ITF Portal - Banner Topo
Slot: /23408374/itf-ad-banner-topo
720x300, 728x90, 728x210, 970x250, 970x90, 1190x250

O pesadelo da memória pessoal

O pesadelo da memória pessoal O que têm em comum um lote de cartões perfurados, um DVD padrão “blue-ray”, um filme em película de 8 ou 16 mm, uma fita de backup QIC-80, um compact flash e um disquete de 3 ½”?São todos estes instrumentos de memória pessoal (digital ou não). Claro que alguns moderníssimos […]

Publicado: 12/05/2026 às 16:07
Leitura
6 minutos
O pesadelo da memória pessoal
Construção civil — Foto: Reprodução

O pesadelo da memória pessoal

O que têm em comum um lote de cartões perfurados, um DVD padrão “blue-ray”, um filme em película de 8 ou 16 mm, uma fita de backup QIC-80, um compact flash e um disquete de 3 ½”?São todos estes instrumentos de memória pessoal (digital ou não). Claro que alguns moderníssimos e outros obsoletos e anacrônicos. Mas é exatamente aí que começa o pesadelo que quero discutir com vocês.

[singlepic id=7349 w=320 h=240 float=]

Quem usa PCs a 5 ou menos anos terá menor identificação com o problema que quero expor mas em pouco tempo já estará sofrendo do mesmo mal. Vamos retroceder um pouco no tempo. Nem precisa ser muito. Eu na época de faculdade, nos anos 80 usei por apenas um ano cartões perfurados. Fiz alguns programas em FORTRAN dos quais chegava a me orgulhar na época e por isso guardei estes cartões. Deparei-me com eles há alguns meses atrás. Que grande entulho inútil se transformaram. Jamais irei usá-los de novo, pois nem existem mais computadores para lê-los.

Voltando um pouco mais no tempo, meu avô tinha uma câmera de filmes (película) em 16 mm. Outro dia vi na casa de uma tia algumas latas destes filmes. Ela ainda conseguiu recentemente “telecinar” os filmes e hoje estes estão em fitas VHS. Esta mesma tia, por ser amante de filmes e vídeos, teve uma câmera Sony Betamax, que era o padrão em excelência técnica há muitos anos, que foi superado mercadologicamente pelo VHS.

Agora a pergunta “gancho” para o assunto principal : alguém tem dúvida que o padrão VHS está caindo em desuso e em mais alguns anos nem será lembrada, de forma semelhante ao também já morto LP de vinil? Quantas pessoas ainda têm pilhas de discos de vinil que vagarosamente vem recomprando em CDs?

[singlepic id=7350 w=320 h=240 float=]

O que eu chamo de “memória pessoal” (às vezes digital e às vezes não) nada mais é que o acervo de informações e dados gravados em uma diversidade de mídias que temos ou tivemos a nossa disposição.Mais um exemplo, eu venho nas última semanas digitalizando meu acervo de fitas padrão Hi8, de uma filmadora analógica Sony pois percebi que a câmera que já tem 7 anos está ameaçando “abrir o bico” e se isso acontecer a única forma de eu ver os meus filmes domésticos será comprar uma filmadora compatível. Já investiguei. Ainda se encontram filmadoras Hi8 a venda, mas não é fácil e hoje são produtos bem “low-end” (exatamente ao contrário de seu posicionamento em relação à época que a comprei), e custando valores próximos de câmeras digitais mais simples, que são infinitamente melhores. Vão sumir em um ou dois anos no máximo eu estimo.O mesmo caminho, a digitalização, terá a minha coleção de fitas VHS, pois talvez antes da extinção definitiva deste padrão, o mofo ou fitas quebradas me impediriam de desfrutar de seus conteúdos. Vão todas virar DVD também. São filmes de casamento, batizado de filho, coleção de Star Trek, corridas do inesquecível Senna e inúmeros filmes colecionados ao longo dos anos. Mais um pedaço de minha memória pessoal.

