Há poucas semanas atrás a Intel lançou nos EUA sua nova plataforma tecnológica para notebooks, cujo codinome era “Santa Rosa”, utilizando o processador Core 2 Duo. Um fato notável é que num prazo muito menor que lançamentos anteriores, esta nova geração chega ao Brasil. Hoje, 18 de junho a Intel iniciou a “Semana da Mobilidade” […]
Há poucas semanas atrás a Intel lançou nos EUA sua nova plataforma tecnológica para notebooks, cujo codinome era “Santa Rosa”, utilizando o processador Core 2 Duo. Um fato notável é que num prazo muito menor que lançamentos anteriores, esta nova geração chega ao Brasil. Hoje, 18 de junho a Intel iniciou a “Semana da Mobilidade” em São Paulo, cujo estopim foi o lançamento em parceria com uma dúzia de fabricantes e dezenas de parceiros, desta nova família e vários outros produtos agregados ao ecossistema de mobilidade.
O “Santa Rosa” foi extremamente bem explicado aqui no ForumPCs em um artigo feito pelo colega Alexandre Ziebert, entitulado Intel Centrino Santa Rosa . Para quem quiser entrar na máxima minúcia técnica,a leitura deste artigo é essencial!!
Resolvi revisitar o tema pelo fato do lançamento no Brasil ter ocorrido hoje e nesta oportunidade ao conversar com executivos e técnicos da Intel pude obter algumas informações adicionais e impressões muito interessantes. Também quero colocar o assunto sob uma ótica diferente.
Resumindo as inovações, temos o aclamado processador Core 2 Duo (Meron) feito em 65 nm, Front Side Bus de 800 Mhz, novo chipset 965 Express, suporte a redes Wi-Fi padrão 802.11n (pelo menos 108 Mbps podendo chegar até 300 Mbps), “turbo memory” (cache em memória Flash para o disco rígido), menor consumo de energia e suporte ao VPRO (tecnologia de gerenciamento remoto de equipamentos) na versão Centrino Duo Pro, para ambientes corporativos.
Há algumas características técnicas da plataforma que chamaram a minha atenção e merecem um comentário à parte. O crescimento da velocidade do Front Side Bus (800 Mhz) é bem vinda afinal isso amplia a velocidade de acesso do bus em cerca de 20%. Por outro lado o sistema é inteligente o bastante para fazer uma redução da velocidade visando conservar energia. Afinal não é todo programa nem em todo momento que se necessita da máxima velocidade.
Quanto ao suporte ao padrão Wi-Fi 802.11n, o interessante é que a Intel comprou a briga do mercado e se antecipou (como vários outros fabricantes de dispositivos de rede) usando uma especificação ainda não ratificada pelo IEEE. Isso seria uma ameaça, pois se a versão final do padrão 802.11n contemplar diferenças na implementação isso pode levar a problemas de compatibilidade no futuro. Mas há dois fatores a considerar. O mercado está fazendo uma pressão tão grande para que o IEEE homologue a versão “draft” do 802.11n (que tem sido usada), que isso poderá se tornar uma “profecia auto realizada”, com a adoção definitiva do padrão na forma atual. Por outro lado os dispositivos, incluindo o adaptador mini-pci com o circuito Wi-Fi do novo Centrino Duo, são atualizáveis por software. Assim no caso de uma improvável mudança catastrófica no padrão final especificado pelo IEEE ninguém vai ficar na mão (nem os fabricantes de notebooks nem os fabricantes de Access Points).
O subsistema gráfico da nova plataforma foi objeto de questionamento enérgico (mas não violento 😀 ) por minha parte. Toda nova geração de plataforma da Intel, o segmento dos gráficos sempre promete ganhos estelares, mas no final, frente à evolução dos software, games, etc., acabam por ter um brilho de vaga-lume. Vou contar uma pequena história (lá vem mais um “causo”-mas é pequenino). Em outubro do ano passado viajei com minha família e levei meu notebook (um Centrino Duo-da primeira geração-chipset 945). Para prevenir tédio em dias chuvosos levei comigo dois jogos-CARS (Disney) e Flight Simulator 10. Aconteceu o famigerado dia de chuva e fui instalar os jogos no notebook. Não me lembro qual deles, ao clicar no programa de instalação exibia uma mensagem “este jogo só pode ser instalado em um sistema que contenha um adaptador gráfico ATI ou NVIDIA” e encerrava a instalação. O outro ao clicar na instalação não exibia mensagem alguma e não fazia nada… Era um notebook na época de última geração mas não rodava os jogos que queria. Contei esta história para o engenheiro da Intel e ele prontamente me mostrou o Flight Simulator 10 rodando no novo Centrino Duo. Quanto ao CARS ele disse que havia um “patch” no site da Intel para fazê-lo rodar sob o chipset 945 e no 965 já não há mais problemas.
