É impressionante como este segmento de placas de vídeo evolui rápido. Muito rápido. Ano passado (2007) a ATI/AMD lançou a série Radeon 2400/2600/2900. No final deste mesmo ano chegou a série 3850/3870 cujo processo de fabricação da GPU mais evoluído trouxe ganhos expressivos de performance e menor consumo de energia. Pode ser dito esta placa […]
É impressionante como este segmento de placas de vídeo evolui rápido. Muito rápido. Ano passado (2007) a ATI/AMD lançou a série Radeon 2400/2600/2900. No final deste mesmo ano chegou a série 3850/3870 cujo processo de fabricação da GPU mais evoluído trouxe ganhos expressivos de performance e menor consumo de energia. Pode ser dito esta placa com a GPU 3870 era das mais rápidas do mercado no seu lançamento e custava no mercado brasileiro cerca de R$ 1.200,00. Eu recebera uma dessas placas para testes nesta ocasião, mas o teste não fora bem sucedido. A placa não funcionou de forma estável, não por sua culpa. Pois o ambiente de testes estava “contaminado”. Eu estava usando um processador Phenom que era protótipo na ocasião e este não “se deu bem” com a 3870, mas curiosamente funcionou naquela ocasião com a 3850.
Passaram-se poucos meses. Surgiu a 3870 X2 (placa gráfica com duas GPUs). A concorrente Nvídia também não parou de lançar novos produtos. Resolvi “revisitar” a 3870 após algum tempo, mas com outro enfoque. Se ela era o “supra-sumo” há seis meses, hoje continua sendo uma placa rapidíssima, mas o preço caiu. O modelo Powercolor que testei é oferecido hoje em dia por R$ 899,00 que a posiciona com uma placa “mid-level” (frente ao que existe de mais avançado). Mas (e isso é muito importante), as aplicações, jogos, etc. não mudaram tanto assim nestes poucos meses. Assim seu brilho, sua atratividade continua muito grande com a vantagem de ter havido a redução sensível de seu preço.
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Como se vê na foto a placa é “bojuda”, ou seja, ocupa o espaço de duas placas no PC. Exige alimentação própria de energia (como toda placa decente também exige). Quando comparada com sua antecessora, a Radeon 2900 XT existem semelhanças e diferenças consideráveis, que estão resumidas na tabela abaixo. Sua GPU é fabricada em 55 nm (80 nm a 2900XT). Sua interface é de 256 bits (512 bits da 2900), 512 Mb de memória DDR4. Compartilham o mesmo número de streaming units (320). Opera em um clock um pouco maior (775 Mhz) e a memória muito maior, 2.25 Ghz contra 1.65 Ghz. Uma das maiores diferenças com a 2900 é a presença de hardware específico para decodificação de vídeo (UVD), inexistente na 2900. Na verdade a 2900 dava conta brincando de vídeo de alta definição por conta de seu imenso “poder de fogo” (os 320 streaming units). Mas ao incluir o UVD na GPU esta função é executada por um sistema especializado, mais eficiente.
Olhando para trás entendo hoje que a 2900 foi uma tentativa razoavelmente bem sucedida da AMD/ATI de responder às placas muito rápidas da concorrência, mas usando “força bruta”, muitos “streaming units” e muito consumo de energia. A 3870 é um projeto muito mais refinado e afinado. É mais bem acabado, mais eficiente, mais rápido e gastando menos energia do que a geração anterior, e hoje em dia com preço bem mais acessível.
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Um diferencial da 3870 é a tecnologia POWERPLAY. Trata-se de um gerenciamento dinâmico de energia que sob demanda. A GPU RV670 pode dinamicamente reduzir o clock e mesmo a voltagem para consumir menos. Assim em uso “leve” do dia a dia a placa não queima preciosos watts, aumentando o consumo somente quando realmente exigida.
O desempenho de uma placa gráfica baseada na GPU RV670 presente na PowerColor 3870 não é mais surpresa, pois inúmeros testes já foram feitos e divulgados. Mas existem sutis diferenças entre as diversas versões desta placa no mercado. Cito alguns resultados específicos, comparando com a sua antecessora a 2900 XT e uma Nvídia 8800GTS que tive disponível por um tempo. A máquina de teste foi um Intel E8400 (3.0 Ghz 45nm), placa Gigabyte EP31-DS3L, 2 Gb DDR2 667 Mhz, rodando sob Windows XP 32 bits.
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A tabela acima merece uma explicação especial incluindo a coluna “overclocked”. A começar pelo constante fato que sempre se repete. Drivers do fabricante devem sempre ser atualizados. A versão do Catalyst do CD era o primeiro não beta. Após atualizar para a versão mais atual (maio-2008) todos os testes tiveram resultados melhores e estes foram os números divulgados. Além disso, fugindo um pouco de meu próprio perfilresolvi brincar um pouco com as opções de overclock que o próprio Catalyst traz que é aumentar, tanto do processador gráfico como da memória. Os valores “de fábrica” são 2250 Mhz para a memória DDR4 e 775 Mhz para o processador. Após algum tempo brincando com estas possibilidades cheguei a 855 Mhz para a GPU e 2735 Mhz para a memória. Nessa configuração havia estabilidade plena do conjunto e obtive os ganhos de desempenho mostrados na tabela.
Ainda sobre os singelos resultados apresentados, vejam que a 2900XT apresenta em alguma situação desempenho melhor. Nada de estranho. A versão anterior da placa obtém ótimos resultados via “força bruta” e grande consumo de energia. Enquanto a 3870 a supera em outras situações sem o mesmo grau de esforço. Entendo que a 3870 é uma 2900 reescrita, como se tivesse sido passado a limpo. Projeto melhor, mais eficiente e chegou ao mercado por um preço mais baixo (US$ 349 da 2900 contra US$ 249 da 3870 no mercado americano).
A 3870 também aceita Crossfire até o limite de 4 placas (usando motherboards especialmente feitas para esta configuração). Traz as tradicionais duas saídas DVI para quem gosta de trabalhar com múltiplos monitores. Suporta o recente padrão DirectX 10.1 que veio com o Service Pack do Vista, embora muita água vápassar em baixo da ponte até que haja de fato no mercado softwares que tirem vantagem do novo padrão (ainda são relativamente poucos os que usam o DX 10.0) .
Para usuários exigentes, que querem uma placa que tenha desempenho destacado, que desafia e chega muito perto da concorrente 8800GT (e ultrapassa fácil a 8800GTS) da Nvidia a 3870 da PowerColor é uma boa alternativa. Principalmente após o seu reposicionamento de preço (mais acessível que a 8800GT). A ATI/AMD vem mostrando que o seu foco ao atacar o mercado é o custo-benefício. Seja porque ainda não alcançou (neste momento) sua rival Nvidia em desempenho absoluto ou porque descobriu ser mais competente atuando desta forma. A PowerColor também oferece a placa com a GPU 3850 para quem tem orçamento mais curto mas ainda com ótimo desempenho.
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PS: hoje dia 03/06 estou visitando a COMPUTEX em Taiwan e vi uma versão pré série das placas da ATI/AMD série 4000 (4850, 4870). Este lançamento que será formalizado muito breve deverá mudar mais uma vez o “ponto de equilíbrio” de “preço/performance” do mercado. E VIVA A COMPETIÇÃO!!