A Netgear sempre foi uma marca muito reconhecida no segmento de dispositivos de rede como switches, roteadores, Access points etc. Desde o segundo semestre de 2006 a Netgear se estabeleceu oficialmente no Brasil, com escritório próprio e foi montada uma rede de distribuição de seus produtos. Mas além dos produtos tradicionalmente associados à marca, ela […]
A Netgear sempre foi uma marca muito reconhecida no segmento de dispositivos de rede como switches, roteadores, Access points etc. Desde o segundo semestre de 2006 a Netgear se estabeleceu oficialmente no Brasil, com escritório próprio e foi montada uma rede de distribuição de seus produtos. Mas além dos produtos tradicionalmente associados à marca, ela traz para o Brasil uma série de produtos inovadores. O ForumPCs teve acesso a estes produtos e começa aqui uma série de testes visando descobrir se a Netgear de fato é tão boa com estes novos produtos como é com os produtos tradicionais.
Testamos o “Storage” SC101, um produto que aproveitando a expertise da empresa em redes, traz para o mundo dos usuários comuns um dispositivo de armazenamento de dados na rede local. O produto já existe há tempos no mercado americano, mas agora desembarca oficialmente no Brasil. A denominação “storage” deve ser entendida com cuidado, pois este nome remete a dispositivos sofisticadíssimos e caros fabricados por EMC, Sun, IBM, HP, etc. Nada disso. O SC101 é uma solução para redes de pequenos escritórios e mesmo redes domésticas. Sua virtude é a simplicidade, versatilidade e o baixo custo. Basta inserir os discos (HDs) ligar na tomada, plugar o cabo e rede que está tudo pronto (quase-falta instalar o software).
Este modelo tem dois habitáculos para discos do tipo PATA (parallel ATA), ou seja, os discos que até outro dia eram os mais comuns do mercado (que estão sendo substituídos pelos SATA-serial ATA). Há outro modelo da Netgear especificamente para discos SATA, porém este ainda não está a venda no Brasil (será vendido a partir de
Mas voltando ao SC101, ao receber o produto minha grande curiosidade era como “recheá-lo” com os discos rígidos. O fato de usar discos PATA foi uma facilidade, pois eu consegui dispor de dois HDs antigos (emprestados)de 20 Gbytes cada um. Esta situação é mais ou menos comum. Pessoas têm HDs “encostados” que poder ser usados ou mesmo comprar no mercado um ou dois HDs PATA de grande capacidade como 300 Gbytes, por exemplo, e usá-los com o SC101. Chaves de fenda não são necessárias. O habitáculo dos HDs pode ser aberto com uma moeda (orientação do próprio manual) e os HDs são simplesmente inseridos nos orifícios. No início eu tive uma pequena dificuldade para que os dois HDs fossem detectados. A orientação que havia no manual (que eu não tinha obedecido) é configurar os HDs (jumpers) na posição de “cable selected”. Assim os dois discos são imediatamente detectados.
Montados os HDs,após conectá-lo na energia e na rede, está pronto para uso. Demora cerca de dois minutos para o SC101 poder ser usado. Há um processo de “boot” no dispositivo, que inclui obtenção de IP (ou IPs). A instalação do software é mandatória para pelo menos um computador da rede local para se ter acesso ao storage.Isso porque o software, uma vez instalado faz o sistema operacional perceber o disco de rede como disco LOCAL. Dessa forma, o Windows pode compartilhar este disco na rede com todas as outras estações, com as permissões desejadas para cada usuário. Outra forma de uso é proceder à instalação do software em todas as estações da rede. Assim TODAS as máquinas enxergarão o storage como disco local. Há vantagens e desvantagens e cada uma das abordagens. Vai depender do modelo de uso que cada usuário tiver com este dispositivo em sua rede. No meu caso, por exemplo, eu teria a minha máquina virtual VMware (o meu servidor) com o software da Netgear, tendo os discos como locais, compartilhando pelo W2003 Server. No caso de uma pane na máquina “host” da máquina virtual, todos os arquivos de dados da rede, documentos, fotos, base do Exchange, estariam fora do computador que sofresse a pane. Seria ainda mais rápido subir o backup da máquina virtual e voltar a operar. Eu usaria assim.