Sendo mais objetivo e explícito, a informação oficial da Intel é que o segmento gráfico obteve uma melhoria de mais de 100% nesta nova plataforma. Além disso, a Intel adiantou uma informação muito interessante. Ela passa a considerar “gamers” como modelo de uso para notebooks. Tanto que até o final do ano está previsto o lançamento de uma versão “Extreme Edition” para notebooks. Além disso, existe uma variação do chipset, própria para uso de placa de vídeo “externa”, à escolha do fabricante ou integrador. Falou-se inclusive na possibilidade do chipset vir a suportar SLI (ou Crossfire) se o integrador assim quiser (essa eu pago para ver!!).
A tecnologia de integrar memória flash como acelerador de acesso ao disco rígido (codinome Robson) está presente com o nome de Intel TURBO MEMORY. É um nome elegante, sem dúvida e muito “mercadológico”. Pudemos explorar um pouco mais este recurso. É um recurso OPCIONAL (o fabricante pode ou não incluir este recurso no projeto de seu notebook ou só para determinados modelos), na forma de uma placa mini-pci, atualmente com 1 Gbyte de capacidade (poderá crescer no futuro) . Por enquanto somente o VISTA tira máximo proveito da tecnologia, pois os recursos ReadyDrive e ReadyBoost conseguem usar esta memória extra apropriadamente e obter ganho de desempenho. Em uma demonstração específica houve um ganho considerável, cerca de 40% mas somente após rodar o programa pela segunda vez (ficou cacheado). A Intel foi questionada se haveria a possibilidade de usar a memória Flash para alocar o arquivo de memória virtual do Windows, que traria um ganho considerável. Mas na versão 1.0 do driver do Turbo Memory esta opção ainda não está disponível.
Duração de bateria também foi objeto de discussão. A Intel proclama que as inovações presentes na nova plataforma podem levar a um ganho em autonomia de bateria de até 40%. De fato há melhorias sensíveis no gerenciamento e notadamente a nova placa Wi-Fi 802.11n além de ter metade do tamanho da placa anterior, consome muito menos. Esperemos os testes, do mercado e meu também (estou louco para testar esta nova geração). Se mesmo os 40% de ganho não forem obtidos, um aumento de 4 para 5 horas na autonomia média de notebooks dessa geração já será um ganho de respeito. Ganhos de performance na ordem de 20% também são anunciados pela Intel, por conta das inovações da nova plataforma.
Se você observar novamente o logotipo do Centrino Duo, perceberá que ele sofreu uma sutil mas importante mudança. Não existe mais aquela “asa de borboleta” estilizada (em vermelho e azul), bem como a tipologia do texto (e cor) também mudou. Isso para comunicar ao mercado que um determinado notebook já é da geração “Santa Rosa”, com todas estas melhorias. Isso para o consumidor não levar “gato por lebre” na hora da compra. O fabricante para incluir este logotipo em seu equipamento precisa obrigatoriamente usar o “tripé” da solução : processador Core 2 Duo, chipset 965 Express e Wi-Fi Intel 802.11n (mini-pci). Opcionalmente pode conter também a placa com “Turbo Memory” e uma placa de vídeo externa (não usar o vídeo integrado).
Os notebooks feitos aqui no Brasil usando a nova plataforma Santa Rosa começarão a ser comercializados no final deste mês e ao longo do mês de julho (depende do fabricante). Este deve ser o tempo para que possamos iniciar um teste mais apurado. Estou ansioso.
O fato é que a Intel está muito ativa e dinâmica neste segmento de notebooks. O interesse é claro! O mercado de notebooks no Brasil cresceu aproximadamente 100% entre 2005 e 2006 e outros 100% entre 2006 e 2007. A Intel espera chegar em 2008 com notebooks representando no Brasil cerca de 12% a 15% do mercado de PCs, que será um belo feito pois este mercado era pouco mais de 3% a 4% há 3 anos atrás. Outra forte evidência da pujança da Intel é que em 13 meses houve três novas famílias de notebooks. Em maio de 2006 foi lançado o Core Duo (chipset 945). Alguns poucos meses depois o Core 2 Duo (32/64 bits com o mesmo chipset-mudou só a BIOS) e agora, 13 meses após a nova plataforma, mantendo o processador mas mudando toda a periferia do sistema (chipset 965, Wi-Fi, Turbo Memory, etc.). Isso é “ruim-bom” para os usuários. Seus notebooks recém comprados tornam-se obsoletos muito rapidamente, mas por outro lado uma nova geração mais avançada a substitui pelo mesmo preço. É o ritmo do progresso. Nada a fazer, quase aproveitando a frase dita pela ministra Marta Suplicy semana passada, é só relaxar e desfrutar…:D