação global”, frisa Esposto.
Braço estratégico
Globalização, aliás, é premissa básica para a TI da
Unilever. Existe uma ampla troca de experiência entre os departamentos de
tecnologia espalhados pelas filiais mundo afora e, quando possível, replicação
de projetos. “Gestão de conhecimento é importante. Se algo foi bem na Índia,
posso aproveitar na Argentina”, exemplifica o vice-presidente. Algumas áreas têm
gestão global, mas o grupo dá liberdade para administração local para alguns
setores por conta de particularidades regionais. Esposto tem cadeira cativa no board local, onde são discutidas
estratégias para a companhia. “Isto é consequência de olhar TI como ferramenta
estratégica e não só custo”, pontua Esposto.
Praticamente tudo o que eles têm feito segue o IT 2012, um
plano estratégico baseado em pilares como serviço ao cliente, supply chain, vendas, excelência
operacional, marketing e colaboração. O projeto foi formatado para dar suporte
às metas de crescimento do próprio grupo. “TI não é para servir. A Unilever
sempre foi focada em
estratégia. A gestão de papel, por exemplo, é algo simples.
Reduz uso de papel e o resultado entra no relatório ambiental. A consolidação
dos servidores, a mesma coisa”, comenta o vice-presidente.
Ambos executivos acreditam que o ano de 2008 tenha sido o
momento de consolidação do conceito one
IT, algo inovador, que teve um amplo movimento para unificação do ERP. Já
2009, eles citam como o ano de novas capacidades. Mas “os maiores projetos
estão por vir”, acreditam. Estão previstas na companhia, por exemplo, novas
versões de business intelligence (BI)
e CRM. A plataforma do primeiro existe há sete anos e a equipe já repensa o
formato. Os executivos querem mais flexibilidade. “Não queremos que seja um
projeto de TI. Nossa função é ajudar a Unilever a usar novas tecnologias da
melhor forma possível. Não importa de onde vem, temos que conhecer”, ressalta
Esposto.
Inovação não é só bem-vinda, como premiada. A última
avaliação premiou um projeto dos Estados Unidos que deve ser replicado no
Brasil já no próximo ano. Trata-se de um prédio onde os clientes são levados a
uma experiência única com os produtos. “Agrega diversas tecnologias, como 3D e
será levado para outras regiões”, avisa o VP.
Para os próximos anos, Esposto e Tavares apostam em grandes
mudanças. Upgrades na base estão
previstos, além da terceira geração de diversas plataformas. Os executivos
avaliam também que a unidade brasileira terá cobrança adicional, sobretudo,
pela vantagem que o País teve diante da instabilidade financeira que assombrou
o mundo. “Colaboração, efetivamente, expressa paradigmas a serem desenvolvidos.
Não tem área mais próxima a qualquer funcionário que a TI.”
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