No começo de 2009 escrevi duas colunas (em seqüência) chamadas “Tecnologias de Futuro, parte 1 e parte 2 “, nas quais eu discuti um conjunto de tecnologias emergentes.Quero fazer o “mea culpa” apontando onde errei nas previsões e onde eventualmente acertei, mas não só isso. Após muitos meses ainda não vi nada que me mostrasse […]
No começo de 2009 escrevi duas colunas (em seqüência) chamadas “Tecnologias de Futuro, parte 1 e parte 2 “, nas quais eu discuti um conjunto de tecnologias emergentes.Quero fazer o “mea culpa” apontando onde errei nas previsões e onde eventualmente acertei, mas não só isso.
Após muitos meses ainda não vi nada que me mostrasse que o uso de energia sem fios, usando a tecnologia de indução, tivesse evoluído além dos bons protótipos. De tudo que discuti meses atrás este ponto é o que mais me atraíra pelas grandes aplicações práticas e simplificações (de ligações e conexões) nas casas e escritórios.
Mas não foi só isso que aparentemente não evoluiu tanto assim. Os novos processadores da INTEL da linha Core i5 e Core i7 ainda estão em seu momento inicial de curva de adoção. Com a chegada do Core i3, por preços mais acessíveis, esta nova plataforma poderá decolar de vez, bem como a adoção das necessárias memórias DDR3. Isso me interessa particularmente. Contei em texto recente que adquiri um notebook Lenovo T400 para repor minha máquina que fora subtraída de meu carro em abril passado. Um dos principais motivos foi o fato desta máquina usar memórias DDR3 e suportar 8 Gb (dois módulos de 4 Gb). Mas memórias para notebook com 4 Gb é ainda uma “mosca branca”. Achei em um ou dois sites na Internet por preços aviltantes, cerca de US$ 650 cada módulo. Ou seja, dá para comprar nos EUA dois bons notebooks apenas com o custo da expansão da memória. Achava que no começo de 2010 este quadro estaria diferente, mas nem tanto, muito pelo contrário.
Outro ponto que me chamou a atenção foi o tão falado Blu-ray. Vencedor da disputa com o HD-DVD parecia que ia chegar ao mercado como um verdadeiro trator, mas isso também não aconteceu. Ainda são poucas e caras as máquina que trazem o novo padrão para mídias óticas removíveis.Por quê?? A discussão está aberta, mas li em algum lugar que o Blu-ray tem um acréscimo de preço por conta de questões legais, pagamentos de royalties, licenças e coisas do gênero. A quantidade de títulos disponíveis nas locadoras de filmes ainda é baixa,mas um pouco maior do que no final de 2008.
Outra “menina dos meus olhos” são os discos SSD. Também escrevi a respeito mais de uma vez aqui no ForumPCs. Não vejo a hora de ter um reforço destes discos em meus próprios computadores. Ao longo de 2009 acompanhei alguns progressos. Alguns novos fabricantes entraram no mercado como a tradicionalíssima SEAGATE. A Intel já vinha mostrando ótimos produtos para a linha corporativa, que cresceram um pouco em capacidade, mas os preços ainda são muito,muito mesmo, diferentes dos discos magnéticos. Óbvio que jamais compartilharão os mesmos valores de mercado para a mesma capacidade, mas a distância poderia ter diminuído mais um pouco. Veja este exemplo, um SSD Intel de 160 Gb (X25-M) custa nos EUA US$ 500 enquanto um HD magnético tradicional de 1.5 Tb da Seagate custa US$ 130. Eu sei que esta comparação é por demais cruel. Mas realmente esperava que no início de 2010 esta imensa lacuna entre os dois tipos de produtos tivesse diminuído bem mais.
O promissor Wireless USB, ou WUSB, continua promissor mas sem que eu veja produtos disponíveis nas prateleiras com esta tecnologia. A mesma afirmação posso fazer do USB 3.0, também um padrão consolidado nas suas especificações, mas que ainda não chegou às prateleiras para os consumidores. Estas duas tecnologias têm um “problema” para chegar ao mercado. Ambas dependem de uma mudança mais radical nas placas mãe dos PCs pois há uma base instalada gigante, de bilhões de PCs no mundo com suporte a USB “cabeado” e no padrão 2.0, e que funcionam!! Assim só uma carona em novos tipos de placa mãe, que já traga estas duas novidades incorporadas, bem como dispositivos que os suportem que vão começar a tomar vulto e quem sabe volume. Será que as placas para os Core i3 (mais populares e baratos) trarão consigo já em 2010 estas evoluções, no volume necessário para adquirirem relevância??
Este foi o ponto que motivou esta minha coluna na qual estou divagando (talvez até me queixando). Não dizem que em informática tudo evolui tão rápido que se “piscamos os olhos” perdemos um monte de informações e novidades?? Se olharmos somente por estes exemplos, faz me lembrar da estória da lebre e da tartaruga. A lebre era tão rápida, que ao disputar a corrida com a tartaruga, distanciou-se tanto que resolveu parar para tirar uma soneca… A comparação é malvada, mas será que faz sentido?
Mas preciso ser justo. Algumas tecnologias se não explodiram, tiveram em 2009 um belo ano de crescimento. Começo a ver os tais aplicações 3D (monitores de 120 Hz auxiliados por óculos polarizados), os monitores LED (ainda não OLED), PCs usando bastante tecnologia touchscreen e mesmo os netbooks como elementos que amadureceram muito em 2009.
Mas o que esperar de 2010? Obviamente eu espero que avanço considerável seja percebido nas áreas que comentei no início deste texto. Acho que pode ser o ano dos SSDs, mas ainda para aplicações especializadas, com demanda por desempenho que justifique o preço extra, mas não tão dispendioso. Vejo como provável a chegada de uma grande quantidade de placas que trarão consigo tecnologias embarcadas como USB 3.0, WUSB, DDR3, etc. Não vejo como o ano da explosão do Blu-ray pelo estado de quase inércia percebido. Espero estar errado. No aspecto do software, a Microsoft pode ter um ano bem frutífero, pois colherá os louros da vitória pela chegada do bom Windows 7 e com a chegada do Office 2010, que como grande novidade trará as versões online dos aplicativos vindo enfrentar Google. Será que conseguirá? A AMD após uma fase de transição muito complicada, após mudar toda a sua operação, venda das fábricas, etc., aparentemente tem uma previsão de lançamentos bastante consistentes e de ótima qualidade. Mas ao mesmo tempo a Intel segue em seu frenético ritmo TIC-TOC (ou seria TOC-TIC?), como um verdadeiro trator, perseguindo a perpetuação da Lei de Moore, trazendo também inovações formidáveis. Será que veremos mais de perto um protótipo de processador operando com tecnologia de 22 nm? Os de 32 nm estão logo ali, quase que “dobrando a esquina”, não demora quase nada. São respostas que o futuro próximo nos reserva.
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