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Para onde vai a GIGABYTE?

Neste mês de maio a Gigabyte realizou o lançamento oficial de sua placa EX-58 Extreme no Brasil. Esta “jóia” de placa, tanto pela qualidade, “brilho” e preço, já fora destacada aqui no ForumPCs. Inicialmente por mim mesmo, Gigabyte EX58 Extreme e Core I7 uma dupla e tanto e posteriormente o Alexandre Ziebert fez uma brilhante […]

Publicado: 13/05/2026 às 11:35
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14 minutos
Para onde vai a GIGABYTE?
Construção civil — Foto: Reprodução

Neste mês de maio a Gigabyte realizou o lançamento oficial de sua placa EX-58 Extreme no Brasil. Esta “jóia” de placa, tanto pela qualidade, “brilho” e preço, já fora destacada aqui no ForumPCs. Inicialmente por mim mesmo, Gigabyte EX58 Extreme e Core I7 uma dupla e tanto e posteriormente o Alexandre Ziebert fez uma brilhante avaliação bem detalhada, Gigabyte EX58-Extreme .

Além da EX58 esta nova geração de placas da Gigabyte traz inovações muito interessantes, as quais cito resumidamente. Adoção do dobro de cobre na fabricação da placa mãe (quase 57 gramas). Esta medida aumenta a propriedade de condutividade elétrica (diminuindo a resistência a passagem de corrente), tornando a placa mais fria. Isso tem implicação direta na durabilidade e também maior potencial de overclock do processador e memórias. O recurso DES (Dynamic Energy Saver) foi aprimorado, uso de capacitores sólidos em toda a linha de placas (das placas de entrada até as mais sofisticadas), etc. Mas não quero hoje falar muito sobre as inovações tecnológicas das motherboards da empresa e sim sobre a Gigabyte em si.

No ano passado a Gigabyte resolveu se estabelecer no Brasil, além de seu fabricante nacional (a DIGITRON), com seu escritório próprio.O fabricante TEIKON também começou a produzir placas da empresa, aumentando a capacidade de fornecimento para o nosso mercado. No evento de lançamento da EX58 havia sete altos executivos da empresa presentes, que denota a importância que o Brasil começa a ter para eles. O senhor Henry Kao, vice presidente mundial de vendas mundiais e marketing da Gigabyte abriu o evento e apresentou dados muito interessantes sobre esta fase do mercado brasileiro e mundial. No final tive a grata oportunidade de conversar com ele por um longo tempo e detalhar mais as questões despertaram minha curiosidade.

A operação no Brasil vai crescer. Investimentos serão feitos para ampliar a presença no Brasil. Haverá em 2010 um centro de serviço e suporte muito bem estruturado e um centro de processamento de RMAs aqui no Brasil. Isso amplia sobremaneira a facilidade de lidar com eventuais defeitos de fabricação. Desde os distribuidores até consumidores finais terão muito benefício com esta medida. Estes investimentos serão possíveis porque a despeito da crise mundial que nos assola desde outubro de 2008, a Gigabyte não teve redução de faturamento. Pelo contrário, teve aumento na participação no mercado (mundial e brasileiro).

Segundo a Gigabyte o mercado brasileiro já alcançou um nível de maturidade que demanda placas com alta tecnologia embarcada. Desde as placas mais baratas e principalmente as placas topo de linha. Surpreendeu-me saber que a empresa apesar de ter uma linha grande de produtos (no exterior), focar-se-á primordialmente em placas mãe, cada vez mais. Outra revelação também surpreendente é mirar o segmento que eles chamam de “mercado clone”. Explicando melhor, é o grupo de consumidores que montam seus próprios PCs (“do it yourself market”). Não é por acaso que destaco isto, pois uma larga quantidade de leitores do ForumPCs tem esta característica, fazerem seus próprios PCs.

Mas em vez de contar, prefiro ilustrar tudo isso com a conversa que tive com o senhor Henry Kao, afinal não é todo dia que se tem a chance de conversar reservadamente com um vice-presidente mundial de uma grande empresa.

