Introdução Grande parte dos usuários não tem problemas de espaço para gabinetes grandes, na verdade, creio que aqui no Fórum PCs a maioria utiliza e gosta de gabinetes espaçosos, com boa ventilação e espaço de sobra para vários periféricos, mas há situações onde um gabinete menor faz sentido. No meu laboratório, por exemplo, tenho um […]
Grande parte dos usuários não tem problemas de espaço para gabinetes grandes, na verdade, creio que aqui no Fórum PCs a maioria utiliza e gosta de gabinetes espaçosos, com boa ventilação e espaço de sobra para vários periféricos, mas há situações onde um gabinete menor faz sentido.
No meu laboratório, por exemplo, tenho um “mini-server” de testes em um gabinete ATX comum de 4 baias que ocupa um espaço incomodo desde que foi montado. Aliás, isso merece uma historinha: o nascimento desse mini-server partiu de sucatas (um Duron 600 com die lascado mas funcional, uma memória de 128MB PC100, uma placa mãe ABIT KT133 sem RAID e um HD de 40GB bem antigo). A idéia era ter uma máquina para testes com linux, especialmente como plataforma de desenvolvimento WEB para o Fórum PCs. O tempo foi passando e a necessidade de outras tarefas acabou aumentando a memória para 512MB e velho 40GB deixou seu espaço para receber dois discos de 80GB, servindo de backup para a rede e ainda realizando algumas tarefas de manutenção e downloads noturnos programados. O Linux deu lugar ao Windows em função de alguns aplicativos e a máquina operou mais de um ano com essa configuração.
Infelizmente o espaço aqui é pequeno, e aquele gabinete ATX sempre me incomodou principalmente porque a máquina não tinha unidade de disquetes nem dispositivos de CD. Tudo nesse mini-server era feito remotamente, pela rede, mas como a placa mãe era ATX “full” nunca encontrei um gabinete menor capaz de recebê-lo.
Até que na semana passada a Casemall me enviou um gabinete para testes, o CP-501L Slim (veja as especificações aqui). Assim que eu abri a caixa, notei que era um gabinete estreito, pequeno, com duas ventoinhas de 60mm atrás e uma tomada de força que indicava ter uma fonte proprietária. Foi uma avaliação rápida e totalmente equivocada, e só percebi meu engano quando, alguns dias depois, abri o gabinete completamente para a sessão de fotos.
Olhando rapidamente achei que era uma fonte proprietária, meu primeiro engano…
Pra começar: o gabinete é realmente mínimo, mas suporta as placas mãe ATX full sem problemas, mas para isso vários componentes precisaram ser reposicionados. Os discos rígidos ocupam duas baias no teto do gabinete, uma na parte frontal e outra onde seria a fonte, que foi movida para a parte inferior frontal com um interessante sistema de exaustão lateral. Um cabo extensor faz a ligação da fonte com a tomada externa, na parte traseira do gabinete e que me confundiu, quando achei que era uma fonte proprietária.
As baias para disquete e CD/DVD (2 unidades) são verticais (nem todo mundo gosta) mas são cobertos por uma tampa basculante que dá um acabamento muito bom. Há uma outra tampa basculante para as conexões USB e áudio frontais, que ficam ao lado do LCD (de cor laranja) onde são apresentadas algumas informações não muito úteis. Há um termômetro interno que pode ser programado pelo LCD para acelerar a ventoinha de 60mm no fundo do gabinete, mas infelizmente a conexão é proprietária de 2 pinos, e não a tradicional de 3 pinos com sensor de rotação, portanto não dá pra saber qual a rotação da ventoinha naquele instante e nem instalar uma segunda ventoinha embora existam dois cabos para tal. Seria necessária uma ventoinha com aquele conector especifico ou “fabricar” um manualmente, o que não é difícil, mas pouco prático.
O sensor térmico e as tomadas para ventoinha, que não seguem o padrão tradicional de 3 pinos, uma falha…
Há uma informação de HDD que não diz nada, só um ícone acesso, assim como o ícone de POWER, que supostamente indica através de uma escala de barras que PC está ligado (inútil, pois se o LCD esta ligado, o PC também está). Uma outra escala de barras indicaria a velocidade da ventoinha, mas de fato só indica a voltagem que está sendo enviada pelo cabo, mas não há uma graduação em volts. O mais curioso é o TIMER que não marca as horas, e sim há quanto tempo o PC está ligado.
Enfim, o LCD não é nada prático, mas embeleza o gabinete. Talvez até existam outras funções interessantes, mas o manual é paupérrimo e por dedução não encontrei mais nada de útil. Por outro lado, os painéis frontais com todas as portas basculantes e o visual geral do gabinete na cor grafite agradaram bastante.
Fiquei entusiasmado com a possibilidade de montar meu “mini-server” nesse gabinete e finalmente movê-lo para um espaço estreito que tenho vazio entre uma mesa e uma estante, liberando o espaço que o antigo gabinete ATX ocupava, e assim que surgiu uma oportunidade comecei o “transplante”.
Uma das minhas preocupações com o gabinete antigo era manter o silêncio absoluto, já que ele fica ligado direto por meses a fio, e manter a refrigeração adequada ao pobre e “lascado” Duron 600, que opera graciosamente em 900 MHz desde que chegou ao laboratório (e eu o recebi de presente de um amigo, pois estava lascado e não servia mais para overclock, quem diria…).
