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A batalha dos cartuchos continua

Há pouco mais de um ano escrevi uma coluna chamada “No es solamente tinta” , na qual discutia as características dos cartuchos de tinta originais e seus concorrentes remanufaturados ou recarregados. Gerou uma discussão muito interessante à época, com bons argumentos de ambos os lados (quem defende os remanufaturados e os originais). Tive a oportunidade […]

Publicado: 13/05/2026 às 06:22
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9 minutos
A batalha dos cartuchos continua
Construção civil — Foto: Reprodução

Há pouco mais de um ano escrevi uma coluna chamada “No es solamente tinta” , na qual discutia as características dos cartuchos de tinta originais e seus concorrentes remanufaturados ou recarregados. Gerou uma discussão muito interessante à época, com bons argumentos de ambos os lados (quem defende os remanufaturados e os originais). Tive a oportunidade de me reciclar neste assunto. A HP apresentou a um grupo de jornalistas sua fábrica de mídias, papéis e outras surpreendentes “superfícies”, como banners, telas de pintura, etc.. Nesta oportunidade foi retomado este acalorado assunto, com novas informações que decidi compartilhar trazer para discussão com os leitores do ForumPCs.

A HP solicitou a uma empresa especializada que realizasse um teste independente, com base científica, sobre o assunto. A empresa em questão é a TÜV NORD, empresa alemã com mais de 130 anos de experiência em certificações, presente em mais de 70 países do mundo ( www.brtuv.com.br ) e mais de 8000 funcionários. Esta empresa realizou este estudo em parceria com o conhecido INMETRO aqui no Brasil e vários outros países da América Latina (o estudo não foi feito só no Brasil, mas também nos EUA, Europa e Ásia). A íntegra do estudo se encontra no referido site. Vou apresentar assim logo de cara os resultados (da América Latina), e minhas considerações. Depois há muito que ser discutido.

Originais rendem em média 119% mais que os remanufaturados ou recarregados

Originais tiveram zero falhas enquanto os outros tiveram uma falha em cada três cartuchos

Poder-se-ia desconfiar que qualitativamente os resultados seriam nesta direção, mas os dados quantitativos me impressionaram sobremaneira. As impressoras usadas foram HP PSC 1315 (cartuchos 56 e 57) e HP Deskjet 950 C (cartuchos 45 e 78 ). Ao todo 50 impressoras fizeram parte do teste, 744 cartuchos-68 da marca HP, 408 de marcas alternativas (Multilaser, Extralife, Toner Print) e 268 oriundos de recarga em lojas ou quiosques (Casa do Cartucho, Jet Laser, Porbrach, New Life). Estas impressoras e modelos de cartuchos foram escolhidos por serem representativos no mercado estudado.

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Uma séria metodologia foi utilizada no estudo. Surpreendi-me ao saber que existe uma norma internacional que regula testes de cartuchos de tinta. É a norma ISO/IEC 24712, usada pela BR TÜV NORD. Também foi respeitada a norma ISO/IEC 24711 que define as condições ambientais do teste. Para melhor iterpretar os resultados é importante entender um pouco como a normadefine “falha” ou fim de cartucho:

: “Dead on Arrival”-abriu a caixa e o cartucho já estava vazando ou nem funcionou, ou nem imprimiu com sucesso o primeiro lote de 50 páginas ou apresentou de imediato distorções gritantes nas cores.

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A norma ISO/IEC 24712 define também as páginas padrão para serem usadas nos testes.

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Os 744 cartuchos e as 50 impressoras foram compradas no mercado, varejo, ou lojas virtuais de forma “cega”, ou seja, sem declarar que eram para algum tipo de teste. As avaliações consistiram de impressões em lotes de 50 páginas. Conforme ocorriam as falhas ou fim dos cartuchos os dados iam sendo coletados. Os cartuchos recarregados foram distribuídos 50% com uma só recarga, 30% com duas e 20% na terceira recarga. A metodologia, a norma e o amparo estatístico do estudo, que garante que com 90% de confiança a conclusão do estudo é correta, conferem elevado grau de seriedade, caráter científico e independência ao estudo.

– Alternativos x Originais :originais 117% maior rendimento

– Recarregados x Originais : originais 124% maior rendimento

Disso decorre a média de 119% de rendimento maior dos cartuchos originais. Ao analisar o gráfico (abaixo) que resume a confiabilidade, percebem-se fatos curiosos. Há marcas que até falham pouco (5.9%) enquanto outras marcas tiveram o absurdo índice de falhas de 61%. Por tipo de cartucho, os recarregados (nas lojas/empresas que prestam este serviço) têm mais falhas que os remanufaturados/alternativos (29% contra 42% – média de 34% de falha) enquanto os originais tiveram 0% (sem falha) no estudo.

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Diz o ditado: “contra fatos não há argumentos”. Será? Eu me permiti ser o “advogado do diabo” deste detalhado estudo. Procurei formas, justificativas. Tentei me convencer de que o teste não podia ser levado às últimas conseqüências, questionando alguns aspectos.

: o que o teste considera “falha” (norma ISO 23712) é muito rigoroso!! Uma “paradinha”, uma “borradinha”, uma embalagem com um pouco de tinta que vazou não é motivo suficiente. No dia a dia o usuário iria interromper a impressão, talvez retirá-lo da impressora, chacoalhar o cartucho, tentar de novo e talvez até conseguisse usá-lo mais um pouco.

