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IDF 2008 – A Intel mudou!

Acompanhei a última edição do Intel Developers Forum, que ocorreu em San Francisco na semana passada. Este é um evento sempre cercado de muitas expectativas por anúncios surpreendentes. De certa forma já se sabia o que seria apresentado, mas para não fugir à regra a Intel sempre tem algumas cartas escondidas na manga para nos […]

Publicado: 13/05/2026 às 11:49
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13 minutos
IDF 2008  –  A Intel mudou!
Construção civil — Foto: Reprodução

Acompanhei a última edição do Intel Developers Forum, que ocorreu em San Francisco na semana passada. Este é um evento sempre cercado de muitas expectativas por anúncios surpreendentes. De certa forma já se sabia o que seria apresentado, mas para não fugir à regra a Intel sempre tem algumas cartas escondidas na manga para nos surpreender. Vários assuntos capturaram a minha atenção. O objetivo desta coluna é fazer um apanhado geral das informações obtidas neste denso evento e justificar o porquê de minha afirmação que dá título a esta coluna-A Intel mudou.

Farei futuramente outras colunas com os assuntos que resolvi me aprofundar mais, que procurei perseguir nas diversas apresentações e algumas entrevistas ou conversas que consegui realizar. A saber, os assuntos que fui mais a fundo foram:

– Nehalem (nova plataforma de 45 nm)

– SSDs (disco sólidos)

– Virtualização 2.0 (novos suportes de hardware à virtualização).

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Mobile Internet Devices-MDIs

Um dos assuntos mais comentados em todo o evento foi MDI- Mobile Internet Device. Alguns confundem esta nova categoria de dispositivo com os mini-notebooks, que de fato têm características em comum, mas visam funções diferentes. São pequenos, leves, alguns chegam a caber no bolso e baixo consumo de energia. São motivados pela necessidade legítima dos usuários: “Internet em todos lugar”e a confluência de várias tecnologias como por exemplo os processadores ultra mobile como o Atom, os discos sólidos (SSDs), interfaces inovadoras, etc. Aquilo que há alguns anos parecia um sonho distante, de estarmos conectados todo tempo e podermos usufruir disso, se não chegou em sua totalidade, está a caminho e por isso essa nova categoria de dispositivos nasceu de forma quase explosiva. Pesquisas mostraram que telefones celulares com suporte a navegação na Internet não atendem completamente às expectativas dos usuários. Dois terços dos usuários preferem “Internet plena” à “Internet limitada” presentes nos celulares.Uma plataforma compatível (x86) tira proveito da base de conhecimento de desenvolvedores prontos para gerar aplicações para este público. É um diferencial desta nova categoria. O processador Atom, que já chegou a 1.6 Ghz de velocidade com baixo consumo e baixo custo, evoluirá na futura geração (2009) trazendo DEZ vezes menor consumo de energia quando ocioso (idle).

Perguntei diretamente para Anand Chandrasekher, responsável pela divisão Ultra Mobile da Intel qual seria na opinião dele o ponto a ser ainda melhorado nesta tecnologia. Qual o ponto mais fraco? Sua resposta me surpreendeu: ” o que falta melhorar é a disponibilidade de Internetem todo lugar. Wi-Fi e Wi-Max largamente disseminados farão destes produtos ainda mais irresistíveis do que são hoje “. Eu esperava que ele comentasse sobre algum aspecto do hardware, mas em sua visão o hardware pode melhorar, mas está maduro. Quando houver a ampla disponibilidade de sinal de Internet em todo canto, tornará esta categoria de dispositivos “produtos matadores”!!

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Visual Computing e Larabee

Outro tema bastante explorado este ano foi “Visual Computing”. Diversas aplicações se tornarão possíveis com o uso de apoio gráfico e computacional avançado. As aplicações vislumbradas são reconhecimento visual de objetos e faces, reconhecimento de atividades, representação virtual do mundo em ambiente virtual de forma muito mais precisa e realista, jogos e entretenimento, aplicações na medicina e representação 3D. É a reunião da capacidade de processamento com múltiplos núcleos usando o máximo de acuidade visual nas aplicações assistida pelo hardware.

É neste contexto que também entra o “Larabee”, uma nova proposta da Intel visando incrementar a computação visual. Ainda faço alguma confusão com o conceito do Larabee. Não é CPU, não é GPU. É um tipo novo de hardware de apoio a esta nova realidade. Tentando explicar melhor, o Larabee tem características de ambos os mundos, pois é um projeto híbrido. A CPU é altamente programável (permite implementar lógicas complexas) enquanto a GPU é realiza um tipo de computação altamente paralelizável pois se baseia em geração de conteúdo e manipulação de pixels via processamento matemático em altíssima escala. O Larabee será um hardware de apoio, um tipo de co-processador agregado a um sistema especializado, uma Workstation, por exemplo, para realizar tarefas complexas.

