Há alguns fatos interessantes a relatar que comprovam que a tão falada “inclusão digital” está realmente em progresso e é uma tendência irreversível. Não somente a “inclusão” propalada pelo governo, mas uma real, efetiva, proporcionada pelas mudanças do mercado. Algumas ações governamentais foram sem dúvida de grande ajuda como a MP do bem, redução da […]
Há alguns fatos interessantes a relatar que comprovam que a tão falada “inclusão digital” está realmente em progresso e é uma tendência irreversível. Não somente a “inclusão” propalada pelo governo, mas uma real, efetiva, proporcionada pelas mudanças do mercado. Algumas ações governamentais foram sem dúvida de grande ajuda como a MP do bem, redução da cotação do dólar (por causa da melhoria dos fundamentos macro econômicos de nosso país), etc. Mas não é apenas isso.
Mas todo esse papo de governo é só “lero-lero” quando se observa de fato a tecnologia se popularizando em todas as camadas da população. Tanto nas faixas etárias quanto nas diversas faixas de renda familiar. Vou citar dois casos (ou seriam “causos”?) que ilustram isso e finalizarei com uma notícia muito interessante.
O Vovô tecnológico
Um amigo de muito anos me contou que um belo dia seu avô de 76 anos manifestou interesse em “aprender computador”. Este meu amigo é de Santos (litoral de São Paulo). Seu avô dissera que queria aprender para poder trocar mensagens com seus amigos, parentes, e também ler as notícias sem depender de jornais e se manter informado. Alguém também lhe dissera que alguns jogos de cartas podiam ser jogados no PC. Foram motivos mais que justos e genuínos para ingressar neste “mundo novo”. Como meu amigo mora em São Paulo não pode participar mais de perto da “formação” de seu avô. Assim o avô descobriu em Santos uma escola de informática para aprender seus primeiros passos. A tal escola era perto de sua casa. Esta para se manter na legalidade com os softwares ministrava os cursos usando LINUX, Ubuntu se não me engano. E lá foi o vovô aprender. Algumas semanas depois meu amigo recebeu seu avô em casa e ofereceu o computador para que ele usasse e mostrasse as suas habilidades.
Pronto vovô, está ligado pode usar e fazer o que quiser.
Mas que tela esquisita. Está tudo diferente do que eu aprendi!! Cadê o Firefox?
Este é o Windows vovô, não foi neste que você aprendeu?
Não!! Eu aprendi no LINUX. Você não tem outro computador com LINUX para eu usar? Este Windows é muito diferente e muito complicado!
Este interessante diálogo mostra muitas coisas interessantes. Em primeiro lugar uma pessoa de idade, tendo a motivação real, uma finalidade específica, aprende muito bem, tão bem como qualquer jovem!! Dizer que pessoas idosas não têm “jeito” para informática é uma grande bobagem. Em segundo lugar como o LINUX foi o ambiente aprendido pelo vovô, este era para ele mais acolhedor e familiar. Claro que o vovô usava o “arroz com feijão”, os aplicativos do dia a dia. Ele jamais irá recompilar o Kernel do Linux ou escrever scripts, tampouco instalar programas usando comandos de terminal. O WINDOWS lhe pareceu estranho e pouco amistoso. Como meu amigo não tinha PC com LINUX em casa ele gastou um tempo explicando para o avô as “equivalências” entre os programas nos dois ambientes. No mesmo dia o vovô estava pilotando o Windows com maestria, tão bem como o Ubuntu que ele aprendera. Segunda lição do dia, sem preconceito, sem restrições prévias, quaisquer dos ambientes, Linux ou Windows atende às necessidades do vovô. E é possível transitar de um para o outro sem grandes traumas. Sem entrar em juízo de valor, se de um lado o Linux é gratuito e tem nativamente os recursos que o vovô precisa, o Windows é consagrado e largamente conhecido bem como tem evolução tecnológica bancada por uma empresa gigante como a Microsoft. Mas para o vovô, o mais importante é que ele hoje é um CIDADÃO DIGITAL!!
