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A tirania tecnológica

Já ensaio escrever este texto há várias semanas. Alguns amigos com quem conversei sobre o assunto me chamaram de retrógrado. Mas mesmo assim vou seguir em frente e relatar para vocês os fatos que em minha opinião nos torna escravos da tecnologia. E de uma forma pouco interessante e nada agradável. Antes um AVISO. Há […]

Publicado: 12/05/2026 às 23:09
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8 minutos
A tirania tecnológica
Construção civil — Foto: Reprodução

Já ensaio escrever este texto há várias semanas. Alguns amigos com quem conversei sobre o assunto me chamaram de retrógrado. Mas mesmo assim vou seguir em frente e relatar para vocês os fatos que em minha opinião nos torna escravos da tecnologia. E de uma forma pouco interessante e nada agradável.

Antes um AVISO. Há várias semanas eu me inscrevi no TWITTER com o único objetivo de fazer saber às pessoas quando eu publico uma coluna nova e os produtos/tecnologias que estão em análise (futuras colunas). Meu endereço é . Não esperem nada do tipo “vou jantar agora” ou “meu banho estava muito frio”. Embora não condene quem use o twitter para estas frivolidades, no meu caso o uso é “profissional”.

O centro do problema a discutir é o “abandono tecnológico” que estamos submetidos. Vejam o primeiro caso. Minha esposa resolveu aprimorar seus conhecimentos de inglês e está estudando com afinco o idioma. Faz parte de seu estudo o uso de diversos CDs com lições de compreensão, vocabulário, pronúncia, etc. Ela tinha um CD player portátil do tipo “Discman”, que já foi muito popular (parecido com o da foto abaixo).

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Um belo dia o aparelho não ligava mais. Sofreu uma pane definitiva. Meu calvário começou ao tentar comprar outro. Em diversos sites na Internet e em lojas “reais”, eu só encontrava CD Players “de mesa” ou do tipo “boombox” (grandalhões). Não achava nada parecido com o outrora campeão de vendas da Sony, AIWA, Panasonic, etc. Fiquei insistentemente procurando e nada. Um belo dia me falaram: “acho que você só vai encontrar isso na 25 de Março ou na Santa Ifigênia”. A 25 de Março é uma rua de comércio bem popular no centro de São Paulo. Popular nos dois sentidos, muito freqüentada e produtos bem simples e baratos. A Santa Ifigênia é a “Meca dos eletrônicos (e informática)” na cidade.Certo dia eu me dispus a ir à Santa Ifigênia. Andei, perguntei, procurei… Ouvia freqüentemente:

Compra um MP3, é muito melhor !!

ou

Passa os CDs para MP3 e usa este aparelho aqui (MP3 player)

Eu reconheço que um aparelho MP3 Player tem inúmeras vantagens, capacidade, tamanho, gasto de bateria… Mas um MP3 não toca os CDs que eu já tenho . Não sem “ripar” (capturar) um a um os CDs. Eu conheço minha esposa. Ela prefere trocar um CD que ficar procurando entre dezenas de títulos uma faixa em um MP3 Player.

Depois de quase duas horas caminhando e perguntando, ACHEI um aparelho da marca COBBY que era similar ao antigo Discman. A qualidade um pouco pior, mais “feinho”, mas servia. O “mercado” resolveu que as pessoas que tem CD e querem ouvi-los “no colo” ou querem levar o aparelho consigo SÓ PODEM FAZÊ-LO com um MP3 player!! Ninguém me consultou!!! Esta é a crueldade, largados à própria sorte.

O segundo caso foi muito parecido, mas a vítima foi eu mesmo. Tenho minhas manias. Adoro ouvir rádio. Seja no carro, em casa, na rua. Adoro programas jornalísticos e de entrevistas. Ouço FM, mas sou um grande ouvinte também de estações AM. Outra de minhas manias é dormir ouvindo rádio. Como minha esposa abomina isso eu resolvi o problema com um destes rádios de bolso, bem pequenos. Ao colocá-lo embaixo do travesseiro ele nem incomoda minha cabeça e a vizinha de cama nem ouve nada. Também quando vou a estádio de futebol, corrida de fórmula 1, etc. o radinho de bolso é um ótimo companheiro. Tinha dois e um pifou. Quis logo comprar outro. Acreditem foi quase tão difícil achar quanto o CD player de minha mulher. Achava, mas os tais rádios “portáteis” eram pequenos tijolos que me deixariam com um tremendo torcicolo se os colocasse embaixo de meu travesseiro. Sem contar o incômodo de levá-los a um evento esportivo. Também ouvi pessoas falarem:

Compra um MP3 que é pequenininho e tem rádio FM!