A Dreamworks mostrou uma tecnologia derivada deste conceito. Animação em 3D, usando óculos com lentes polarizadas já existe, mas criar isso em uma animação é algo muito trabalhoso. No mínimo dobra o esforço de geração de quadros do filme. Só usando alto poder computacional isso é possível. E o clip em 3D do KungFu Panda apresentado maravilhou a todos. Segundo a Dreamworks a partir de agora todos seus trabalhos de animação serão em 3D, pois já chegou tecnologia computacional que permite este tipo de sofisticação.

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Retornarei a este tema com mais detalhes no futuro, mas quero compartilhar algumas coisas que descobri. Sorrateiramente a geração Nehalem é o caminho para o Quad Core massificado. Só se falou em quatro núcleos o tempo todo. Se é que existe Nehalem Dual Core, este foi completamente esquecido no evento. Também foi oficialmente renomeado e rebatizado o processador para Core i7 e não mais Core 2 Duo. Os processadores corporativos como o Xeon receberão uma evolução interessante nesta geração. Serão processadores de 6 núcleos. Muitos torceram o nariz quando a AMD lançou o Phenom X3 (tri core). Olha aí a Intel furando a regra de ouro do 2, 4, 8,… dessa vez. Mas a adoção de dois núcleos a mais traz consigo benefícios sensíveis (50% a mais de força) com consumo de energia ainda bem baixo.

Uma das características mais interessantes da geração Nehalem é o “Turbo Mode”. O nome carrega consigo uma dose de marketing e tanto, mas é de fato algo muito interessante. Existe no circuito do Nehalem uma parte importante contendo um número de transistores equivalente ao antigo processador 486, devotada exclusivamente ao gerenciamento da energia chamada PCU (Power Control Unit). É um subsistema muito sofisticado que fica constantemente resolvendo a difícil equação: “execução mais rápida consumindo o mínimo de energia”. A lógica por trás disso se baseia no fato de que os quatro núcleos não precisam funcionar durante todo o tempo. Assim conforme não haja demanda para todos os núcleos, cada um deles vai sendo praticamente desligado, gastando apenas uma fração mínima de força. Até três núcleos podem ser poupados desta maneira. Além disso, aquela pequena fração de cada núcleo que ainda permaneceu ativa tem seu poder computacional agregado ao primeiro núcleo (que permanece sempre ativo) e assim pouca energia é consumida e há ganho de até 10% de capacidade de processamento neste núcleo que permaneceu ativo (em modo mono core). Em situações de alta demanda computacional os núcleos vão sendo acionados até a situação de plena carga. É o melhor dos dois mundos. Consumo mais baixo nas tarefas gerais e poder máximo na alta solicitação.

Foi introduzido o acesso à memória em modo “triple channel”, que amplia a velocidade de recuperação de dados em 50%. Mas um cuidado deve ser tomado. As placas mãe normalmente têm quatro “slots” de memória. Se totalmente preenchidos a placa trabalhará em “dual channel”, com menor velocidade. Por isso as placas chamam a atenção disso com cores diferentes nos “slots”. Assisti a uma apresentação que explicava como fazer benchmarks com a plataforma do Nehalem na qual se chamou muito a atenção para isso. Foi nesta sessão que tirei as fotos abaixo.

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Esta foto do waffer com centenas de processadores Nehalem Core i7 foi tirada dois segundos antes do mesmo cair de minhas mãos diretamente para o chão. A embalagem estava sem a tampa protetora!! Que mancada!!Ao pegá-lo do chão deixei diversas marcas de dedos no waffer. Nesta hora meus colegas e grandes amigos Mario Nagano (Zumo) e Fernando Ramos (PC & Cia) ficaram chocados.Disseram para mim que jamais este waffer poderia ser usado novamente. Uma marca de dedos estraga completamente o waffer por causa da contaminação. Fiquei assustado, mas fiz o que achava correto. Procurei o representante da Intel na sala e lhe contei o que acontecera, dizendo que as marcas de dedos eram minhas. Ele não titubeou. Disse-me que o custo aproximado do waffer era 27.000 dólares (ou 2.700 twenty seven hundred-não sei se ouvi certo) e que era para eu ter em mãos meus dados bancários. Gelei!! Meio sem jeito tentei brincar perguntando se eles aceitavam diversos cartões de crédito!!! Ele me disse que aquele waffer fora retirado da linha de produção antes de seu fim para propósito de demonstração e que não iria funcionar de toda forma. Ufa!!! Era brincadeira!! Nessa hora vi pelo canto do olho o Nagano e o Fernando se divertindo com a situação!! Foi mais “um sufoco no IDF”, mas dessa vez diferente. Tenho uma coluna escrita em 2005 com este nome “Aconteceu no IDF-sufoco!” , contando a “divertida” morte do HD do meu notebook, por isso a referência.

Discos sólidos-SSDs-isso vai decolar!!