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[FX]Eu entendi na sua apresentação que a Gigabyte está muito focada no Mercado “clone” ou do “faça você mesmo”, monte seu PC. Mas e como a Gigabyte se relaciona com os integradores, os fabricantes como HP, Dell, etc.

[HK]Temos um departamento na Gigabyte que atende grandes clientes como HP, Dell, Acer, etc.Mas eu penso que este mercado não é a intenção principal da empresa. Falando francamente, nossa percepção é que este mercado se importa fortemente só com o fator preço. Estes fabricantes costumam ter linhas de produtos muito extensas. De notebooks e netbooks, desktops e até servidores. São tantos produtos que eles não conseguem ter toda a habilidade e conhecimento para lidar com toda a ampla faixa de produtos, placas-mãe, e assim não percebem todo o nosso real valor.

[FX]Então os fabricantes estão só interessados no menor preço possível, com pouca visão da qualidade do produto final?

[HK]Eles primam pela qualidade, mas julgam o fator preço como o mais importante. Cada um vê o mercado do seu jeito. A Gigabyte e muitas outras empresas também já tiveram seus dias de se importar somente com “venda pelo melhor preço”. Historicamente este tipo de postura levava ao sucesso, mas hoje em dia você não consegue entregar valor para o cliente tendo somente menor preço como principal motivo de venda.

[FX]Mudando de assunto, você já visitou alguma vez, aqui em São Paulo a região da Santa Ifigênia? Aqui podemos dizer que é o paraíso para as pessoas adeptas do “faça você mesmo” o seu próprio PC.

[HK]Sim !! Muitas vezes. Este tipo de lugar é um “fenômeno” que vejo em muitos países. Nestes lugares as pessoas têm liberdade de escolher o tipo de integração que desejam para suas máquinas. No mercado de PC de marca, as integrações são planejadas muito antes da linha de montagem. Assim até que o PC seja enviado para as lojas e chegue ao consumidor, há um razoável intervalo de tempo e o usuário não pode trocar as especificações de seu PC na hora da compra, só depois e investindo mais. Eu me lembro uma ocasião que algumas pessoas me procuravam e diziam que o mercado “clone” (faça você mesmo) estava morrendo porque os fabricantes de PCs de marca são mais influentes, mais poderosos e têm marketing bem agressivo.Mas dez anos se passaram e ambos os mercados continuam fortes, com participação de aproximadamente 50% cada um. Por isso que hoje estamos muito focados neste segmento e principalmente para os PCs de alta performance. Acreditamos que este é o melhor caminho para atender ao consumidor. E o mercado de PCs desktop tende a diminuir na nossa visão, pois notebooks e netbooks irão ocupar parte deste espaço. Ganhar dinheiro com desktops será cada vez mais difícil.

[FX]Aproveitando seu comentário, quanto tempo você acha que esta previsão vai demorar para de fato ocorrer? Como vamos perceber que notebooks, netbooks, smartphones, etc. irão substituir boa parte do mercado de PCs desktop como conhecemos hoje?

[HK]É um processo. Os PCs são pressionados pelos notebooks. Os notebooks pressionados pelos netbooks e estes pressionados pelos smartphones. Mas o desktop bem básico vai estar sempre lá. Vai ter suas vendas reduzidas, não crescerão mais, mas não desaparecerá, no meu ponto de vista. Empresas com suas necessidades básicas de e-mail, Internet, Word, Power Point, vão seguir usando estes desktops básicos, mas não netbooks, que não atendem 100% a estas finalidades. Em mercados mais maduros como Japão e Estados Unidos, os PCs de marca ainda têm ótima aceitação, principalmente para uso nas residências. Nos EUA Dell e HP têm boa parte deste mercado. No Japão, Sony e Toshiba. E nestes mesmos mercados nós observamos que o mercado “clone” tem crescido muito no segmento de alta performance.

[FX]A Gigabyte tem projetos ou planos ou já tem alguma linha de produtos para placas mãe para notebooks ou netbooks?

[HK]Não, não há produtos para este segmento porque a montagem de um notebook é bastante complicada por causa do tamanho reduzido. E placas pequenas trazem muitas complicações para sua fabricação.

