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(1999) Linux e o Fim do Mundo

Hoje é o primeiro dia do resto de nossas vidas, primeiro de janeiro de 2007, mas há exatos dez anos atrás eu estava me aventurando no sul da Bahia (Itacaré, antes de ser conhecida), investindo em terrenos, restaurantes, explorando oportunidades e vivendo. Vivendo de uma forma que poucos têm a coragem de viver, com a […]

Publicado: 12/05/2026 às 18:38
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7 minutos
(1999) Linux e o Fim do Mundo
Construção civil — Foto: Reprodução

Hoje é o primeiro dia do resto de nossas vidas, primeiro de janeiro de 2007, mas há exatos dez anos atrás eu estava me aventurando no sul da Bahia (Itacaré, antes de ser conhecida), investindo em terrenos, restaurantes, explorando oportunidades e vivendo. Vivendo de uma forma que poucos têm a coragem de viver, com a cabeça aberta a todo tipo de situação, sem preconceitos ou valores que possam impedir de ver, simplesmente ver, a beleza da vida que temos e das pessoas que nos cercam. Foi nesse período que eu conheci minha esposa, que eu construí as bases do meu futuro e que formei minha personalidade. Hoje pouco me reconheço antes dessa fase na Bahia, foi uma reinvenção de mim mesmo que surgiu naturalmente, sem a necessidade das “resoluções de ano novo”.

Em outubro de 1999, em Itacaré, depois de ler uma revista sobre Linux que não me lembro mais, mandei esse texto de ficção para seu editor e nos comentários dessa coluna darei continuidade com um resumo dos e-mails trocados com ele, o qual eu perdi completamente o contato. Vale lembrar que no final de 1999 estávamos em um período anterior ao estouro da bolha da Internet, o mundo ia acabar dali a alguns meses devido ao caos gerado pelo bug do milênio, e nós, brasileiros, estávamos envolvidos na pior crise política da nossa história (até então) com o escândalo dos anões do orçamento. Como éramos ingênuos…

Linux e o Fim do Mundo-7 de outubro de 1999-uma ficção realista

Nostradamus previu o Fim do Mundo, e existem diversas interpretações sobre suas profecias. Algumas falam em cataclismos, a vinda do anticristo, guerras nucleares e outros fins bem cinematográficos. Já ouvi até que o 666 (o numero da besta) associado ao alfabeto original (arábico) seria WWW (da Word Wide Web), pode até ser… E o que o Linux tem haver com isso? Muito, mas muito mesmo.

Falando um pouco sobre economia mundial, sabe-se que a bolsa de valores americana esta sobre valorizada e existe muita literatura a respeito disso, diversos economistas estão prevendo o estouro da bolha de crescimento americana. Mas quando? Qual será o estopim? O Linux!

Steve Balmer, presidente da Microsoft recentemente em uma entrevista concordou que as ações da sua empresa estão valendo no mercado muito mais do que seu valor real. Mas concordou também que isso era um fator da economia americana como um todo, onde todas as empresas bem sucedidas estão cotadas a um valor muito maior do que qualquer análise fundamentalista (que atribui um valor real a uma ação) possa determinar. E nós não estamos falando de 30% ou 40% mas de duas a três vezes mais altas do que o esperado.

Em tese uma ação vale a sua participação no lucro futuro da empresa, descontado os juros do período (valor presente, para quem conhece matemática financeira), portanto ela cresce (fora por motivos especulativos) quando maior for a estimativa de lucro futuro e menores forem os juros do período. E foi o que aconteceu no mercado americano nos últimos 10 anos, as empresas em geral lucraram muito, muitas se fundiram e os juros ficaram historicamente muito baixos. Portando as ações estão representando esse cenário, e se nada mudar (olha o Linux ai outra vez) a tendência continua, apesar do pânico geral que o mundo todo passou a ter sobre o estouro da bolha depois das crises russas e asiáticas.