OK, mas eu também sou ouvinte de AM, como fazer??!! Não resolve. Depois de procurar muuuuuuuuuuuuuito, achei um tal”rádio do torcedor”, que são pequenos rádios de bolso, exatamente do tipo que eu queria. Mas como são personalizados com o clube de preferência de cada um, cobram mais caro por isso. Eu me lembro ter comprado há alguns anos meu último radinho por R$ 10 ou R$ 12. Estes “personalizados” custam entre R$ 30 e R$ 40. Achei por coincidência o rádio do SPFC (meu time do coração), mas teria comprado o rádio mesmo que fosse do ASA de Arapiraca.

Mais uma vez, o “mercado” decidiu que rádios de bolso com banda FM e AM não são mais necessários. Deixaram o eventual consumidor deste aparelho quase na mão. Pagando mais caro e com dificuldade de achar o produto.

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O terceiro e último exemplo é igualmente “chato”. Tenho até hoje um aparelho “combo” DVD/VHS. Lê DVD e lê e grava fitas VHS. Um belo dia este aparelho deixou de GRAVAR as fitas VHS. Logo pensei em substituí-lo por um gravador de DVDs e aproveitaria a funcionalidade que restou do aparelho antigo para ler e eventualmente converter as fitas VHS que ainda tenho para DVDs usando uma placa de captura em meu PC. Por curiosidade procurei por aparelhos gravadores de VHS e descobri que NÃO EXISTEM MAIS!! Não era o que eu queria comprar, mas achei injusto. Eram aparelhos baratos. Uma pessoa que tem poucos recursos ainda poderia querer comprar um gravador de VHS para programar a gravação de um filme, um jogo de futebol, uma novela, para ver mais tarde. Negativo, não existem mais.

Fui direto procurar então o que eu queria, gravador de DVD. Outra “mosca branca”. Dificílimos de serem encontrados!! Que coisa estranha!! Isso não é produto obsoleto!!! Um amigo que trabalha em uma das grandes empresas de eletrônicos (grande mesmo) me confessou que haviam tirado do mercado o gravador de DVD por causa do preço. Como se compra um DVD PLAYER por pouco mais de R$ 100 (os mais simples), o mercado estava achando “caro” ter que pagar quase R$ 400 ou mais pela mesma coisa que só eventualmente grava… Esquisito !!

Em vários sites de lojas de produtos eletrônicos achei gravadores de DVD nesta faixa, entre R$ 350 e R$ 500, mas as lojas não tinham o produto para entregar!! Perguntei se não tinham porque estava vendendo muito e a resposta foi : ” não, o fabricante parou de entregar “. Incrível. Eu como consumidor fiquei sem opção. Acabei achando em uma FNAC um modelo da LG (RH397H) que é bem mais caro, cerca de R$ 800, mas dispõe de um HD interno de 160 Gbytes no qual cabem de 50 a 500 horas de gravação (dependendo da qualidade). No final até preferi ter pago mais. Nem vou ter que gravar DVDs com freqüência, a gravação no HD resolve o meu problema principal que é poder ver mais tarde um programa (ou mesmo usar a função time-machine que permite ver ao mesmo tempo em que se grava).

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Mas o pior dessa história ainda está por vir. O vendedor da FNAC me relatou que mesmo este aparelho é “raro”, chegam poucos à loja. Mas afinal o que você tem em quantidade por aqui e que sirva para gravar a programação, para ver depois? Ele me mostrou outro equipamento, bem mais sofisticado. Um tal TOPFIELD que é um aparelho com HD interno de 250 Gb, tem conversor digital integrado (para ver TV digital), grava em resolução HD (1368 x 768-a mesma da TV digital no Brasil). Custa a bagatela de R$ 1.700!!!! E tem mais, este maravilhoso aparelho só tem entrada de antena. Não permite ligar um DVD ou Blu-ray ou mesmo um velho VHS para digitalizar conteúdos do seu dono. Segundo o vendedor todo “Home Teather” de “gente bacana” tem um aparelho desses. E este se encontra com facilidade na praça…

Vejam só, eu queria resolver o meu problema, gastando pouco. Devia gastar R$ 300, paguei mais caro (R$ 800), mas fiquei satisfeito com a solução. Mas o que o mercado “EMPURRA” é o super sofisticado, e com sérias limitações (não ter ENTRADAS nele é o FIM).

Faça você a experiência. Tente encontrar CD Player portátil (tipo Discman) ou simplórios radinhos de pilha de bolso e gravadores de DVD (nem tentem gravadores VHS). Vejam a DIFICULDADE que terão! Ao contar esta “via-crúcis” para alguns amigos fui chamado de retrógrado e anacrônico. Não concordo. Não estou querendo comprar óleo para lampião, disquetes flexíveis de 5 ¼ , nem chapéu coco, ou Gilette em lâminas. São produtos eletrônicos do passado RECENTE!! O lado triste é ver que produtos são descontinuados não porque eles perderam a sua utilidade, sua serventia, mas sim para que o consumidor seja EMPURRADO a comprar versões mais novasbem mais caras dos produtos. Está certo isso? Qual sua opinião?

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