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2006 – O ano que não aconteceu

Nada como um título polêmico para começar uma coluna, mas eu tenho meus motivos. Inicialmente pensei em fazer uma retrospectiva de 2006, ou um resumo com os ganhadores e perdedores desse ano, mas a medida que eu relia as previsões de 2006 feitas no final de 2005 pela quase que totalidade de sites e analistas […]

Publicado: 13/05/2026 às 09:26
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7 minutos
2006  –  O ano que não aconteceu
Construção civil — Foto: Reprodução

Nada como um título polêmico para começar uma coluna, mas eu tenho meus motivos. Inicialmente pensei em fazer uma retrospectiva de 2006, ou um resumo com os ganhadores e perdedores desse ano, mas a medida que eu relia as previsões de 2006 feitas no final de 2005 pela quase que totalidade de sites e analistas do setor, percebi que 2006 não aconteceu!

Verdade, não aconteceu mesmo! Boa parte das previsões do final de 2005 continua válida para 2007, como se o ano de 2006 não tivesse acontecido, passou e pouco mudou o cenário global da indústria de PCs. Por exemplo, em janeiro de 2006 eu estava na CES fazendo a cobertura da feira para o Jornal do Brasil e as grandes discussões eram em torno do Blue-Ray e HD-DVD, e dos serviços de vídeo digital envoltos no ViiV da Intel ou no Live da AMD. E o que aconteceu? Nada, simplesmente nada de concreto para o consumidor. As discussões continuam no mesmo pé que antes, com poucas alterações, e continuamos NÃO usando esses produtos ou serviços, e não estamos sentindo falta deles.

Para algumas empresas, como a SONY, era bom mesmo que 2006 fosse esquecido e sequer citado nos livros de história. Lembro que na CES eu assisti uma memorável apresentação do seu presidente, falando maravilhas da empresa, dos seus produtos e dos seus lançamentos. No centro da exposição, centenas de pessoas se acotovelavam para ver ao vivo uma “premiere” do PS3, nada além do que um modelo não funcional exposto e um vídeo mostrando um jogo pré-renderizado. E o que vimos em 2006? Crise no PS3, crise nas baterias explosivas, crise nos sensores CCD das câmeras digitais, a continuação da crise no absurdo “rootkit” instalado em mídias originais SONY. Estava vendo um vídeo agora pouco sobre a empresa e um dos analistas perguntou “O que a SONY fez de certo em 2006?”

Mudando da água para o vinho, no início do ano muito se falou em Hard Disk híbridos com memória flash combinada com discos magnéticos, uma grande evolução para permitir um processo mais rápido na inicialização de certos dispositivos e um grande incremento de performance. Os benefícios para os notebooks são inegáveis, mas pra nossa surpresa o HD híbrido não aconteceu, apesar da grande popularização dos notebooks.

Ainda na CES de janeiro de 2006, vi e testei o Windows Vista e suas “maravilhas”. Não me impressionei e continuo não me impressionando, mas quem poderia imaginar que um ano depois o Vista ainda não estaria disponível (o lançamento oficial é dia 30 de janeiro, bem depois da CES 2007). Tenho lido muito sobre o Vista, especialmente as opiniões dos analistas de mercado financeiro, e a impressão até o momento não é muito boa. Há um estranho nervosismo no ar sobre seu sucesso, alguns afirmando até que o Vista está mais para o Windows Millenium do que para o Windows XP. Aliás, vale a pena dar uma olhada na página original do Windows ME para perceber a atenção que a MS dá a esse produto hoje em dia.

