Eis que chegamos, finalmente, à última coluna desta série. Aquela que explica por que não existiríamos sem a Lua. Antes de prosseguir, deixe-me esclarecer exatamente o que quero dizer com “não existiríamos sem a Lua”, uma afirmação dúbia que requer explicações adicionais. Pois eu poderia afirmar que “não existiríamos sem a Lua” querendo com isto […]
Eis que chegamos, finalmente, à última coluna desta série. Aquela que explica por que não existiríamos sem a Lua.
Antes de prosseguir, deixe-me esclarecer exatamente o que quero dizer com “não existiríamos sem a Lua”, uma afirmação dúbia que requer explicações adicionais.
Pois eu poderia afirmar que “não existiríamos sem a Lua” querendo com isto dizer que, não fora a existência da Lua, a espécie humana não teria sido criada porque foi a Lua que propiciou condições favoráveis para seu desenvolvimento mas, uma vez criada, já não dependeríamos mais da lua para continuar existindo.
Mas há ainda outra interpretação. Segundo ela, ao afirmar que “não existiríamos sem a Lua” eu poderia estar querendo dizer que caso a Lua desaparecesse dos céus, a espécie humana não mais poderia sobreviver e também desapareceria.
Então, pergunto eu, segundo sua opinião, qual deles seria o real sentido da afirmação?
Se você não respondeu “ambos”, lamento informar que errou. Porque se não fosse a Lua não haveria vida na Terra e caso ela continue se afastando da Terra até deixar de ser nosso satélite (o que, como logo veremos, inevitavelmente acontecerá) a vida na Terra como a conhecemos se extinguirá.
Dureza, nénão?
Pois assim é. Foi a Lua, que há alguns bilhões de anos girava muito mais perto da Terra, que tornou possível o estabelecimento de condições para que fosse preparada a “sopa primordial” (já falamos dela quando na coluna sobre o Dia Mundial da Água, lembra?) que deu origem à vida. É a Lua que, com seu efeito giroscópico, estabiliza a inclinação do eixo da Terra em relação ao plano da eclíptica (calma, já explicamos; por enquanto satisfaça-se com o giroscópio da Figura 1 que logo voltaremos a falar nele) e regulariza a rotação do planeta. E é esta mesma Lua que, inevitável e inexoravelmente, aos poucos se afasta de nós até um dia em que estará tão afastada que já não mais poderá ser considerada nosso satélite (mas você não precisa se preocupar com isso).

Vamos ver o como e o porquê de cada uma destas afirmativas.