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1227 processadores!!

Em abril de 1990 a NASA colocou em órbita o sensacional telescópio Hubble. Foi uma realização e tanto! Parafraseando nosso presidente, nunca na história deste planeta houvera um telescópio tão potente e com tamanha qualidade. Afinal, estando fora da atmosfera terrestre, sem a interferência da refração da luz e sem a presença das nuvens, imagens […]

Publicado: 14/05/2026 às 11:48
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7 minutos
1227 processadores!!
Construção civil — Foto: Reprodução

Em abril de 1990 a NASA colocou em órbita o sensacional telescópio Hubble. Foi uma realização e tanto! Parafraseando nosso presidente, nunca na história deste planeta houvera um telescópio tão potente e com tamanha qualidade. Afinal, estando fora da atmosfera terrestre, sem a interferência da refração da luz e sem a presença das nuvens, imagens perfeitas eram esperadas. Mas ao ser colocado em operação não foi bem isso que aconteceu. Um minúsculo defeito no polimento e na fixação de seu espelho principal tornou as imagens que deveriam ser magistrais em um arremedo distante da qualidade esperada. Frustração!! Mas acho que o final desta história você conhece. Três anos depois uma épica missão foi feita pelos garbosos astronautas na NASA para corrigir o defeito. Foi um choque!! A partir daí as imagens obtidas chocaram e emocionaram por sua beleza os mais sisudos e pragmáticos cientistas. Sua vida útil fora estimada entre 12 e 15 anos. Mas hoje em dia, 20 anos após ter sido colocado em órbita o Hubble continua firme e forte prestando o serviço e encantando a comunidade científica com um mar de informações, fotos, etc.

Mas o que te isso tudo a ver com processadores? Fácil de explicar. Como foi colocado em órbita em 1990, com toda certeza o projeto eletrônico do mesmo fora feito ainda em 1987 ou no máximo em 1988. Sendo assim o processador utilizado para o nobre Hubble era o emblemático e revolucionário 80386!! Revolucionário porque em 1986, quando foi entregue ao mercado introduziu “toneladas” de recursos novos, principalmente o modo virtual x86 que habilitou o desenvolvimento de sistemas multi-tarefas REAIS.Mas isso tudo é história. Só lembrando que ao ser lançado o 80386 tinha a “incrível” freqüência de 16 Mhz. Não sei dizer se foi este o modelo usado no Hubble, mas não foi muito longe disso uma vez que evoluiu até no máximo 33 Mhz pelas mãos da Intel enquanto a emergente e competente AMD fez sua versão de 40 Mhz.

Quando os astronautas da NASA fizeram 1993 o reparo do espelho do Hubble, também fizeram uma atualização de sua placa e seu processador. Em 1993 já havia Pentium eles apenas atualizaram o 386 por outro de freqüência mais elevada, provavelmente o de 33 Mhz, ampliandosua velocidade.

Em 1999 foi feita outra atualização do hardware do telescópio. Desta vez foi instalada uma placa com o também heróico e histórico 80486 de 25 Mhz e sua memória ampliada de 512 Mbytes para 2 Gbytes de RAM. Uma última atualização foi feita em meados desta década e desta vez a placa/processador foi trocada por um Pentium. Falando em fatos históricos 486 cresceu nas mãos da Intel até 100 Mhz, enquanto AMD chegou a fazer sua versão de 133 Mhz denominada de AM5x86 (que foi indevidamente chamada por alguns de 586).

Fora alguma imprecisão nesta cronologia ou em algum detalhe, que caso exista peço ser relevada (mas colaborações e correções são sempre bem vindas). Chegamos no ponto que queria para esta discussão. Nos últimos anos já havia processadores MUITO melhores que Pentium!! Na verdade pelas características de projeto de hardware, interfaces, placas, etc., a NASA não poderia ser feita uma manutenção assim tão radical. Já imaginaram o que seria trocar inúmeras placas no espaço, vestindo aquele “cômodo” traje de astronauta!!?? Mas fica a pergunta, de quem a NASA adquiriu este processadores tão anacrônicos!! De algum depósito que tinha estoque esquecido? De algum colecionador?? Nada disso. Comprou da própria INTEL, que nas ocasiões ainda fabricava os velhos 386, 486 e Pentium (o primordial), anos depois deles não estarem mais em evidência no mercado de PCs.