Na tela abaixo podem ser vistos os dois volumes criados durante o teste, um deles compartilhado “via Windows” e outro sem compartilhamento, mas que pode ser acessado via a instalação do software em outras máquinas. Quem quiser ter maior controle sobre
permissões e níveis de acesso usar o Windows para compartilhar o volume é uma solução.
Ao iniciar a instalação do software a primeiríssima função é a atualização do software da Netgear e do firmware do dispositivo. Uma vez atualizado existe a escolha para gerenciar o storage por um assistente ou “manualmente” (opção avançada). O assistente é mais indicado para a primeira vez que se usa o produto. Uma senha administrativa deve ser criada nesta hora caso contrário qualquer um pode alterar a configuração do storage pela rede, basta ter o software instalado.
Cada um dos discos instalados pode ser gerenciado independentemente. É muito curioso, mas cada HD ganha um IP diferente (vide figura mais abaixo). Escolhido um dos discos, este pode ter seu espaço alocado parcial ou totalmente. Se a opção for uma alocação parcial, no futuro o disco pode ser expandido sem que seja necessário religar ou reiniciar o equipamento.
A formatação dos discos é “proprietária”, ou seja, se você montar um HD do storage em seu PC e tentar ler os dados, estes não serão reconhecidos. Isso é bom e ruim ao mesmo tempo, por razões igualmente óbvias. Curioso que se você manda o Windows formatar o HD, ele não se faz de rogado, manda bala! Mas na verdade não formata coisa alguma ( é super rápido).
Uma boa alternativa quando se tem dois HDs é ativar o espelhamento dos discos (RAID 1-o único tipo disponível). Por mais que sejam confiáveis os HDs hoje em dia (será??) -vide coluna Malditos HDs , o custo baixo nos convida a ter esta desejável redundância, visando aumentar a confiabilidade dos dados armazenados. A operação é feita de forma trivial, bem como a recuperação de um “broken mirror”, ou seja, no caso de uma pane danificar um dos discos, ao reinstalar o HD novo, a sincronização de conteúdo é feita sem problemas. Por conta da tecnologia dos discos PATA e do próprio dispositivo, não é possível instalar um disco com o aparelho ligado (não há suporte a hot-plug).
Realizei alguns testes de performance com o SC101. Deve ser lembrado que é um periférico acessado pela rede. E por conta disso a rede (100 Mb/s) acaba limitando a velocidade do disco. Usando um software de benchmark de discos obtive um índice de 7500 kbps/s. Montando o mesmo disco em um PC, este mesmo disco obteve um índice de 17900 Kbps/s. Mas essa comparação é covardia, pois nunca um acesso pela rede (a não ser em redes Gigabit) ao HD será tão rápido como acesso local. Mas fui um pouco mais longe no teste e compartilhei nativamente, pelo Windows o mesmo HD. Testado pela rede (Windows puro), em outra estação, o acesso nessa configuração obteve uma taxa de 7600 Kbps/s, um empate técnico com o SC101 em minha opinião. Ou seja, é igual a acessar qualquer outro disco pela rede local. Quando houver a versão Gigabit do SC101 o acesso poderá chegar próximo à performance nominal dos próprios HDs.
A denominação “storage” para o SC101 da Netgear chega a ser um excesso pois ele não chega a tanto. Tem uma configuração muito simples, embora não vejo um usuário “final-final” manipulando este dispositivo com facilidade pela necessidade de configurar os discos etc. Até que no caso de comprar um HD único, colocá-lo lá dentro e configurar seu acesso, um usuário menos experiente poderá ter sucesso na operação. Sua aparência é simpática. Um amigo que viu o SC101 perguntou-me para que eu ligo uma torradeira no meu roteador!!Nada disso é um pequeno storage! Pequeno, simples e um software bem feito. Fazendo uma pesquisa na Internet descobri que tem sido vendido no Brasil por preços por volta de R$ 500 mais ou menos (obviamente sem os discos). Quem quiser expandir sua capacidade de armazenamento sem depender de um servidor em particular, implantar uma central de armazenamento de dados na rede, de forma independente, com espelhamento, o Netgear SC101 é uma opção muito interessante.
Para finalizar veja abaixo uma seqüência de telas dos processos de instalação e manutenção do SC101: