Projetos de expansão do uso da tecnologia para outros elos da cadeia produtiva garantem o diferencial do segmento
Affinia, GM e Delphi são as três mais bem-colocadas da indústria automotiva e de autopeças no estudo de As 100+ Inovadoras no Uso de TI. A primeira do grupo aparece em 15º lugar no ranking geral, seguida pelos 26º e 62º lugares. Tal distanciamento mostra o momento atual do setor e pode significar muito de seu futuro. Longe de estarem paradas em inovação, as companhias dessa indústria primordial para o mundo que conhecemos hoje estão colhendo os frutos do seu pioneirismo em TI e já começam a planejar as próximas ondas.
No estudo, realizado pela Deloitte, o setor consegue bons índices de gestão de TI, orçamento destinado e apoio à inovação. São números que colocam as companhias muito próximas das mais bem-colocadas e longe das demais verticais com desempenho inferior. O destaque é para o papel da tecnologia, onde consegue uma média superior à maioria das indústrias pesquisadas. Mas qual tem sido esta função ultimamente? O controle dos custos de propriedade, a aproximação maior com o consumidor, mas, principalmente, uma visão de futuro para o negócio.
Na GM, há em curso vários projetos como a migração do call center e do CRM para um modelo de computação em nuvem. A mudança organizou montadora e fornecedores de serviço para acertarem o foco no consumidor final e não apenas na cadeia de concessionárias. O objetivo almejado para um primeiro momento foi a diminuição do custo da operação. Espera-se também um aumento de agilidade nos processos. “Para o consumidor, isto é um serviço que tem interferência na percepção da marca”, explica o CIO para América do Sul da General Motors, Claudio Martins.
No futuro, Martins imagina que esse tipo de novidade possa mudar radicalmente. A TI das empresas do setor estará muito mais próxima do consumidor final e o caminho está sendo pavimentado. “O carro será o último elo da TI e nós estamos nos preparando para isso testando e vendo a robustez da computação em nuvem”, diz.
Talvez, por isso as empresas do setor não apareçam com tanto destaque no ranking geral deste ano. Os CIOs parecem estar preparando o fôlego para que suas companhias surfem na próxima onda da TI. Atualmente, a indústria automobilística não é diferente no uso da TI de qualquer outro ramo. Elas trabalham virtualização e consolidação como qualquer outra. A inovação também é parte da rotina diária. Cada produto é praticamente um projeto de tecnologia também, com seus processos de gestão bem-definidos. É nos projetos que estão expandindo a TI por outros elos da cadeia produtiva, com expectativa de garimpagem de dados novos, que está o grande diferencial da TI inovadora do setor automobilístico.
Na Affinia, primeira colocada desta indústria, isso pode ser sentido. A empresa nasceu da separação da Dana Corporation, há cerca de cinco anos. A TI da subsidiária brasileira teve de ser praticamente reconstruída. Começando do zero, tudo que já era sabidamente bom foi posto para rodar. O trabalho demorou alguns anos e, desde o ano passado, a preocupação da TI tem sido outra. A equipe de cerca de 40 pessoas tem 70% delas pensando inovação e novos processos.
Com isso, uma parcela está encarregada do service desk, contingência e andamento de processos já estabelecidos. A maior parte está descolada desse dia a dia e pensando novidades. Da prancheta deste pessoal já saiu toda a estratégia de outsourcing da empresa, a virtualização dos servidores, gerenciamento de impressão e a nota fiscal eletrônica da empresa em modelo centralizado, com uma infraestrutura inédita utilizando o servidor com banco de dados Oracle 11g. Algo que levou o case a ser apresentado à fabricante de software em maio.
O grupo, que estuda as inovações, tem reuniões mensais com as áreas de negócio, passa por uma revisão de metas a cada trimestre. “Todo mês, eles precisam gastar 10% do seu tempo para pensar tecnologias novas, além das que estão sendo utilizadas”, explica o gerente de TI para a América do Sul da Affinia, André Brasil.
Com isso, o feedback das áreas de negócio é grande. O índice de satisfação pesquisado tem somente 3% ruim, afirma o gerente. Quando a Affinia começou a surgir e a TI a ser implantada este número girava em torno de 20%. Mesmo essa pequena porcentagem ganha atenção especial do executivo de TI que vai pessoalmente verificar o problema ocorrido. “A cadeia automotiva tem um grau de TI ideal, as inovações hoje tem muito mais a ver com pessoas da empresa e com o cliente”, explica Brasil.
A empresa também prepara um business intelligence (BI) para smartphones. A ideia é que os funcionários em campo tenham poder de decisão. “Com o carro sendo parte da nuvem no futuro, a TI do setor deverá estar preparada para lidar com os dados e o histórico dos produtos e clientes de uma forma mais ágil e amigável”, prevê.