ITF Portal - Banner Topo
Slot: /23408374/itf-ad-banner-topo
720x300, 728x90, 728x210, 970x250, 970x90, 1190x250

Wi-Fi bichado, elevador no caminho e cabo trocado!

Não há lugar melhor que um fórum para contar nossos casos mais bizarros. Assim sentimo-nos melhor quando apanhamos demais em certa situação e percebemos que outras pessoas já passaram por isso também. Ou mesmo obter uma explicação “científica” para algum fenômeno aparente misterioso, quase mágico. Pois é, levei uma SURRA em uma instalação de rede […]

Publicado: 14/05/2026 às 22:05
Leitura
8 minutos
Wi-Fi bichado, elevador no caminho e cabo trocado!
Construção civil — Foto: Reprodução

Não há lugar melhor que um fórum para contar nossos casos mais bizarros. Assim sentimo-nos melhor quando apanhamos demais em certa situação e percebemos que outras pessoas já passaram por isso também. Ou mesmo obter uma explicação “científica” para algum fenômeno aparente misterioso, quase mágico. Pois é, levei uma SURRA em uma instalação de rede sem fio aparentemente trivial. E exatamente para que menos pessoas passem por esta experiência quase traumática que divido com vocês minha surra.

O local era grande. Apenas um access point não forneceria a cobertura de sinal, seriam necessários outros. Mesmo assim o primeiro “round” que fui ao chão, quase a nocaute, foi tentando usar apenas um AP (access point) em uma região da referida empresa. Ficava no último andar de um prédio e também no penúltimo (uma escada tipo caracol ligava os dois andares independentemente de elevador). Qual o primeiro mistério? Simples, em local onde o sinal ainda era forte o bastante, de tempos em tempos o sinal DESAPARECIA e reaparecia alguns segundos depois (cerca de 30 a 45 segundos). Claro que pensei tratar-se de access point com defeito. Troquei por outro (meu backup do escritório). O MESMO sintoma acontecia. Não poderia ser o aparelho uma vez que o segundo AP funcionava perfeitamente em meu escritório. Mas o que seria?

Nestas horas quando a solução correta não se descortina em nossa mente fazemos diversas coisas de menor importância. Mudei a posição do AP. Atualizei o firmware do equipamento, troquei o cabo de rede que ligava o modem ADSL ao access point/roteador… Sem sucesso. Mas em certo momento tive a impressão de que um sutil “barulho” antecedia a perda do sinal. De fato isso se repetiu mais algumas vezes. Só não acontecia quando estava diretamente com o notebook sendo usado para testes com “visada” para o access point (de frente), mas em outras salas a perda de sinal vinha sempre acompanhada pelo misterioso barulho (que vinha de algum lugar fora do escritório). Não fazia sentido algum, como um “barulho” poderia atrapalhar o funcionamento de uma rede Wi-Fi??? Podia sim…

O tal “barulho” vinha da sala de máquinas do sistema de elevadores do referido prédio. Como era no último andar a sala de máquinas ficava logo acima. Comocontava com um ótimo isolamento acústico, o barulho era minimamente perceptível. Mas se o som era satisfatoriamente filtrado, o mesmo não se poderia dizer das interferências eletromagnéticas dos motores em funcionamento. Esta era a explicação. Quando os elevadores eram acionados o sinal do Wi-Fi era perturbado a ponto de ser interrompido em alguns locais daquele escritório.

Tendo “caído ao chão” no primeiro round desta luta (garanto que quase levo um nocaute técnico!!), parti para a segunda parte da luta. A solução consistia em levar dois ou três cabos de rede para outros pontos do escritório e nestes instalar outros access points de forma a se livrarem da interferência funesta do vai e vem das pessoas subindo ou descendo naquele prédio. Foi com certo descrédito que minha recomendação foi aceita pela empresa. Mas independentemente do episódio do elevador eu já previra o uso de mais um ou dois APs para levar a rede de forma mais consistente para outros ambientes do escritório. E assim foi feito.

Dias depois me avisaram que os fios tinham sido instalados. Perguntei quem fizera a instalação e apenas me disseram que fora um profissional com grande conhecimento de instalações elétricas e rede. Melhor assim.

Mas nesta hora começou a minha segunda sequência de “surras” e “quedas ao chão”. Resumidamente, testei os pontos de rede conectando-os ao AP central e nas “pontas” testei com meu notebook. Sucesso! Obtinha endereço IP, acesso à Internet compartilhada pelo roteador/AP central com perfeição. Configurei dois APs idênticos, cada um deles com um SSID distinto (redes forçosamente diferentes). Para testá-los liguei um “patch cord” (aquele cabo de rede que acompanha os roteadores) diretamente no roteador central. Nesta configuração consegui me conectar às 3 redes sem fio existentes (roteador central e dois novos access points). Relembro que fiz isso conectando os 2 novos APs ao roteador central com os cabos fornecidos junto com os equipamentos.

Como já testara os cabos que chegavam aos pontos mais distantes com meu notebook com pleno sucesso, bastaria levar os novos APs para as “pontas” destes cabos, plugá-los em uma das quatro portas ethernet dos aparelhos e assim usufruir da rede sem fio nestes locais afastados com pleno sucesso (com já fiz tantas outras vezes).