: infelizmente a “Lei de Murphy é infalível”! O cartucho falhará bem no dia que uma tese de mestrado, uma proposta importantíssima, um contrato com muitas páginas, um trabalho de escola, estiverem sendo impressos e com muita pressa. Nessa hora o aspecto confiabilidade é o mais importante. Uniformidade, qualidade da impressão, sem pausas para “cutucar” o cartucho, são essenciais.

Argumento : O estudo não leva em conta o valor por página impressa. Eu posso até tolerar menor confiabilidade e qualidade, mas meu “bolso”, que é quem sente mais, prefere os cartuchos mais baratos. Assim mesmo imprimindo menor quantidade de páginas em cada cartucho, gasto bem menos.

Contra-Argumento :fiz uma breve pesquisa, baseada somente nos cartuchos 56 e 57:

HP 56 C6656AL R$ 54,00, Maxprint R$ 39,50, Multilaser R$ 26,00 (promoção-preço normal R$ 39,90).

HP 57 C6657A-R$ 89,00, MaxprintR$ 45,00, Multilaser R$ 59,90 (promoção-preço normalR$ 74,50).

Cartucho 56 recarregado (base de troca) R$ 28,00.

Cartucho 57 recarregado (base de troca) R$ 40,00.

Minha “pesquisa” não tem significância estatística. Valores um pouco diferente podem ser encontrados. Mas mesmo no melhor caso, o alternativo ou recarregado custa metade do preço (oscila entre 48% a 82% do valor do original).

Com uma média de rendimento de 119% a favor do original mesmo no aspecto custo não parece valer a pena. Sem contar o aspecto da confiabilidade.

Existe uma característica que este teste não levou em consideração . É avaliação quantitativa, medida da precisão na reprodução das cores. Na visita aos laboratórios da HP vi um interessante dispositivo que fazia um tipo de “scanning” de cada cor em uma página impressa e a decompunha em valores numéricos de suas cores fundamentais constituintes, aferindo a qualidade das impressões realizadas. Tecnologia para avaliar a “precisão” das impressões existe, mas a norma ISO 24712 não considera este aspecto. Somente distorções grandes que denotavam fim de uma cor ou o cartucho “morto na chegada” (DOA) foram avaliados. É mais um lado a se pensar, um vermelho que parece roxo ou um verde tendendo para o azul, uma pessoa numa foto com a face amarela… No mínimo é indesejável.

O mesmo estudo foi feito em outros mercados:

EUA – 56% maior rendimento dos cartuchos originais

Ásia – 65% maior rendimento dos cartuchos originais

Isso expressa que o processo ou tecnologia de reaproveitamento do cartucho nestes locais é melhor no critério rendimento. Porém a proporção de falhas se repetiu, com valores bem próximo de 3 para 1 (mesmo índice do estudo da America Latina).

E se o fabricante reaproveitar ele mesmo os seus próprios cartuchos?

Segundo a HP, periodicamente este assunto é tema de novo ciclo de pesquisas internas. Até agora não há como eles mesmos conseguirem a reutilização com o padrão de qualidade desejável. Questionei que novos materiais podem surgir (vide o caso da Intel com o Háfnio e “High-K” em seus processadores para diminuir o vazamento de elétrons em 45 nm) e viabilizar o reaproveitamento pela própria HP. Porém não é tão simples assim. Há diversas implicações. Um “super cartucho”, muito durável, sem perda de qualidade na reutilização ajudaria sobremaneira os “fabricantes” alternativos e prejudicaria o fabricante original.

Vários países como o Brasil, têm legislações que impedem a exportação de cartuchos para serem reprocessados, pois julgam seu transporte nocivo à saúde (risco de vazamento). Colocar uma “trava” (no chip do cartucho) para impedir o uso se for detectada alguma característica fora das especificações (tinta com composição alterada) poderia acarretar processos judiciais em alguns países por monopólio. É um assunto complexo e que pelo jeito vai demorar muito para acontecer (se acontecer). O que já faz a HP é receber seus cartuchos usados e outros componentes plásticos para serem tratados em conjunto, reciclar e reutilizar o material na fabricação de novos cartuchos. Em 2007 mais de 200 milhões de cartuchos foram feitos com este novo processo. É mais caro (por causa do processo de tratamento e reciclagem), mas qualidade final do plástico resulta a mesma além do aspecto da responsabilidade ambiental.

Existem séries novas de cartuchos visando atender as necessidades de preço acessível (menos tinta e menor valor de aquisição) e cartuchos “XL” que podem ter rendimento até três vezes maior (mais caros, mais tinta e valor por página impressa mais barato). Assim esta comparação com os alternativos ou recarregados fica um pouco mais ampla e dependente do segmento específico analisado, mas mantendo a tendência a favor dos originais.

Estão lançados os fatos e as minhas considerações. Apesar deste assunto já ter sido discutido antes, frente aos novos elementos apresentados, o estudo científico apresentado, quero estender o debate. Eu iria também contar para vocês um pouco mais sobre a fábrica de papéis e a diversidade de mídias (que nem sabia que existiam), mas como o assunto cresceu um pouco, fica para outra coluna.

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