Os cidadãos americanos são ricos porque 67% do seu patrimônio estão investidos em ações que por estarem com suas cotações nas alturas criam uma sensação de riqueza inigualável e um poder de investimento fantástico. E esses investimentos encontram um mercado promissor, com muito dinheiro e muito consumo que geram muitas vendas, muitos lucros etc, etc. Como se pára essa bola de neve? Na crise asiática Bill Gates perdeu 1,5 bilhões de dólares em um dia com a queda da bolsa, mas o mercado se recuperou e além dele recuperar esse troco ainda lucrou mais 6 bilhões daquela época pra cá (2 anos apenas). Loucura?

Parece…

Eis que surge o Linux, um software fantástico, gratuito, distribuído pela internet (lembra do 666?) com uma comunidade de fanáticos pelo mundo todo, com toda uma indústria massacrada pela concorrência desleal da Microsoft apoiando fortemente esse produto, até empresas grandes como a Corel estão lançando seu Linux com sua suíte de aplicativos TUDO DE GRAÇA. A Nestcape já tem o seu “Comunicator for Linux”, e se você pesquisar na internet sobre Linux você vai achar mais coisa do que você imagina e ficará surpreso com a paixão de seus fãs, sem contar que o desktop do Linux é muito mais bonito que o Windows98.

Aquelas pessoas que se aventuraram a instalar o Linux em suas máquinas já descobriram que ele é fantástico, mas ainda tem problemas principalmente quanto ao suporte a hardware e o processo de instalação. Mas é questão de tempo para que o Linux se torne viável para o usuário comum e conseqüentemente para as milhares de pequenas empresas espalhadas por esse mundo.

É o estopim que faltava, os analistas de mercado vão reduzir suas taxas de crescimento e lucro previstas para o futuro da Microsoft e chegarão a um valor real “justo” sensivelmente mais baixo que o atual e vão vender suas ações até que o preço se ajuste a essa nova realidade. Como a M$ tem uma representatividade grande no mercado acionário americano os índices gerais vão cair para ajustar seu valor, esse momento sinalizará que a explosão da bolha americana tão aguardada e temida chegou e os principais fundos de investimentos americanos iniciarão suas estratégias (já definidas para essa explosão); migrar das ações para ativos de valor real (o ouro, por exemplo, depois de anos em declínio apresentou uma alta estúpida no mês de setembro/99, sinal que o estouro da bolha está próximo!). Se houver pânico (como houve em 1929, setembro de 1987, junho de 1997, outubro de 1997, outubro de 1998) a queda será acentuada e em curto espaço de tempo, caso contrário a queda será longa e poderá durar alguns anos. Eu não acredito nisso. O mundo econômico está em pânico.

Com as quedas das bolsas os americanos perdem uma parte significativa dos 67% em ações do seu patrimônio, e consomem menos, investem menos, conseqüentemente menos lucros para as empresas, preços mais baixos nas suas ações, o patrimônio dos americanos cai novamente, etc, etc. a bola de neve começa a rodar para o outro lado. Para conter a fuga de capitais e a queda do dólar no mercado mundial e manter a competitividade dos produtos americanos nessa nova realidade o FED (Banco Central Americano) terá que aumentar os juros (hoje em 6% ao ano, mas já estiveram em 30% na década de 80). Mais uma queda nas ações, menos lucros, menos empregos, mais pobres os americanos.

Os Estados Unidos mantém seus aposentados com seus fundos de pensão, que são fortemente alavancados em ações. Com a queda, os rendimentos diminuem, e a indústria de turismo, companhias aéreas, jogos de azar e outros setores que tem forte renda no segmento da terceira idade sofrem prejuízos. E mais uma vez as ações caem. É o Fim de um Mundo, um mundo que começou com a bomba de Hiroshima e a vitória na segunda guerra mundial, que transferiu da Europa para os Estados Unidos o poder econômico, cultural, político e artístico. 55 anos de crescimento ininterrupto destruídos por uma brincadeira de um professor Finlandês Linus Torvald, o anticristo de Nostradamus.

Paulo Couto

Economista e Administrador de Empresas

MBA Finanças-IBMEC

MBA Marketing-PUC RJ

Hoje vivendo em uma pequena cidade no litoral da Bahia.

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