Recentemente o Paulo Couto escreveu uma avaliação sobre o notebook ASUS M6. Eu tive a oportunidade de usar um notebook igual a este por algumas semanas e resolvi também apresentar aos leitores do ForumPCs uma outra opinião. O teste do Paulo foi super detalhado, objetivo e muito completo (brinquei com ele dizendo que ele havia […]
Recentemente o Paulo Couto escreveu uma avaliação sobre o notebook ASUS M6. Eu tive a oportunidade de usar um notebook igual a este por algumas semanas e resolvi também apresentar aos leitores do ForumPCs uma outra opinião. O teste do Paulo foi super detalhado, objetivo e muito completo (brinquei com ele dizendo que ele havia feito uma verdadeira “autópsia” do notebook). Por conta disso conduzi meu teste de uma forma diferente.
Sou usuário de notebook já faz algum tempo e por isso mesmo conheço algumas virtudes desejáveis e abomináveis fraquezas deste tipo de equipamento. Meu teste foi concebido de uma forma bastante prática. Sou atualmente proprietário de um notebook Toshiba modelo A45 S2502, cuja configuração é: Pentium 4, 2.8 Ghz, processador com tecnologia HT (hyper threading), 1 Gbyte de RAM, disco rígido de 60 Gbytes, reprodutor e gravador de DVD nos padrões +R e- R, slot para cartão de memória SD, 4 portas USBs 2.0, rede Ethernet e WiFi 802.11g, além de modem 56K e porta Firewire. Esta máquina tem sido minha fiel companheira no último ano e meio. No meu trabalho de consultor carrego este equipamento comigo praticamente todos os dias. Meu perfil de uso é muito diverso, ou seja, uso muitos programas diferentes, ao mesmo tempo e por longo tempo. Assim mantenho muitos programas abertos simultaneamente no notebook.
Minha idéia de teste para o ASUS M6 foi transformá-lo em “minha própria máquina” por algumas semanas. Demorei algumas horas instalando se não todos, quase todos os programas de meu Toshiba. Copiei também todos os meus dados, documentos, fotos, músicas, e-mails, contatos, pastas de trabalhos de clientes etc. Por quase dez dias eu deixei meu Toshiba em casa e usei exclusivamente o ASUS M6 em seu lugar. No começo foi difícil porque por várias vezes percebia que tinha me esquecido de instalar algo ou configurar alguma coisa. Por exemplo, tenho acesso via VPN a servidores de algumas empresas. Na medida em que ia precisando descobria a falta e criava na hora as conexões. Lá pelo terceiro ou quarto dia posso dizer que estava “em casa”. No restante do tempo o teste ocorreu como imaginado.
Ser proprietário do M6 por estes dias foi de fato uma experiência marcante, por vários motivos. Eu estava muito curioso em relação aos seguintes fatos: transportabilidade, desempenho no uso de minhas tarefas quotidianas e performance relativa ao meu P4 2.8 Ghz (com HT). O ASUS é mais fino e mais leve que meu Toshiba. Isso sem contar a fonte do meu Toshiba que literalmente é um “tijolo”, pois trabalha com 19V 15A. Só isso já me fez feliz. Mas não tenho o notebook somente para ficar carregando-o de lá para cá! O processador de 1.6 Ghz Pentium M (Centrino) deu um verdadeiro banho no P4. O mais sensível foi o tempo de processamento dos programas que uso. Para dar uma referência objetiva para vocês o meu ASUS executou o SUPERPI (1M casas) em 49 segundos enquanto o Toshiba executou o mesmo teste em 70 segundos, nada mal para um processador com 1.2 Ghz a menos!! O cache de 2 Mbytes e o design mais otimizado do processador justificam esta diferença. O tempo de carga de programas bem como certos aplicativos que são normalmente “pesados” têm um comportamento sensivelmente mais ágil no ASUS.