[FX]Eu pensei que com o crescimento que estamos vendo dos netbooks e notebooks, isto poderia ser uma boa oportunidade mas entendo agora que a Gigabyte não vê este mercado como viável uma vez que o notebook é um “todo” e não um conjunto de peças que se pega e se monta.

[HK]Sim é isto mesmo.

[FX]Quando eu estive em Taiwan ano passado, visitando a Computex, lembro-me de ter visto no estande da Gigabyte na feira, além de placas mãe diversas outras linhas de produtos. Vi placas de vídeo, netbooks, telefones celulares, etc. Estes produtos continuam fortes, seguem sendo fabricados ou a Gigabyte está aos poucos deixando de fabricá-los para se focar principalmente nas placas mãe de alto desempenho?

[HK]Sim, nós continuaremos com estes produtos, telefones, netbooks, placa de vídeo, até servidores nós vendemos no mercado asiático. Mas o grande foco da companhia agora é o mercado “clone” de placas mãe. E podemos dizer que hoje somos a única empresa sediada e que tem fábricas em Taiwan. Em alguns países como o Brasil nosso foco é 100% neste mercado.

[FX]Vários meses atrás eu recebi um catálogo de um de seus maiores concorrentes, a ASUS. O catálogo era muito impressionante. Havia de tudo. Além das placas mãe e de vídeo, havia roteadores, switches, notebooks, NAS, discos rígidos sem fio … Era tanta coisa!! Acho que só não vi geladeiras e fogões o resto havia ali…

[HK]Hahaha (risadas), nós também temos uma grande linha de produtos para atender a poucos mercados, mas cada vez mais nossa estratégia, nosso foco é mesmo placas mãe para o mercado “clone”. Nós temos este foco. Se eles não tiverem, terão grandes problemas, pois é impossível tomar conta e ser bom em tudo ao mesmo tempo. Veja o exemplo da IBM. Era muito grande e poderosa. Mas em uma época que tentou fazer muitas coisas, passou por grandes dificuldades. Hoje em dia ela só presta serviços, vários, mas está fortemente comprometida com isso, e ressurgiu como um grande “player”.

[FX]Você comentou em sua apresentação que a Gigabyte, mesmo nestes tempos difíceis de crise econômica que estamos passando, foi uma das poucas empresa que continuou crescendo e ampliando seu mercado. Qual a mágica? Qual o segredo?

[HK]Nós estamos muito focados em nosso negócio principal (“core business”). Além disso, confiabilidade e especificações técnicas destacadas são outros fatores. Assim o usuário final nos premia com a sua fidelidade. Em tempos difíceis, quando as pessoas gastam dinheiro, elas precisam gastar “bem”, com sabedoria. Confiabilidade e durabilidade são fatores essenciais. Ao contrário do pode parecer, nestas horas a busca pelo preço mais baixo, apenas pelo preço, não é a melhor opção. Busca-se qualidade e durabilidade. As pessoas pensam “por quanto tempo vou conseguir continuar usando este produto?”. Antes, quando o dinheiro sobrava, podia-se comprar só pelo preço. Se não fosse boa ou quebrasse, podia comprar outra. Hoje não se pode mais pensar assim. O mundo mudou, o consumidor está muito mais crítico.

[FX]Eu penso que hoje em dia as pessoas que usam computadores em suas casas ou nos escritórios, mesmo com um processador mediano, provido pela INTEL ou AMD, podem realizar muito bem o trabalho necessário. Elas não precisam de computadores assim tão sofisticados, mas existem os consumidores entusiastas, os “gamers”, demandam computadores cada vez mais sofisticados e poderosos. Mas por outro lado a venda dos consoles de jogos como Playstation, Xbox, Wii, etc. cresceram muito. Como você analisa o impacto que isso tem no mercado de PCs de alto desempenho?

[HK]Eu vejo uma competição muito dura entre os diversos consoles no mercado entre si. A experiência do jogo em um PC “top” não pode ser comparado com os consoles que são ótimos equipamentos, mas que são estáticos no tempo enquanto o PC evolui a cada semana. Eu não vejo conflito ou impacto algum entre os consoles e PCs de alto desempenho.

