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Vinte anos

Semana passada, em uma de minhas visitas ao Twitter para informar que havia publicado mais uma coluna em algum lugar, dei uma olhada nos “tweets” de meus amigos e lá estava um da Cristina De Luca. Aqui está ele: Como vocês podem ver, é datado de cinco de março. Fui fuçar minhas coisas e lá […]

Publicado: 26/05/2026 às 09:51
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Vinte anos
Construção civil — Foto: Reprodução

Semana passada, em uma de minhas visitas ao Twitter para informar que havia publicado mais uma coluna em algum lugar, dei uma olhada nos “tweets” de meus amigos e lá estava um da Cristina De Luca. Aqui está ele:

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Como vocês podem ver, é datado de cinco de março. Fui fuçar minhas coisas e lá estava minha primeira coluna publicada: “Tudo o que você queria saber sobre Micros e tinha medo de perguntar…

Data: quatro de março de 1991.

Vinte anos…

Reli-a. Não estava tão má assim. Na verdade, pensando bem, estava até melhor que muitas das que venho escrevendo ultimamente. O que me fez concluir que não sou como o vinho: o tempo não me fez melhorar e, se duvidar, piorei um pouquinho ? se bem que, relendo a coluna, dá para constatar que naqueles dias eu era bem mais “empolado” que atualmente. Mas será que hoje em dia eu teria inspiração para escrever uma frase como “Foi assim que aprendi que a memória RAM é mais efêmera que paixão de adolescente“? E, depois, arrematar com “acreditem, descobrir uma coisa me doeu tanto quanto descobrir a outra“, justamente agora quando a maior parte das lembranças da adolescência já se esvaíram de minha memória? Sei não. Mas sei, com certeza mais que certa, que a última sentença, aquela com que fechei a primeira coluna, continua valendo tanto (ou mais) hoje quanto na época em que foi escrita: “quanto mais aumenta o meu conhecimento, mais me assombra o tamanho de minha ignorância...”

Mas o fato é que se passaram vinte anos desde a publicação de minha primeira coluna.

Parei um pouco para pensar. Como foi mesmo que isto começou?

Bem, no final dos anos oitenta eu era um micreiro viciado e renitente. Alguns anos antes havia comprado meu primeiro computador, um velho MSX de oito bits, depois que descobri que se eu não aprendesse a usar um negócio daqueles ? que, na época, era novidade ? não daria para continuar a exercer minha profissão, a engenharia (mal sabia eu que em alguns anos, sem um micro, não se poderia exercer quase profissão alguma). E acabei me apaixonando pela coisa. O MSX foi logo trocado por um PC e o computador deixou de ser o meio, passando a ser a própria mensagem.

Cansado de receber avisos de erro e frustrado com as tentativas malsucedidas de fazer isto ou aquilo, decidi que uma simples máquina, por mais complicada que parecesse não iria me humilhar assim tão facilmente. E debrucei-me sobre ela.

Primeiro, dominei o sistema operacional, na época o limitado DOS. Depois, movido pelo puro prazer de aprender, comecei a estudar programação e tornei-me versado em BASIC e na linguagem C. Em dois anos já programava em Assembly. E meu conhecimento sobre a máquina evoluiu incomensuravelmente. Até um ponto em que eu continuava sendo humilhado por ela, como volta e meia ainda hoje sou. Mas, então, ao menos já sabia como e porque.

Aprender, porém, não era fácil. Micros pessoais (pessoais mesmo, ou seja, domésticos) quase não havia. A maioria dos que havia estavam nos escritórios. Literatura nacional, nem pensar. Os raros livros que se encontrava em português eram traduções, geralmente malfeitas, dos poucos originais em inglês ? a começar pela série de livros de Peter Norton, o cara das “Norton Utilities” de saudosa memória. Por sorte minha noção do idioma inglês era suficiente para sorver algum conhecimento diretamente nos originais, desde que eu conseguisse pôr a mão em um deles, que por aqui não eram muito encontradiços. Mas por dever de ofício eu viajava com alguma frequência e me fartava nos Barnes & Noble da vida.

Acabei aprendendo coisa ou outra. Mas que falta eu sentia de algo ou alguém que explicasse o funcionamento e o manejo de computadores pessoais de um jeito mais simples, usando uma linguagem despida de tecnicismos e complicadores… Pois a mim parecia que naqueles tempos quem escrevia sobre informática estava mais interessado em exibir seu conhecimento do que em transferi-lo para o leitor…

Jornais? Difícil… Naqueles dias os jornais praticamente ignoravam os computadores. Aqui no Rio, a honrosa exceção era a coluna “Circuito Integrado”, de Cora Ronai, então no Jornal do Brasil que eu assinava justamente por causa dela.

Saía toda segunda-feira. E toda segunda-feira, ao acordar, eu ia até a cozinha, tomava meu café, pegava o JB na soleira da porta e voltava para a cama. Antes de ler as manchetes, abria o jornal na página da coluna e a devorava. E foi assim que, por todo o final dos anos oitenta, minhas semanas começavam infalivelmente com a leitura da única coluna sobre informática publicada nos jornais do Rio de Janeiro.

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