“Eu quero um Rotiadô”
Há quase dois anos eu estava fazendo um faxina em meu escritório e estava para jogar fora diversas peças de computador mais antigas. Tinha um monitor CRT de 15 polegadas que pensava se daria para vendê-lo. Percebi que com as peças que eu tinha dava para montar um PC tranqüilamente. Minha esposa sugeriu montar um PC e dar de presente junto com o monitor para a moça que nos ajuda em casa na cozinha, arrumação e na limpeza. Ela tem duas filhas adolescentes e um computador seria bem vindo. Montei um Pentium III de 800 Mhz com 256 Mbytes de RAM, placa de rede e HD de 20 Gb. Instalei um Windows Me que eu tinha. Era obviamente uma caixa original que nunca fora aberta. Instalei alguns aplicativos gratuitos ou shareware e um modem. Ela ficou super feliz e agradecida. Suas filhas adoraram. Soube que as meninas começaram a usar o Wordpad para digitar textos e trabalhos da escola, conseguiram acessar Internet, brincar com alguns jogos…
Mas há algumas semanas ela veio ter comigo uma conversa muito interessante :
Seu Flavio, o senhor teria aí nas suas coisas um “rotiadô” que não tá usando?
Um roteador? Acho que é isso, né? Eu tinha um sobrando, mas usei recentemente. Para que você quer um roteador?
É que meu vizinho, “duas casa” pra direita comprou uma Internet larga (acho que é isso). Ele disse que podemos “dividi” a Internet se “tivé” um “rotiadô”.
Mas como é que é isso? Vai passar fio entre as casas ou vai ser Internet sem fio? Tem problema de distância para usar sem fio.
Eu não sei nada disso de sem fio. Ele disse que “podemo” “passá” um tal fio azul pela parte de trás das “casa” e aí tanto a casa da minha irmã como eu “podemo tê” a Internet o dia todo. E quando “vié” a conta a gente divide.
Como eu não tenho agora não posso arranjar um pra você mas eu vou viajar na semana que vem e conseguirei comprar muito barato, quase quatro vezes mais barato que no Brasil. Eu compro para você.
Este diálogo foi INCRÍVEL para mim. Quando a moça que trabalha na minha casa nas tarefas domésticas está demandando roteador de Internet, isso quer dizer alguma coisa! O tal “puxadinho” (ou seria “gato”?) que eles queriam fazer com os fios de rede na parte de trás da casa não parece ser certo. Mas se a rede sem fio tivesse alcance e as duas casas pudessem usar o sinal, haveria problema?? Claro que não. Uma conta de ADSL, no caso SPEEDY da TELEFONICA, que custe R$ 69,90 por mês (1 Mbps), é caro para muitas pessoas. Assim dividindo por três a conta, de uma forma criativa, viabiliza a Internet BANDA LARGA para pessoas que jamais poderiam ter este “luxo”. São R$ 46,60 de economia, que é MUITO DINHEIRO para ela!! Não vou julgar se essencialmente o que ela quis fazer é errado ou certo. Não cabe a mim julgar. Eu quando viajei para Taiwan para a Computex 2008 comprei um roteador Wi-Fi com switch de 4 portas da DLINK DIR-300 por US$ 30 (menos de R$ 50) e dei de presente para ela. Soube que fizeram a instalação. Deu tudo certo e todos estavam super felizes por ter a Internet o dia todo disponível e sem ter que ocupar a linha do telefone nem pagar mais pelos minutos gastos. É incrível, mas as pessoas de baixa renda que usam Internet discada provavelmente gastam mais em conta de telefonia do que gastariam contratando um serviço desses.
Teve um momento engraçado nesta história. O vendedor da loja de Taiwan me garantiu que a tela de configuração do roteador não era em chinês e sim em inglês. Mas chegando ao Brasil quando fui testar o aparelho, estava tudo em chinês. Como iria dar de presente um roteador assim, que nem eu conseguiria configurar!!!? Por sorte ele veio com um CD que na tela inicial tinha escolha de idioma que incluía o nosso bom português. Ufa!! Fiz um manualzinho para ela, passo a passo como configurar o roteador, com as telas capturadas e imprimi. Ela disse que um vizinho que era “técnico” ia instalar para eles. No final deu tudo certo.