[singlepic id=7348 w=320 h=240 float=]

[singlepic id=7347 w=320 h=240 float=]

A minha escolha para salvar o meu acervo de Hi8 e VHS foi óbvia para este momento, os DVDs. Mas alguém aqui poderia me garantir com plena certeza que estes DVDs de hoje não serão iguais às latas de filme 16 mm de meu avô daqui a alguns vários pares de anos? Deveria estar usando DVDs Double Layer? Não posso esperar ter os DVDs blue-ray disponíveis (inclusive caberem em meu orçamento) para fazer a minha operação de resgate. Mesmo que eu esperasse para usar o novo padrão de DVD quem me garante que este será o formato de maior longevidade? Sobre isso vide o excelente artigo do Piropo sobre a Guerra do DVD .

Usuários de câmeras fotográficas digitais também experimentam uma diversidade de padrões. Praticamente todos eles ainda vivos como Compact Flash, SD, Memory Stick etc. Neste caso o problema é menor, pois as fotos digitais acabam transitando para algum HD mais cedo ou mais tarde. Mas na hora de fazer o registro histórico, o backup da fotos, estas podem ir parar em uma destas outras mídias que mais cedo ou mais tarde poderão serem difíceis de serem lidas.

Se considerarmos ainda os diferentes dispositivos que tivemos à disposição para efetuar backups de algum tipo em passado recente a paranóia é ainda maior. Sem vasculhar muito em meus armários eu achei discos ZIP 100, ZIP 250, cartuchos Panasonic de um PD-Drive que tive, mídias JAZZ, fitas streamer QIC-80, alguns cartuchos TRAVAN, fitas DAT DDS4, CDs e CDRWs e dúzias de trabalhos irremediavelmente perdidos gravados em disquetes de 5 ¼(não tenho mais drive para lê-los).

[singlepic id=7351 w=320 h=240 float=]

A catástrofe só não é completa porque no meu caso essas mídias todas contêm backups de certo momento de meus dados, que vieram sendo migrados de HD para HD ao longo dos anos. Mas conheço pessoas que fizeram seus arquivos pessoais usando algumas dessas tecnologias, e não têm estes dados em seus PCs, dependendo da disponibilidade de algum drive que leia uma dessas preciosidades de museu. Fora as mídias que tenho em meu armário, sem pensar muito ainda posso me lembrar de algumas outras tecnologias ainda em uso como DLT, LTO, MO (magnetic optic cartridges) entre tantas outras que em futuro próximo irão também desaparecer das prateleiras.

[singlepic id=7352 w=320 h=240 float=]

Mas isso é tão sério que achei na internet um site chamado DRIVER’S MUSEUM que tenta ajudar as pessoas a fazer funcionar estes dispositivos que estão esquecidos no tempo.

Meu avô, com suas latinhas de película de 16 mm, contendo imagens de churrascos na fazenda, aniversários da família ou corridas de cavalos (que ele adorava quando era vivo), talvez tivesse menos problemas atualmente. Por serem analógicos estes anacrônicos filmes têm a desvantagem da qualidade inferior e estarem castigados pelo tempo. Mas como meu avô era muito conservador ele se manteve fiel às latinhas de filme por muitos e muitos anos. Ele poderia ter mudado para 8 mm ou para uma filmadora Polaroid que foi sensação nos anos 70, ou mesmo VHS no começo dos anos 80. Tendo somente um tipo de mídia fazer as conversões necessárias acaba sendo um pouco mais simples.

É!! A grande sabedoria de meu avô continua me influenciando e ensinando, mesmo na minha área de atuação profissional, absolutamente incompreendida por ele, anos depois de ele ter deixado este lado da existência. E viva as latinhas de 16mm!!

[singlepic id=7345 w=320 h=240 float=]

As melhores notícias de tecnologia B2B em primeira mão
Acompanhe todas as novidades diretamente na sua caixa de entrada
Imagem do ícone
Notícias
Imagem do ícone
Revistas
Imagem do ícone
Materiais
Imagem do ícone
Eventos
Imagem do ícone
Marketing
Imagem do ícone
Sustentabilidade
Autor
Notícias relacionadas