Como muitas pessoas eu me aventurei a testar as diversas versões do Windows 7 conforme elas iam se tornando públicas. Usuário convicto de máquinas virtuais que sou, a cada nova versão eu refazia meu ambiente de testes. Mas com a disponibilização da versão RTM (“release to manufacturing”-entregue para a fabricação), versão final do “7”, resolvi […]
Como muitas pessoas eu me aventurei a testar as diversas versões do Windows 7 conforme elas iam se tornando públicas. Usuário convicto de máquinas virtuais que sou, a cada nova versão eu refazia meu ambiente de testes. Mas com a disponibilização da versão RTM (“release to manufacturing”-entregue para a fabricação), versão final do “7”, resolvi mudar meu enfoque e testar de forma diferente o novo sistema da Microsoft. Devo alertar que este texto não é uma avaliação formal, um teste com base em benchmarks ou medidas objetivas. É o relato da forte experiência que tive com o “7” nas últimas semanas, usado em alguns equipamentos e minhas reais impressões.
A versão RC (“release cadidate”) chegara mais ou menos junto com meu novo notebook,reposto após a imensa perda já relatada aqui no ForumPCs . A idéia era já iniciar com o “7”. Tão logo chegou a máquina instalei o novo sistema. Para minha imensa surpresa não precisei fazer download de driver algum de meu LENOVO T400 (a propósito uma máquina maravilhosa-um dia eu falarei dela por aqui). Apenas uma aresta, o software que gerencia o login por impressão digital não funcionava. Por isso, como fiquei meio traumatizado com a perda do DELL que tinha antes, aliado à indefinição quanto à possibilidade de fazer upgrade da versão “RC” para a final (ou “RTM”), acabei voltando atrás e reinstalando o Vista Ultimate 64 bits. O breve tempo que fiquei com o “7” nesta máquina impressionou-me pela agilidade. Mas julgo os testes feitos nas máquinas “vazias” (sem nada instalado) ou máquinas virtuais, não serem comparações muito justas. Confrontar um PC totalmente “carregado” com todos os softwares necessários no dia a dia e um PC praticamente apenas com o sistema operacional não é comparação apropriada.
No começo de agosto quando a Microsoft disponibilizou a versão “RTM”, pensei comigo mesmo “agora vou mergulhar de cabeça e fazer um teste decente, fazendo o upgrade do Vista 64”. Por sinal a máquina estava super boa com o Vista 64, sem reclamação alguma. Obtido para testes o Ultimate 64 do Windows “7”, parti para a operação. Tentei fazer o upgrade pelo DVD. O teste de compatibilidade foi feito com sucesso!! Apenas meia dúzia de alertas sobre programas que deveriam ser reinstalados após o processo. Reservei um sábado inteiro e fiz uma imagem do HD do notebook (afinal prevenir-se contra acidentes não faz mal para ninguém). No domingo iniciei o processo todo animado, mas acabou sendo frustrante!! Apesar do teste de compatibilidade das aplicações ter sido feito com sucesso, na hora do “vamos ver” a atualização foi interrompida: “o idioma de seu Windows não é o mesmo da versão sendo instalada”. De fato a versão RTM do “7” era em inglês. Eu pensei que os pacotes de idiomas (que transformam as mensagens e menus do Vista e o “7” em qualquer outra) seriam suficientes. Não eram. Teria que esperar uma versão “RTM” em português Brasil, sem chance.
Fico a pensar se não seria uma boa idéia passar a usar a versão em inglês (“original”) do “7” e instalar o pacote de idiomas português Brasil. Assim mesmo os service packs poderão já ser usados desde seu lançamento, que sempre são inicialmente em inglês. É um caso para se pensar. Mas não daria para eu fazer isso agora, pois reinstalar todo meu T400 de novo foi algo extremamente moroso, até que ele ficasse absolutamente apto e atendendo todas as minhas necessidades. Iria esperar pelo RTM em português.
Paciência é uma das maiores virtudes. Duas semanas depois consegui o “7” Ultimate 64 em português Brasil. Estava pronto para a cirurgia novamente. Outro sábado foi reservado, outra imagem completa do HD feita com o GHOST usando o CD BART PE. Fiquei de escrever uma coluna para explicar como montar este CD de boot para várias pessoas que me perguntaram. Será feito. Eu tinha me esquecido, peço desculpas por isso.
Compatibilidade testada mais uma vez. Dessa vez levei mais a sério, pois o plano seria uma migração definitiva. Arquivos offline estariam indisponíveis e alguns programas deveriam ser checados ou reinstalados. Nada de mais. Segue abaixo cópia deste relatório com os alertas.
A instalação foi rápida, cerca de 20 minutos. Mas a etapa final que era a atualização e compatibilização com os programas pré-instalados é que foi demorada. Vou aprofundar mais este tema em coluna próxima. É um assunto que recentemente me deparei no MS Tech-ED 2009, sobre os SHIMs-recurso que identifica e compatibiliza aplicações antigas no Vista e no “7”. A análise e aplicação dos SHIMs demoraram entre 30 a 40 minutos. A máquina estava pronta. Será que estava a altura de minhas expectativas??
No primeiro boot não vi grande diferença. Pareceu igual ou pior que o Vista. Era cedo para julgar. Daí para frente foram só boas surpresas. Penso que este seria O TESTE. Afinal era um upgrade de uma máquina com uma configuração complexa, com dezenas de programas instalados. De cara percebi algo que já sabia (na teoria), que o “7” gerencia a memória de forma diferente do Vista. Após o boot sobra mais memória agora. Os programas abrem de forma muito ágil.
