Planos de preço fixo deverão provocar pelo menos quatro tendências que terão forte impacto sobre os assinantes de telefone celular, prevê o Gartner e outros institutos.
Pessoas de uma certa idade devem se lembrar das tarifas típicas de real (dólar ou qualquer moeda) por minuto para as chamadas de longa distância. Nas duas últimas décadas, porém, estas tarifas caíram para centavos por minuto.
Muitos acreditam que os planos de preço fixo para ligação de celular divulgados há pouco tempo vão gerar mudanças igualmente drásticas para os clientes. AT&T, Verizon Wireless e T-Mobile anunciaram em fevereiro planos de chamadas ilimitadas por cerca de 100 dólares. A Sprint Nextel ainda não se pronunciou.
“O impacto não será muito grande no momento”, diz Tole Hart, analista do Gartner. “Mas isso é só o começo.” O preço fixo deverá provocar pelo menos quatro tendências cruciais que terão forte impacto sobre todos os assinantes de telefone celular, prevêem Hart e outros.
Tendência 1: Preços mais baixos
Por hora, os planos de 100 dólares mensais para chamadas de celular só afetarão um punhado de usuários, confirmam especialistas.
“Não há muitos clientes na faixa dos 100 dólares”, constata Hart. “Os planos para família, que correspondem a aproximadamente 50% de todos os assinantes, não serão afetados. Tampouco o mercado corporativo porque a maioria das empresas não está pagando 100 dólares.”
Entretanto, os planos de preço fixo terão grande impacto sobre alguns usuários imediatamente, de acordo com Derek Kerton, diretor da Kerton Group, empresa de consultoria em telecomunicações. Ele ressalta que, antes, 100 dólares compravam cerca de 2 mil minutos por mês, ou 33 horas.
“Dá pouco mais de uma hora por dia”, calcula Kerton. “Um representante de vendas em campo, por exemplo, gasta uma hora por dia facilmente. Por enquanto, os planos de tarifa fixa são para este tipo de pessoa.”
Hart e Kerton concordam que não vai demorar muito para o preço destes planos cair bastante. Ainda assim, dizem eles, nunca atingirá o preço baixo cobrado hoje pelas operadoras de longa distância. Uma razão: a veterana AT&T, que quase já teve monopólio sobre a longa distância, enfrentou de repente forte concorrência de muitas operadoras novas, uma situação improvável na telefonia celular.
“Não será como a longa distância porque as operadoras de celular têm mais controle”, diz Hart. Ele prevê que os esquemas de preço vão chegar a 40 dólares ou 50 dólares mensais.
Os consumidores ficarão felizes, afirma Kerton, e não só porque eles vão obter mais serviço por menos dinheiro.
“Os consumidores gostam de previsibilidade e esta é uma das principais vantagens do preço fixo”, diz Kerton. “Isso é particularmente verdadeiro nos Estados Unidos, onde temos típicos bufês a preço fixo para chamadas via linha terrestre e cabo. É o que as pessoas vão usar.”
Tendência 2: Sprint inicia guerra de preços
Por enquanto, a incógnita no cenário de planos de preço fixo é a Sprint, que ainda não anunciou o seu. Mas a empresa está sob pressão para fazê-lo porque, enquanto as outras três operadoras nacionais vêm conquistando assinantes e aumentando os lucros, a Sprint amarga perdas significativas de clientes e lucros declinantes.
Dadas as suas dificuldades, muitos analistas acreditam que a Sprint se verá forçada a oferecer um plano de preço fixo muito mais acessível do que os concorrentes. “Os clientes aumentariam, o que agradaria Wall Street”, diz Kerton. “E o CEO sabe que precisa fazer algo radical.”
“Acho que eles teriam que cobrar no máximo 70 dólares ou 80 dólares mensais para causar um impacto sobre o mercado”, opina Hart. “Qualquer coisa acima disso não terá muito impacto.” Segundo Hart, pode ser ainda mais baixo.
