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O primeiro (e pior) WORM do mundo!

Recentemente lembrei-me dessa história e cheguei a pensar que fora um devaneio. Mas de fato após um impreciso lampejo de minha memória a historia se materializou por completo. Os mais “experientes” (para não dizer velhos) com certeza se lembram dos primeiros vírus de computador que surgiram. O antológico “PING-PONG” foi o precursor de uma leva […]

Publicado: 13/05/2026 às 04:03
Leitura
5 minutos
O primeiro (e pior) WORM do mundo!
Construção civil — Foto: Reprodução

Recentemente lembrei-me dessa história e cheguei a pensar que fora um devaneio. Mas de fato após um impreciso lampejo de minha memória a historia se materializou por completo. Os mais “experientes” (para não dizer velhos) com certeza se lembram dos primeiros vírus de computador que surgiram. O antológico “PING-PONG” foi o precursor de uma leva de outras pragas como Michelangelo, Trojector, Stoned e Sexta feira 13. A propósito tenho um amigo que por conta do vírus deu ao seu cachorro o nome de Trojector !! Claro que ele era fanático pelo assunto e tornou-se depois em uma grande autoridade sobre o assunto vírus de PCs. Até que é um bom nome para um cachorrinho! Estas malignas manifestações apareceram no final da década de 80 e principalmente se propagavam pelos setores de boot dos disquetes. Uma vez instalados se multiplicavam para outros disquetes e causavam grande instabilidade nos PCs. Hoje em dia nem se faz mais estes tipos de vírus de boot, pois o uso de disquetes caiu a quase zero.

Ao contrário dos vírus o termo “worm” surgiu vários anos depois, em meados da década de 90. A diferença básica do vírus e do worm é que o worm não tem como intenção precípua desestabilizar o PC ou prejudicar o seu funcionamento. O worm tem uma função “reprodutiva” e faz isso em larga escala (por isso atualmente os programas tipo spyware pegam carona em worms). Com o uso dos e-mails foram os primeiros programas a vasculhar o livro de endereços eletrônicos dos usuários e enviar a si mesmo para todos de sua lista. Logravam o intento da auto preservação, como se o deus da informática tivesse falado “crescei e multiplicai-vos”! Às vezes um worm acaba fazendo mal ao seu hospedeiro, mas como disse não é a sua intenção.

Mas muito antes de existir e-mails em PCs surgiu um worm poderosíssimo que teve conseqüências desastrosas.E nem foi em ambiente de PCs e sim em MAINFRAME!! Eu imagino que o digno leitor deve achar que o prestimoso colunista deve estar de ressaca após o jogo (jogo?) da seleção brasileira, mas garanto que o inexpugnável ambiente de mainframe foi vítima dessas pragas em primeiro lugar, no final dos anos 80 ou no começo dos anos 90 se não me falha a memória.

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Existia (ainda existe) um ambiente de produtividade para escritórios da IBM chamado Office Vision – PROFS. Para você entender pode fazer uma analogia com o Outlook/Exchange da Microsoft. Ele tem agenda de compromissos, caixa postal (mensagens eletrônicas), anotações de textos, tarefas etc. Rodava obviamente no mainframe sob ambiente VM/CMS que é a “maquina virtual” da IBM (faz tempo que existe isso neste ambiente). Eu diria que a IBM acertou na mosca a funcionalidade que os usuários desejavam, mas errou no ambiente pois não eram tantas as empresas que podiam ter este sistema de produtividade devido ao elevado custo da infra-estrutura. O ambiente VM tinha uma linguagem de script chamada REXX, análoga a um VBscript ou mesmo a linguagem de arquivos BAT/CMD do PC. Usuários mais avançados podiam fazer programas bem úteis com essa ferramenta (como o usuário do PC).

Um destes usuários mais “espertos” teve uma brilhante idéia! Era época de natal. Em uma universidade em Hannover, na Alemanha este usuário produziu um lindo REXX-script que ao ser acionado exibia na tela monocromática (verde e preta) dos terminais 3278 uma bonita animação de árvore de natal que aparece na tela com os votos de feliz natal. Ele teve a idéia de enviar este script como um cartão de natal para seus amigos (contatos do PROFS). Logo ele percebeu que era tedioso mandar estas felicitações uma a uma para todos. Habilidoso que era em REXX ele desenvolveu um script para ler o seu livro de endereços e enviar para todos a sua mensagem de felicitação. Feito isso disparou para seus amigos seus sinceros votos de boas festas.

Cada pessoa que recebia a mensagem eletrônica em sua caixa postal do PROFS era convidada a acionar o script-mensagem. Se hoje, mesmo com todas as ameaças existentes, ainda há pessoas que clicam em programas anexos em e-mails, imagine a ingenuidade reinante à época. Claro!! Todos clicaram. E isso disparou uma reação em cadeia em altas proporções!! Cada um replicava para TODOS seus contatos a mensagem. Faça uma conta rápida. Se cada pessoa tivesse 20 contatos, após 7 interações mais de 1 BILHÃO de pessoas teriam recebido a mensagem. Claro que não havia essa quantidade de pessoas usando PROFS. O efeito foi a mesma mensagem sendo infinitamente replicada entre os usuários de tal forma que causou um COLAPSO no sistema da IBM no MUNDO TODO. Enquanto a IBM não tirou o PROFS do ar e realizou uma minuciosa limpeza da referida mensagem.

Por mais bizarra que esta história possa parecer ela é real. Há vários sites na Internet que relatam o ocorrido como ou uma referência a um “paper” (trabalho de cunho científico) “Merry Christma: An Early Network Worm” sobre o assunto no(Institute of Eletrical and Eletronics Engineers-

). Eu ouvi essa história no pouco tempo que trabalhei com mainframes e na época cheguei a duvidar dela. Recentemente encontrei uma “testemunha ocular” da história. Nosso ilustre amigo Paulo Couto que na época trabalhou na IBM no Rio de Janeiro foi vítima dessa precoce aparição de um WORM confirmou tudinho para mim!!

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