[FX]Olhando para o mercado da Gigabyte HOJE, você pode me dar uma idéia de como é a divisão do mercado entre as placas de entrada (“low-end”), as placas do dia a dia (“mainstream”) e as placas topo (“high end”)?

[HK]Basicamente, em termos de volume mundial, temos um movimento de 40% de placas “low-end”, 30% de placas “mainstream” e 30% de placas “high-end”.

[FX]30% de placas “high-end” me parece um número muito bom! Não é a toa que vocês estão bastante compromissados com este mercado!!

[HK]Claro!! Isso mesmo. E no topo desta pirâmide. Só existem hoje Gigabyte e ASUS, e agora nós já os estamos vencendo!

[FX]Eu acompanho o mercado de informática há mais de 20 anos. Neste tempo acompanhei diversas marcas surgirem, permanecerem ou morrerem. Lembro-me que no passado Gigabyte não era uma marca tão conhecida. Mas hoje em dia é bastante forte. Queria saber como foi este processo de crescimento da marca ao longo dos anos.

[HK]A razão é que nós percebemos que precisávamos mudar. Vou ser muito sincero com você. Há vários anos, em 2004/2005 nós nos encontrávamos em um processo de briga pelo mercado com a ASUS, mas brigando muito forte no aspecto preço. Nós tivemos momentos de resultados muito ruins. Meus clientes tiveram problemas técnicos. Precisávamos muitas vezes trocar placas para eles. Mas em 2006 começamos uma nova operação na qual as premissas básicas de projeto eram, de início, qualidade, especificações técnicas avançadas e performance. Sem estas três características, não seríamos capazes de continuar.Foi uma mudança difícil, mostrarmos para todos que estávamos mudando (empregados e clientes). Mas um ano se passou começamos a ter reconhecimentos e premiações. A cada ano estamos aprimorando cada vez mais nossos produtos. Mudamos nosso foco para qualidade e sucesso veio com mais rapidez! E agora somos uma referência. Muitas vezes quando fazemos uma coisa nova em nossas placas, todos começam a copiar. Qualidade. Variedade é importante, mas qualidade é o ponto chave!! Este é inclusive um dos motivos pelo qual não estamos mais tão interessados em fornecer para grandes fabricantes de PCs de marca, pois eles nos levam de novo ao passado: “redução de custo”, “redução de custos”. Eles só pensam nisso. Já vivemos isso uma vez. Hoje nosso discurso é “dê-me bons componentes”, “dê-me componentes de qualidade”. Eu pago. Pago um pouco mais, não tem problema. Nós queremos mudar totalmente como as pessoas entendem o mercado. Queremos vender produtos feitos com alta qualidade por um preço razoável.

[FX]Uma última pergunta, eu prometo… Já estouramos o tempo. Eu queria entender um pouco melhor as ações da Gigabyte para o mercado brasileiro, a criação da equipe técnica que será montada para suporte, etc.

[HK]Nós entendemos que para melhorar ainda mais nossa posição no Brasil, precisamos ter o processamento local dos RMAs e de uma boa equipe de suporte técnico. Temos também esforços próprios de marketing e equipe de suporte a vendas. Já estamos iniciando o processo de recrutamento destas pessoas. Não é fácil. Serão entre 40 e 100 pessoas. Teremos que interagir muito com estes novos funcionários. Pessoas de Taiwan e dos Estados Unidos terão que vir aqui com alguma freqüência para capacitar e treinar estas pessoas para atender o mercado “clone”. Não queremos que o cliente brasileiro se sinta como um cliente qualquer. A Gigabyte deseja que o cliente brasileiro desfrute da mesma tecnologia e serviço que temos em nosso país (Taiwan).

Foi essa a conversa. Muito agradável e muito interessante. Agora abro o debate para que as pessoas exponham suas opiniões sobre o posicionamento da Gigabyte, críticas, elogios… Uma coisa eu garanto para vocês, sei que todo artigo publicado aqui no ForumPCs são lidos pelos executivos da Gigabyte, e quiçá também os comentários das colunas.

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