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dia do programador
IA

Até 2030, 90% do código poderá ser escrito por IA – e isso pode favorecer os programadores

No 256º dia do ano, quando se celebra o Dia do Programador, a profissão atravessa sua maior revolução desde o surgimento da computação pessoal. Dados do GitHub revelam que até 2030, 90% do código poderá ser desenvolvido por inteligência artificial, transformando radicalmente as competências essenciais para os desenvolvedores brasileiros. “O papel da pessoa desenvolvedora está […]

Publicado: 05/03/2026 às 08:31
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Até 2030, 90% do código poderá ser escrito por IA – e isso pode favorecer os programadores
Construção civil — Foto: Reprodução

No 256º dia do ano, quando se celebra o Dia do Programador, a profissão atravessa sua maior revolução desde o surgimento da computação pessoal. Dados do GitHub revelam que até 2030, 90% do código poderá ser desenvolvido por inteligência artificial, transformando radicalmente as competências essenciais para os desenvolvedores brasileiros.

“O papel da pessoa desenvolvedora está sendo reinventado. O futuro do desenvolvimento de software não é sobre substituir humanos por IA”, esclarece Martin Woodward, vice-presidente de Relações com Desenvolvedores do GitHub. A plataforma realizou pesquisa com programadores que já incorporaram IA intensivamente em seu trabalho, descobrindo que esses profissionais atingem maior qualidade em suas atividades, otimizam tempo e cultivam pensamento mais sofisticado e criativo.

Essa transformação já ecoa no cotidiano das corporações brasileiras. Marcelo Ortega, diretor de Tecnologia da Motz — transportadora digital derivada da Votorantim Cimentos —, implementou IA para apoiar desenvolvedores e conquistou 25% de eficiência na elaboração de código. “Imagina desenvolver um código complexo, fazer a manutenção nesse código, a leitura dele, entender a estrutura. A IA já faz isso para o desenvolvedor”, detalha o executivo, exemplificando como a tecnologia assume tarefas antes exclusivamente humanas.

Leia também: IA antirracista: ‘Nossa intenção é letrar humanos e máquinas’, afirma Luana Génot

A mudança se mostra ainda mais evidente na democratização do acesso à programação, conforme observa Rodrigo Gonçalves, head de Educação da Rocketseat. “Um júnior ou uma pessoa com pouco conhecimento em programação é capaz hoje de criar uma solução tanto quanto uma pessoa experiente no mercado”, pontua. Durante hackathon promovido pela empresa, profissionais de produto, marketing e vendas elaboraram soluções tão inovadoras quanto as criadas pelo time técnico, ilustrando como a IA está nivelando o campo de jogo.

Contudo, Gonçalves faz uma ressalva importante: “Continua sendo ainda mais relevante se especializar, estudar e conhecer a fundo a programação, para entender o que a inteligência artificial está entregando e refinar isso”. Essa perspectiva encontra respaldo na experiência dos profissionais juniores, que segundo Woodward, “estão aprendendo em um ambiente moldado pela IA, o que lhes dá uma vantagem estratégica. Eles estão entrando no mercado com a mentalidade e as ferramentas que o futuro do desenvolvimento exige”.

Novas competências emergem no horizonte

Tatiana Porto, Chief People Officer da Nava, mapeia as transformações nas habilidades mais requisitadas pelo mercado. Entre as competências técnicas em ascensão destacam-se desenvolvimento de algoritmos, curadoria de dados, engenharia de comandos e análise de dados. “A combinação dessas habilidades permite que o profissional navegue na rápida evolução tecnológica e contribua de forma estratégica”, explica a executiva.

Paralelamente, as competências comportamentais ganham nova relevância, com destaque para resolução de problemas complexos, curiosidade, resiliência e aprendizagem contínua. “O sucesso no setor de tecnologia está fortemente ligado ao equilíbrio entre habilidades técnicas e comportamentais”, analisa Tatiana, que também alerta sobre os riscos da adoção desmedida da tecnologia.

Pesquisa do grupo Model Evaluation & Threat Research demonstrou que o uso excessivo de IA pode retardar desenvolvedores experientes em 19% em determinadas atividades. “É preciso usar a IA com cautela. A IA é uma ferramenta para auxiliar no processo de trabalho, mas é importante revisar e criticar o conteúdo gerado por ela”, adverte a executiva, reforçando a necessidade de manter o senso crítico.

Entre resistência e oportunidade

A revolução não acontece sem obstáculos. Gonçalves reconhece que persiste ceticismo no setor: “A gente tem e vê muitos profissionais no mercado dizendo: ‘É modinha, vai passar’. E a verdade é que não, não vai passar. É uma revolução”. Na Motz, entretanto, a implementação seguiu caminho diferente, com estratégia gradual e participativa. “Nós convidamos os times, alguns desenvolvedores com perfis diferentes, fizemos algumas rodadas e coletamos feedbacks. Surpreendentemente, os feedbacks foram super colaborativos”, conta Ortega, cuja abordagem eliminou grande parte da resistência inicial.

Paradoxalmente, enquanto a IA se populariza, intensifica-se a procura por programadores especializados. “A área de programação está mais valorizada do que nunca. As empresas estão disputando muito por esse profissional, porque as empresas querem que seus profissionais automatizem aquelas tarefas que são repetitivas”, observa Gonçalves.

“O programador passa a ser mais um estrategista de tecnologia, é quem guia os produtos digitais, é quem faz a integração da IA em soluções de negócio”, sintetiza o educador. A tecnologia converte-se em instrumento para gerar resultados, priorizando o impacto empresarial sobre o processo técnico.

Preparando-se para o amanhã

As transformações aceleram rapidamente. Empresas já incorporam IA em processos seletivos, empregando triagem automatizada de currículos e análise preditiva para identificar candidatos com maior potencial. No desenvolvimento de talentos, plataformas inteligentes disponibilizam treinamentos personalizados e feedback contínuo.

Para navegar essa nova realidade, profissionais devem elaborar estratégias que alinhem aptidões pessoais às oportunidades emergentes, desenvolvendo tanto competências técnicas quanto conceitos como Confiança Zero em segurança. “É preciso verificar antes de seguir com tudo o que a IA recomendar, não somente em termos de validação de conteúdo, mas extremo cuidado com a segurança da informação”, aconselha Tatiana.

O cenário sinaliza transformação profunda e irreversível. Como ressalta Woodward, “nós precisamos de mais programadores do que nunca. Mas a IA muda a forma como pessoas e máquinas colaboram, criando espaço para que mais pessoas sejam criativas, críticas e estratégicas”. O futuro pertence àqueles que souberem navegar essa nova realidade tecnológica, onde a parceria entre humanos e máquinas redefine não apenas o que significa programar, mas o que significa pensar soluções.

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