Em um dia típico de trabalho em um dado momento eu tenho abertos, duas ou três janelas de Word, Excel, Acrobat Reader, Outlook (do Office), WS_FTP, Dreamweaver MX, SQL Enterprise Manager, SQL Query Analyser, Visual Studio (geralmente Visual Basic), 5 ou 6 janelas de Internet Explorer, Messenger, Skype, pcAnywhere, uma ou duas janelas de Remote Desktop e as vezes Photoshop 7.0, além dos serviços básicos do Windows, SQL Server, Antivírus etc. Concordo, é um conjunto ao mesmo tempo formidável e estressante de programas. Individualmente cada um destes programas roda no ASUS cerca de 30% a 40% mais rápido que o Toshiba!! Só encontrei uma diferença, e esta foi dramática, quando tentava usar este conjunto completo de programas no ASUS. Nesta hora senti o ASUS M6 prostrar-se genuflexo!! Mas há uma excelente explicação. O ASUS testado veio com 512 Mbytes de RAM enquanto meu velho Toshiba tem 1 Gbyte de RAM. Como o Toshiba encara esta carga toda de trabalho eu tentei repetí-la no ASUS. Sem chance. Quando cerca da metade destes programas eram fechados em ambas as máquinas, o ASUS reinava soberano, voltando a ser aquele computador ágil e esperto, como percebido no começo do teste. Conclusão: para meu uso ter 1 Gbyte de RAM nessa máquina é mandatório!
Meu perfil de uso é essencialmente profissional, mas ninguém é de ferro. Tenho no meu Toshiba instalado o jogo Gran Prix 4 (um simulador de corridas de fórmula 1). Não é um programa novo, mas por ainda demandar muito da máquina por vezes o utilizo para comparação entre equipamentos (e também para treinar e decorar as pistas em final de semana de corrida de F1 pela televisão). Este jogo é executado de forma modesta no Toshiba. Resolução 640×480, quase todas as sofisticações visuais desligadas e com frame rate de 16 fps. A comparação com o ASUS foi uma covardia. 1024×768, todas as sofisticações visuais ligadas e ainda assim obtive frame rate de 32 fps!! Parece ser outro jogo, de tão melhor que ficou!! Difícil foi afastar meu filho desta máquina! Mas aqui cabe uma explicação. O sistema de vídeo, elemento muito sensível em jogos, no Toshiba é embutido no chipset (855G) enquanto no ASUS a placa é externa, uma ATI Mobility Radeon 9700 com 64 Mbytes de memória dedicada. Mas pela minha experiência com este jogo eu atribuo cerca de 50% do mérito à placa de vídeo e outros 50% à velocidade do processador. Mais um ponto para o ASUS.
Por fim a tela do ASUS me encantou, pois trabalha em uma resolução de 1280×864, com uma excelente legibilidade e com a decorrente ampliação da área de trabalho visível tornou o uso dos programas mais agradável. A tela mais larga é ótima para ler e-mails no Outlook 2003, ver DVDs, manipular planilhas etc. Não pude testar como queria o uso das baterias, pois lamentavelmente o modelo que me foi emprestado estava com a bateria parcialmente avariada. Mas segundo o teste do Paulo, este modelo permite autonomia de 3,5 a 4,5 horas de uso, que para um computador rápido assim é muito apropriado.
Minha conclusão é que este notebook seria um perfeito substituto para o meu computador atual, desde que com a memória expandida. O gravador de DVD Dual-layer, o design extremamente agradável, sua leveza e seu desempenho acima de minhas expectativas são as credenciais que justificariam a troca de meu P4 2.8 ghz pelo M6. Como perfeição não existe, a ressalva que faço ao ASUS é seu disco rígido cuja velocidade é 4200 rpm, embora adequada no uso quotidiano, destoa em relação ao conjunto. Já imaginaram se esta máquina tivesse um HD de 7200 rpm???
Semana que vem vou dissecar na minha próxima coluna o assunto da falta que me fez a memória (os 512 Mbytes extras) pois descobri evidências interessantíssimas a este respeito.