Este tema será o próximo que vou escrever em detalhes baseado no IDF 2008, com certeza. Fui fundo. O IDF já tinha acabado quando voltei ao centro de convenções para uma conversa exclusiva com um dos responsáveis pela tecnologia. Estava fascinado. Vou fazer um breve resumo sobre o assunto. São meios de armazenamento para PCs sem partes móveis, tudo gravado em memória. Como cartões de memória e pendrive, mas maiores e mais rápidos. SAMSUNG e SANDISK já têm produtos assim há algum tempo. A SAMSUNG também tem uma linha de discos híbridos com partes móveis e memória flash. O ponto chave é que ao anunciar a disponibilidade próxima de unidades com 160 Gbytes com um custo acessível (custando ainda mais caro que discos tradicionais) incluindo soluções para PCs, notebooks e SERVIDORES corporativos, isso começa a ter um volume que torna muito interessante, pois a queda de preço é eminente. Não quero estragar a surpresa, a coluna que farei só sobre este assunto, mas adianto que participei de uma sessão na qual um benchmark foi feito com um SSD e um subsistema de discos tradicionais em RAID 0 (striping-paralelização do acesso tornando-o muito mais rápido) usando discos Western Digital Velociraptor (os HDs SATA mais rápidos do mercado). Quem será que ganhou?? Dois Raptors em RAID 0 ou apenas um SSD? Fica para a próxima coluna.

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Este é o título da minha coluna. Eu que já acompanhei alguns IDFs, tive esta forte impressão pessoal. A Intel nasceu sendo uma empresa de circuitos eletrônicos. A origem de seu nome evidencia isso: INT egrated EL etronics. Após a fase inicial, voltada para componentes eletrônicos, o grande foco de negócios da Intel tornou-se processadores e assim vinha sendo. Muitas vezes a Intel transitou por outras áreas como placa de rede, switches, placa de vídeo, Wi-Fi, Wi-max, etc. Tinha o propósito de fomentar a indústria e ajudar a criar um ecossistema robusto naqueles novos mercados. Prova disso é que para quase todos estes segmentos citados havia produtos com marca Intel no passado, mas agora não mais.

Durante o IDF ouvi inúmeras iniciativas da Intel visando fomentar a indústria, mas de uma forma diferente. A Intel está estimulando a criação de novos modelos de uso para os PCs. O conceito do “Visual Computing” é um caso. Enquanto o mercado de placas gráficas sofisticadas estiver restrito somente aos jogadores, a grande massa de usuários estará fora deste mercado. Além disso, para desfrutar de recursos poderosos de computação visual, processadores multi core (Quad ou mais que isso no futuro) serão obviamente muito necessários. Outro exemplo, os SSDs, discos sólidos. A Intel não será mera fornecedora de componentes e sim uma das empresas a vender produtos massivamente no mercado, com sua própria marca, impulsionado pela qualidade da solução e pelo forte esforço de divulgação sendo feito pela Intel e a atratividade deste emergente mercado. O Mobile Internet Device (MDI) é mais um caso. Cria-se um novo segmento com a chegada de um dispositivo que pode vir a ter uma adoção em massa, como o segundo ou terceiro PC de cada pessoa, este só para navegar na Internet em qualquer lugar.

A Intel além de aprimorar e criar seus valorosos processadores está se concentrando também em criar novos modelos de uso para o PC. Parte desta estratégia deve-se ao fato de que se nada mudar, boa parte das pessoas que hoje tem um PC com um ou dois anos de uso, está abarrotada de poder computacional e não precisaria atualizar ou trocar o seu PC. Com novas formas de utilização o mercado da Intel se amplia sobremaneira, fugindo de uma provável estagnação.

E isso tudo é bom?? Eu tenho certeza que sim. Claro que a Intel faz isso tudo pensando na saúde financeira da própria empresa e também para agradar os acionistas. Mas se dentre as diversas iniciativas introduzidas pela Intel, algumas se revelarem vencedoras, todos ganham. A Intel amplia seu mercado e seus ganhos. Os usuários por sua vez terão novas possibilidades de uso de forma criativa dos recursos computacionais que poderá tornar suas vidas mais fáceis, divertidas ou produtivas.

Craig Barrett, ex-CEO da Intel e hoje importante membro do conselho da empresa, fez em seu discurso de abertura do IDF um anúncio muito interessante. A Intel está oferecendo quatro prêmios de US$ 100.000 (cem mil dólares-quatrocentos mil dólares no total) para as empresas ou pessoas que criarem soluções e usos inovadores dos PCs nos próximos doze meses. Este é mais um estímulo para o mercado ampliar as condições de uso dos seus produtos baseados em silício.

Assim se antes a Intel estava muito focada na inovação eminentemente tecnológica de seus produtos, processos de fabricação, etc. agora está investindo boa parte de sua energia para manter a engrenagem do mercado funcionando e fomentando inovações em áreas que antes não atuava tão diretamente. Esta é a minha percepção de mudança na empresa. Pode haver alguma pequena imprecisão em relação à verdade absoluta (existe verdade absoluta?), mas vejo como muito positiva esta “virada”, este refinamento da postura Intel em relação ao mercado, ampliando sua visão e atuação. Um saudoso amigo, que já não está mais no nosso convívio, dizia algo para mim que se aplica muito bem neste caso. Ele dizia “largue o microscópio e use o telescópio” !! Parece que isso está acontecendo com a Intel. Deixando de ver somente “nanômetros” para ver também os “parsecs” (unidade de medida de distância astronômica).

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