Parte do nervosismo está em um fato bastante simples, que podemos chamar até de intuição. Quando o Windows 95 foi lançado, imediatamente as pessoas pensaram “vou comprar”. Problemas surgiram e o Windows 98 veio como solução, e logo em seguida o 98SE satisfez a maioria dos usuários. Quando veio o Millenium, não havia mais esse ímpeto em mudar já que o 98SE era “suficiente”. No lado corporativo não foi diferente, se o Windows NT nasceu para combater o OS/2 da IBM, o Windows 2000 foi visto como um sistema extremamente robusto e conquistou rapidamente os usuários. A migração para o Windows XP e seus derivados no setor corporativo foi lenta, já que o Windows 2000 era “suficiente”. No segmento doméstico o XP foi um sucesso, pois o último sistema “estável” tinha sido o 98SE, e convenhamos o Windows XP é um Senhor produto , rápido, estável, e atende perfeitamente as necessidades dos usuários. O Vista tem a difícil missão de substituir algo que já é muito bom, plenamente “suficiente” para a grande maioria, e não trás nenhuma “killer application” como o “network friendly” Windows XP trouxe, ou vocês não se lembram como era difícil configurar uma rede local no Windows 98?

Há um ano atrás, na CES, o estande da NVIDIA mostrava o “incrível” Quad SLI PC junto com a DELL (modelo XPS 600 Renegade) equipado com quatro placas Geforce 7800GTX, e… e daí? Mudou alguma coisa pra você? Você sinceramente pensa em comprar um PC com 4 (quatro!) placas de vídeo? O ano de 2006 realmente não aconteceu para os HDs híbridos, para o Windows Vista e para os sistemas Quad SLI, mas podemos dizer que 2006 foi o ano da falta de suprimento. É estranho, mas 2006, por causa da baixa demanda na indústria de PCs, vendeu menos do que se esperava e ainda assim faltou produto. Faltou Opteron, faltou XBOX 360, faltou PS3, faltou chipset Intel, faltou muita coisa, principalmente bom senso.

2006 está acabando, e 2007 virá em poucos dias. Não vou fazer previsões, mas há algumas coisas que merecem nossa atenção: A guerra de preços entre a Intel e AMD deixou ambos combalidos. No somatório das vendas, ambas perderam dinheiro e financeiramente isso é mais grave para a AMD, uma empresa menor. Se em 2005 a AMD tinha a vantagem tecnológica e ganhava mercado, no final de 2006 essa tendência se inverteu e nada indica que 2007 será diferente. Fico com a pulga atrás da orelha quando vejo as previsões de vendas das duas companhias para os próximos anos, pois uma das duas está muito equivocada já que o somatório das expectativas futuras supera em várias vezes o crescimento do mercado projetado pelos institutos de pesquisa.

Por sua vez a AMD/ATI, junto com a NVIDIA, estão sinalizando uma mudança de rumos na indústria, ao invés de tentar vencer a Intel no jogo que ela sabe jogar melhor (PCs), essas companhias estão mirando em um mercado novo, de chips integrados para TVs, equipamentos de mão, portáteis em geral, e o Fusion é claramente uma aposta nesse sentido já que abrange toda uma família de produtos. Se não dá pra ganhar o jogo, mude o jogo.

Já para os overclockers de plantão, 2007 parece que será um grande ano. Se no passado 50% de overclock já era o suficiente para criar lendas como algumas séries de Celeron, T-Birds, Athlons e Pentium 4, no próximo ano veremos produtos com potencial de 100%de overclock, como o Core 2 Duo E4300, dando sopa por aí, e graças os divisores assíncronos não será preciso nem investir muito em memórias especiais ou placas mãe muito sofisticadas. Infelizmente as placas de vídeo, essas beberronas de energia elétrica que geralmente acompanham os overclockers, vão continuar exigindo mais e mais potência, encarecendo o sistema. Para quem é relativamente racional, uma boa placa mãe capaz de rodar FSB em 400MHz com um Core 2 Duo E4300 (original 1.8GHz) rodando a 3.6 GHz e memórias DDR800 “baratas”, combinadas com uma placa de vídeo “single slot” como a ATI X1950Pro e uma fonte moderada de 450 Watts reais, será uma grande pedida.

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