Pois é! Esta é surpresa!! Em recente conversa com Fidel Rios, executivo da Intel do Brasil, confirmei minhas suspeitas e descobertas. Em janeiro passado fizera uma pesquisa no site da Intel (por conta de uma artigo que escrevi sobre a nova família Core para um revista) e fiquei COMPLETAMENTE ESPANTADO com o que achei!! Preparem-se pois é incrível! Em janeiro de 2010 a Intel mantinha em seu catálogo de processadores

ativos

733 processadores para desktop e 494 processadores para notebooks . Isto resulta nos 1227 citados no título desta coluna.

Eu tive o cuidado de reunir todos eles em uma planilha Excel, que pode ser obtida aqui (formato xlsx 124 kb-exige Excel 2007). Mas quem quiser ver por si mesmo recomendo um caminho muito melhor. Há dois interessantes sites que contém estas informações em detalhes:

Os dois sites levam essencialmente às mesmas informações, mas com níveis de detalhes e formas de pesquisa distintas. Mas porque o número é tão elevado??? A Intel tem compromisso com muitos integradores e fabricantes de dispositivos embarcados que usam processadores mais antigos. Não faria sentido usar um Core i7 ou mesmo um Core 2 Duo em um quiosque de informações de Shopping Center ou em um caixa eletrônico de banco!! Há também nesta relação de 1227 processadores vários “steps” de um mesmo modelo, ou seja, variações ou pequenas evoluções que os diferenciam. Olhando a planilha (ou os sites) verão que por conta disso a Intel ainda tem em sua lista o CELERON de 266 Mhz (spec # SL2SY) fabricado na tecnologia de 0.25 micron, ou seja, 250 nanômetros (praticamente dez vezes maior que os processadores mais modernos). Também está na lista atual da Intel o Mobile Celeron de 266 Mhz (spec # SL3HM), também fabricado em 0.25 micron. Segundo o Fidel em algumas fábricas ainda são mantidas pequenas linhas de fabricação para estas pequenas peças arqueológica em silício! Ele também me contou que não faz tanto tempo assim que o próprio 486 e o Pentium primordial foram aposentados definitivamente, bem como Pentium II e Pentium III.

Existem paralelos fora da INTEL. O processador Z80 (8 bits), que foi fonte de inspiração para a Intel fazer o 8086 e o 8088 (16 bits) era fabricado até muito pouco tempo atrás (se é que ainda não é feito até hoje). O Z80 era o “campeão” em máquinas e controladores de processos industriais. Se alguém sabe se ele ainda é fabricado, agradeço a ajuda. Não conheço em detalhe a disponibilidade de processadores mais antigos da AMD, mas imagino que ela deva ter o mesmo compromisso com o legado e deve manter linhas para suprir o mercado com suas criações mais antigas.

Isso tudo explica como a NASA conseguiu realizar de forma confiável as atualizações do Hubble nas diversas incursões que aconteceram. Explica também porque o Hubble também está com data marcada para ser desativado. A NASA estima que ele ainda possa funcionar de forma confiável até 2014 ou talvez um pouco mais. Mas depois disso… Não tem mais peça de reposição (processador). Nesta ocasião (2014) será colocado em operação o James Webb Space Telescope (JWST), outro projeto bárbaro, desafiador e ainda mais poderoso. Só espero que a NASA não seja tão conservadora e use pelo menos um Core i5 em seu projeto e não um Pentium 4 ou Pentium-D (ambos ainda em produção hoje)!!!!

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