Se apetite das operadoras continuar, afirmam analistas, valor arrecadado com o leilão da 3G pode chegar a R$ 7,4 bilhões
Em relatórios divulgados nesta quarta-feira (19/12), analistas do Banco Brascan e da Ativa Corretora avaliaram como negativo o impacto do ágio colocado pelas operadoras de telefonia celular no primeiro dia do leilão das freqüências da terceira geração (3G).
Os analistas do Banco Brascan destacam que ainda há dúvidas se os investimentos em 3G serão compensados por uma receita para as operadoras no horizonte de curto prazo, em função de preços mais elevados da tecnologia e do menor poder aquisitivo da população brasileira. Além disso, em virtude do maior desembolso (CAPEX) que as operadoras terão que realizar para a implantação da tecnologia 3G, além das despesas com migração de clientes e atualização da rede, a primeira parte do leilão foi negativa para as operadoras Tim, Vivo e Oi (a Claro não é acompanhada por não ter capital aberto).
Já na avaliação da Ativa Corretora, se o apetite pelas licenças continuar como nesta terça-feira, o valor pago pelas licenças da 3G poderia alcançar R$ 7,4 bilhões. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), estipulou um preço mínimo de R$ 2,8 bilhões pelas 36 licenças da 3G e estimava um ágio na casa dos 40%. Até o momento, com 11 lotes leiloados, o valor arrecadado já chega a R$ 4,2 bilhões. Mas o valor do ágio pago pelas operadoras está menor.
Mesmo com os elevados valores alcançados no leilão, os analistas da Ativa afirmam que uma característica que mitiga o efeito destas aquisições sobre o caixa das empresa é que somente 10% do valor oferecido deverá ser pago no ato da compra, sendo o restante parcelado em seis vezes, com três anos de carência.
“Apesar de considerarmos que existe de fato potencial interessante de receitas adicionais geradas pela alta velocidade de transmissão com a 3G, os efeitos e o retorno deste investimento serão percebidos somente em um prazo muito longo”, reforçam.