Embora uma guerra de preços seja possível, a AT&T, Verizon e T-Mobile talvez não sigam a Sprint se ela descer demais, avalia Ken Dulaney, analista do segmento móvel no Gartner.
“As outras não acompanharão a Sprint”, afirma Dulaney. “Elas acreditam que têm outros atributos para manter a Sprint encurralada. A AT&T pode dizer algo como ‘veja todos os nossos telefones, estamos em todas as partes do mundo’. E o cliente típico da Verizon normalmente os utiliza para sua cobertura”, diz.
Tendência 3: Abandono da telefonia convencional
Dulaney chama atenção para uma importante tendência que o preço fixo poderá acelerar: abandono dos telefones convencionais e utilização apenas dos telefones celulares. Isso deverá começar a acontecer depois que os preços fixos baixarem.
“Noventa e nove dólares é um preço um pouco salgado para muita gente”, estima Dulaney. “Mas estes planos, definitivamente, são mais um passo para a substituição dos telefones fixos pelos celulares”, completa.
A 100 dólares por mês, “não haverá grandes mudanças”, aponta Kerton. “A 60 dólares, todos os tipos de pessoas vão largar os telefones convencionais”, comenta.
Os planos de preço fixo também vão incentivar o abandono dos telefones convencionais porque os assinantes jovens não esperam tê-los necessariamente.
“A maioria dos jovens de hoje cresceu com telefones celulares”, reconhece Dulaney, do Gartner. “Eles estão mais acostumados com o celular. É o tipo de coisa que a geração mais jovem quer. Para eles, o convencional já era”, afirma.
Além dos planos de preço fixo mais baixo, outro fator necessário para que esta tendência decole é a maior disponibilidade de femtocells (originalmente conhecida como Access Point Base Station), dispositivos do tamanho de um roteador que melhoram a recepção interna do sinal de celular. Algumas operadoras de telefonia celular, incluindo a Sprint nos Estados Unidos, estão começando a vender femtocells, e mais operadoras deverão disponibilizá-las ainda este ano.
Curiosamente, a AT&T e a Verizon Wireless, que lideraram as iniciativas de planos de preço fixo, ainda têm uma imensa parte dos seus negócios ligada à telefonia fixa, embora esteja diminuindo. De acordo com Dulaney, a mudança para assinantes exclusivamente de telefone celular faz sentido para estas empresas.
“Provavelmente elas estão interessadas em migrar usuários de telefones convencionais porque ganham mais dinheiro por minuto com a telefonia celular”, explica. “De qualquer forma, elas querem reter os clientes, independente de onde eles estejam”, completa.
Tendência 4: Mais bundles de voz e dados
Dulaney observa que os planos de preço fixo das chamadas de celular apontam para outra tendência: as operadoras de celular dependem cada vez mais da receita originada de planos de dados.
“Isso casa com o que estamos vendo no lado dos dados: planos ilimitados”, diz Dulaney. Os clientes podem obter um plano de dados ilimitado para um BlackBerry por 45 dólares mensais, por exemplo.
A transição para dados é importante, diz Dulaney, porque a receita proveniente de assinantes de voz vem caindo há bastante tempo.
“As operadoras descobriram o e-mail e, finalmente, estão ganhando dinheiro com dados”, explica Dulaney. “Com o correr do tempo, veremos mais pacotes de dados e voz por um preço fixo”, diz.
A finalidade destes pacotes é ajudar as operadoras a conservar clientes atuais. A rotatividade de clientes, também chamada de “churn” (troca), sai caro para as operadoras de telefonia celular.
Para os analistas, a moral da história é que a primeira safra de planos de celular com preço fixo não vai atrair muitos clientes, mas ao longo do tempo resultará em mudanças significativas no modo como adquirimos e usamos serviços móveis.
De acordo com o ministro da Ciência e Tecnologia, o país tem agora um plano de ação elaborado por vários segmentos que valoriza a ciência. “Há 40 anos, não tínhamos ciência, e a inovação empresarial era limitada. Nos últimos anos, assistimos a aproximação da ciência com a indústria por meio de investimentos em inovação dos produtos brasileiros”, disse Rezende.