Surra! Surra! Surra!!! Não funcionava!! Bizarro! Eu ligava o meu notebook na ponta dos cabos oriundos do AP central, funcionava. Ligava nos novos roteadores não funcionava de jeito nenhum! Nem pelo Wi-FI nem ligando o notebook direto via cabo nos novos roteadores. Levei os novos APs de volta ao local do AP central e ligados nele tudo funcionava. Desconfiei dos cabos, mas não poderia ser isso uma vez que o meu notebook obtinha IP, rede, Internet perfeitamente quando conectado aos cabos distantes!!

Você que teve a paciência de ler até aqui já desconfiou?? Imagina o que aconteceu?? Jogo duro!! Após diversos “cruzados de direita”, alguns “jabs”, alguns “ganchos na ponta do queixo”, eu estava a ponto de ser definitivamente nocauteado. Ia “jogar a toalha”!!

Em determinado momento, sentindo aquela sensação amarga de derrota, estava com os cabos de rede na mão, um patch-cord (que veio junto com o roteador) e o que fora passado do AP central até os pontos mais distantes. De maneira parecida com o que acontecera com o barulho do elevador, de repente percebi que o padrão de cores dos cabos não estava igual. Eu explico. Um cabo de rede padrão RJ45 consiste de oito pequenos fios que estão dentro daquele “fio azul”. Eles têm cores distintas exatamente para que sejam “pareados”, ou seja, os terminais em uma ponta sejam associados com os mesmos pares na outra ponta do fio. Simples assim.

Um cabo RJ45 comum usa apenas 4 vias e não todas as 8 vias existentes. Existe uma norma que define a sequência que estes fios/cores devem ser montados, em função do uso do mesmo. Um cabo “comum” deve ser montado assim : verde-branco/verde/laranja-branco/azul/azul-branco/laranja/marrom-branco/marrom. Melhor usar uma figura para ilustrar isso. Aproveito para mostra alguns tipos de cabos usados e definidos pelas normas técnicas.

Os dois tipos clássicos de cabos. O “comum”, aquele que liga switches a dispositivos de rede e o “cross”, para ligar dois PCs, por exemplo, um ao outro sem o uso de switches.

Este cabo é um dos dois modelos abonados pela norma técnica para conexão entre dispositivos ethernet e switches.

Este é o segundo padrão de cabos para conexão de dispositivos Ethernet a switches.

Este é o modelo clássico de cabo “cross” para interconexão direta entre equipamentos com interface ethernet, mais usado para conectar PCs entre si sem switches ou para conectar switches entre si (principalmente os mais antigos que exigiam cabos “cross” para isso).

Não tenho profundo conhecimento sobre “cabling”, muito pelo contrário. Apenas trouxe estes exemplos para ilustrar o que me aconteceu e melhor explicar a causa dos problemas que tive. Assim TODOS os comentários que explicarem melhor este ponto desta coluna são muito bem vindos, completando e/ou corrigindo algo que eu tenha falado.

De volta ao “causo”, vejam com bastante atenção que as CORES, ou melhor, a sequência de cores é definida, há norma que orienta a confecção dos cabos. Os cabos feitos pelo “especialista” estavam completamente diferentes destes citados. O fato concreto é que PONTO A PONTO o cabo feito fora da norma FUNCIONA, meu notebook ligado nestes cabos obtinham acesso pleno à rede. Mas quando ligado ao switch NÃO FUNCIONAVAM. Eu pedi que os cabos fossem feitos de novo seguindo a norma. Ligou para mim o eletricista do prédio me questionando que os cabos estavam funcionando. O especialista era um eletricista comum e não um especialista em redes. Sem preconceito algum o eletricista tem total competência para fazer cabos muito bem feitos, mas desde que siga a norma técnica que existe porque É NECESSÁRIA. Não é uma “frescura”. Depois de discutir um pouco com o profissional, passei para ele o padrão de cores a seguir. Meio a contra gosto ele fez e o problema foi resolvido.

Tudo funcionou perfeitamente. Como os PCs mais distantes estavam agora mais próximos aos novos APs, e funcionando, a interferência dos elevadores não mais foi sentida. Tudo acabou bem. Sempre aprendendo e sempre aproveitando estas oportunidades para dividir com o pessoal do ForumPcs estas situações inusitadas. O lado ruim é que no meu planejamento eu imaginei fazer tudo que fiz em no máximo duas horas. Acabei retornando ao local por três veze, três dias diferentes… Ossos do ofício. Pelo menos tive mais uma história para contar para vocês e para estimular o debate, a troca de conhecimentos, e aguardo colaborações, correções, complementos…

PS: Para saber quando publico coluna nova acompanhe-me no Twitter:

As melhores notícias de tecnologia B2B em primeira mão
Acompanhe todas as novidades diretamente na sua caixa de entrada
Imagem do ícone
Notícias
Imagem do ícone
Revistas
Imagem do ícone
Materiais
Imagem do ícone
Eventos
Imagem do ícone
Marketing
Imagem do ícone
Sustentabilidade
Autor
Notícias relacionadas