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Seguindo nessa linha de inclusão digital e a transformação da informática em alguma coisa muito acessível, participei na semana passada da divulgação de uma notícia muito importante. A Microsoft convidou jornalistas para compartilhar os resultados de uma experiência muito rica que fizeram e que teve conseqüências bem legais.
Há dois meses a Microsoft e a Livraria Saraiva fizeram um “teste de mercado” com o Microsoft Office 2007 Home Student. Este pacote da Microsoft visa o mercado doméstico (comoo nome indica) e contém o Word, Excel, PowerPoint e OneNote (gerenciador de informações pessoais que mimetiza um caderno de anotações). Há alguns anos este pacote custava mais de R$ 550.Há dois anos teve seu preço mudado para R$ 399. Mas neste “test-drive” feito pela Microsoft e pela Saraiva ele foi vendido por R$ 199 (metade do preço) em três prestações de R$ 66,33. O resultado foi notável. As vendas foram multiplicadas por 8 (OITO VEZES MAIS) nas primeiras semanas. Depois se estabilizaram em 4 a 5 vezes mais. Como conseqüência deste teste a Microsoft modificou o preço deste produto para este novo valor de R$ 199 e estendeu a promoção para todo o varejo. E assumiu o compromisso de que este é o novo patamar de preço para o produto.
A versão Home Student do MS Office 2007 permite que ele seja instalado legalmente em até 3 computadores dentro da mesma residência . Isso é incrível. Um MS Office totalmente legalizado, com direito a atualizações, etc. por menos de R$ 70 por estação e pago em 3 prestações. As pessoas que sempre reclamaram que software está caro no Brasil, e sempre tiveram razão, agora podem começar a repensar estas críticas.
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O sistema operacional Vista Home Basic e Home Premium também tiveram redução de preços seguindo a tendência do Office. O Basic custa agora R$ 299 e o Premium R$ 399 . Lembro-me da época do lançamento XP que a versão Home custava mais de R$ 600. Também metade do preço, mas com mais recursos que o XP Home tinha.
Segundo a Microsoft estas reduções de preço para o consumidor final também já se refletiram nas mesmas proporções nos integradores e fabricantes que vendem PC com Vista Home Premium ou Office 2007 pré-instalados. Assim PCs com estes programas já podem ser adquiridos por preços menores.
Eu questionei a Microsoft se alguém chegar à Saraiva, um gerente de TI de uma empresa, por exemplo, e pedir para comprar 30 caixas de Office Home Student e 30 caixas de Vista Home Premium, se isso será aceito pela loja e pela Microsoft. A loja ao ver que se trata de compra para empresa irá orientar o comprador que aquelas versões não são as mais indicadas para uso profissional (não tem o Outlook no Office e o Vista Home não entra em domínio de rede) e que volumes assim podem ser negociados de outra forma para as versões Professional (ou Business) dos produtos. Mas ninguém será impedido de comprar os produtos.
Mas informações sobre esta promoção pode ser obtidas aqui .
Chego a conclusão de que a tecnologia está cada vez mais presente em todas as camadas da população. Sejam pessoas de mais idade ou pessoas que vivem nas periferias das cidades e que têm rendas familiares mais baixas. Comprando e aprendendo a usar computadores, acesso à Internet banda larga e possibilidade de adquirir softwares de última geração a preços acessíveis, isso tudo é ótimo. Vivemos em uma era na qual . Quando mais pessoas obtêm acesso a este nível globalizado e irrestrito de informações, todos ganham. Cultura, notícias, conhecimento, experiências compartilhadas, tudo isso enriquecerá muito (no sentido amplo da palavra-não financeiro) o ser humano e quem sabe nosso bom Brasil possa ganhar bastante com isso ao longo do tempo.