Para garantir esse silêncio, a fonte original (uma Satélite 450W genérica) foi substituída em duas etapas. Na primeira sua ventoinha (do tipo slave) começou a ranger e vibrar por causa do desgaste no eixo e foi substituída por outra mais nova e com rolamento (ball). Meses depois a mesma fonte apresentou uma deterioração muito acentuada e foi trocada por uma Seventeam BKV 350W antes que queimasse. Com a Seventeam, e sua grande ventoinha de 120mm na parte de baixo, as temperaturas caíram um pouco dentro do gabinete e o silencio foi quase total. Só dava pra ouvir o ruído dos HDs pois o cooler, um Coolermaster garra tripla com base de cobre que custou apenas 30 reais, já bastante silencioso, teve sua rotação diminuída ainda mais com o uso de um controlador de ventoinha da Zalman, o mesmo que vem no 7000Cu.
A idéia era mover tudo para o novo gabinete sem trocar nenhum componente. A fonte foi a primeira preocupação, pois a tal grande ventoinha era encoberta parcialmente pelo suporte de fixação, e por isso foi a primeira coisa que instalei. Outro engano…
Depois foram os discos, instalados sem problemas sob o teto do gabinete. A placa mãe entrou com muita dificuldade por causa da fonte e da tomada de força que fica no espelho traseiro. Depois de alguma luta, ela encaixou no seu devido lugar o tempo suficiente para eu perceber que teria que removê-la e remover também a fonte, pois parte dos conectores ficaram encobertos pela fonte, especialmente aqueles que acionam os leds do painel frontal.
Os leds do painel frontal ficam encobertos pela fonte, para conectá-los foi preciso remover quase tudo…
Removi a fonte, instalei novamente a placa mãe, agora com mais facilidade, instalei as placas periféricas (uma Voodoo3 no AGP, uma controladora Promise no PCI, um hard voice modem 56k no ISA e uma placa de rede em um dos slots PCI livres), liguei os conectores do painel frontal e fui instalar a fonte no lugar. Não entrou…
A fonte entra por um trilho estreito, e para isso eu precisava tirar as placas PCI do lugar. Removi todas e finalmente a fonte entrou no seu lugar, sem encostar em nenhum dos conectores que eu já havia plugado. Montei as placas novamente e fiz as ligações da fonte na placa mãe, conectando os demais cabos que estavam faltando. Ficou perfeito agora.
A posição da fonte é incomum, mas termicamente eficiente. Apesar de estranho foi uma das coisas que mais gostei.
Um pouco mais difícil foi acomodar de forma limpa todos os fios e cabos que ficaram pelo gabinete, e olha que não estava utilizando nenhuma unidade de disquete ou CD, pois se estivesse ainda seria mais apertado para conectar e esconder os excessos de cabos.
A ventoinha traseira vem de fabrica montada como exaustão, mas depois notei que a melhor maneira é colocá-la jogando o ar para dentro do gabinete, e não para fora. De fato a temperatura interna do gabinete e da CPU caiu bastante com essa mudança, além de ter deixado o fluxo de ar um pouco mais silencioso, pois passa com menos pressão pela grade traseira. Nas fotos há uma segunda ventoinha que se mostrou desnecessária, e foi removida quando mudei o sentido do fluxo da ventoinha original, a única com conector compatível com o LCD e o sensor térmico.
Depois que tudo estava nos seus lugares, fechei as tampas laterais para avaliar o ruído e a ventilação do sistema. A tampa da esquerda tem duas furações: uma sob o cooler da CPU, que recebe uma tela de nylon extra, e outra sob a placa de vídeo, sem tela. Na tampa da direita só temos uma furação no local que serve de exaustão para a fonte. No teto, sob o HD traseiro, também há uma grade para ventilação e realmente funciona, basta colocar a mão sob a grade para perceber o leve fluxo de ar que entra no gabinete.
Apesar de pequeno, o gabinete é muito bem ventilado e a exaustão da fonte pela lateral é genial!
Fiz vários testes com meu “mini-server” e, fora a inversão da ventoinha traseira, não foi necessária nenhuma outra mudança. A temperatura de trabalho se manteve baixa e o silêncio na operação ficou até menor do que no gabinete antigo. O cooler da CPU ficou encostado na tomada traseira, mas nada muito grave, isso se deve mais ao fato dessa placa ter o soquete bem próximo à borda do que um problema do próprio gabinete. E se for o caso, dá pra resolver com um cooler barato mais baixo do que o Coolermaster que usei.
É preciso avaliar bem a sua necessidade para se beneficiar do Casemall ATX CP-501L Slim. Uma placa grande com muitos periféricos ficará apertada nele, o que dificultará muito a manutenção e limpeza. A ventilação não me preocupa, as grades e o fluxo de ar são bem adequados apesar do aperto, e de fato, toda a parte superior do gabinete ficou fria, enquanto a lateral inferior, onde fica a exaustão da fonte, aquecia moderadamente. Por esse ponto de vista eu diria que a ventilação é o ponto forte desse gabinete, dentro das devidas proporções de dissipação que o sistema montado oferecia, na faixa de 60 Watts na região da CPU, chipset e memória.
Outra desvantagem ? ou característica que pode não agradar ? é o uso das unidades de CD/DVD na vertical. Isso não tem jeito, ou se convive com essa característica ou não tenha um gabinete slim. O LCD também não agradou, é meramente decorativo.
Por outro lado, se você tem poucos periféricos, faz questão de usar uma placa ATX full e uma fonte padrão ATX (20 ou 24 pinos) e quer um gabinete pequeno e bonito, esse Casemall foi o melhor que experimentei até hoje e recebe a minha recomendação.