Algo que já sabia que aconteceria incomodou-me logo de cara, a falta da barra de “inicialização rápida”. Será que a nova barra de tarefas poderia substituí-la no dia a dia? Eu tinha quase 40 atalhos no meu Vista. Inicialmente eu coloquei quase todos os atalhos antigos na nova barra de tarefas. Para quem não sabe, esta é ao mesmo tempo atalho para aplicativos mais usados e acesso aos programas já carregados. Os ícones com destaque são aqueles programas já na memória (ao clicar o acesso é instantâneo). Mas eu tinha na antiga barra de inicialização rápida atalhos para documentos (que não são permitidos-não diretamente). Assim acabei por resgatar a velha barra de inicialização rápida somente para os ícones que não pude usa na barra de tarefas. Fiquei com o melhor dos dois mundos e gostei muito da experiência. Vejam as telas abaixo.
Mas após alguns boots e sessão de Windows Update a atualização se estabilizou e este ficou mais rápido que o boot do Vista. Eu uso muito HIBERNAR o notebook. Hibernar 4 Gb de RAM é lento, não tem milagre, são 4 Gb que devem ser gravados ou lidos no disco rígido. Mas o “7” é sensivelmente mais rápido que o Vista nesta operação (quase 1 minuto no Vista e perto de 30 segundos no “7”).
Reinstalei o VMware Workstation (aproveitei para atualizar da versão 6.5.1 para 6.5.3), instalei de novo o MAGIC ISO (DVD virtual). O SQL 2008, apesar do alerta não apresentou problema algum, funcionou perfeitamente.
O INTEL PRO SET Wireless foi atualizado sozinho no primeiro Windows Update. Os softwares da LENOVO ainda não têm versão para o “7”, mas não comprometeram a máquina. Espero que nas próximas semanas eu possa atualizá-los, principalmente o ACTIVE PROTECTION SYSTEM que é responsável por estacionar a cabeça do HD quando é percebida súbita aceleração ou desaceleração do equipamento.
Os programas abrem mais rapidamente. Jamais tive uma tela azul (às vezes obtinha tela azul ao fazer shutdown no Vista). As mudanças de configuração de rede são instantâneas (ao contrário do XP e principalmente do Vista que demorava um tempão para efetivar a mudança). A quantidade de drivers é imensa, tudo de meu notebook foi detectado (não usei drivers do fabricante): webcam, sensor de impressão digital, minhas impressoras, leitor de cartões de memória, som, Bluetooth, etc.
Jogo muito pouco, mas o GP3 e GP4 que me acompanham há muito tempo rodam direitinho e muito bem!! O TIGER WOODS PGA Tour (golfe) não funcionava. Gastei um tempo tentando modo de compatibilidade. Tentei com XP SP2, SP3 e continuava sem rodar. Tentei compatibilidade com Vista SP2 e rodou perfeitamente. O jogo é antigo, deveria ter funcionado com modo XP, mas lembro que era um upgrade de Vista e por isso o funcionou desta forma aparentemente estranha. Mas funcionou. Posso agora nas horas vagas tanto acelerar pelas pistas como dar algumas tacadas no “7”.
O efeito “hibernar” do “7” também se manifestou no VMware. Uso muitas máquinas virtuais e volta e meia interrompo e restauro as VMs. No “7” esta operação é também muito mais rápida. É possível que o novo Windows seja mais eficiente ao se comunicar com o competente HD Seagate 500 Gb 7200 rpm que instalei no Lenovo T400 (encomenda trazida de Taiwan para mim gentilmente pelo Mestre Piropo).
Depois do pleno sucesso com o LENOVO, resolvi tentar o mesmo milagre no meu antigo DELL D520, máquina de 3 anos e meio, processador Core Duo (não é Core 2 Duo) de 1.6 Ghz e 3 Gb de RAM). Essa máquina tinha Windows XP Professional desde sua compra. Após dezenas de softwares instalados e usada por muito tempo, estava lentíssima!! Poder-se-ia dizer que seu boot completo demorava quase 20 minutos (até o HD sossegar e a máquina ficar mais responsiva). Sendo um processador dual core e com 3 Gb de RAM não era para esta máquina estar tão pesada. Tentei de cara o upgrade do XP para o “7” Professional. NEGATIVO. Não há upgrade direto do XP para o “7”, só a partir do Vista. Má notícia. Mas não me dei por vencido. Também fiz uma imagem GHOST do HD, instalei um Vista Business sobre o XP, fazendo o upgrade com poucas incompatibilidades. O Vista SP2 já está mais maduro que o original, fato este que facilitou muito esta atualização.
Vista instalado, a máquina já ficou um pouco melhor, mas ainda morosa. Na seqüência mandei um “7” em cima do Vista e o upgrade dessa vez funcionou!! Acabei com o velho D520 com o Windows “7”. De cara percebi que estava bem mais ágil. O boot ainda demorava mas o PC deixava de ter uma tonelada sobre as costas. Em menos de 4 minutos o D520 com “7” já estava funcionando muito bem. E o “7” ressuscitou o SQL 2000 que parara de funcionar sob o Vista (rodava perfeito no XP). Esta máquina desempenha hoje funções administrativas no meu escritório. Não uso mais todo o ambiente de desenvolvimento ali presente, nem máquinas virtuais ou banco de dados. Assim apesar da imensa melhora resolvi radicalizar. Após quatro dias usando a máquina dessa forma eu a formatei e instalei a partir do zero o Windows 7 Professional 32 bits em português. Impressionante!! O velho DELL D520 está VOANDO!! Está certo que hoje só tem instalado o “7”, Office 2007, Acrobat, Flash Player, Nero 8, impressoras e nada mais. Mas ficou realmente incrível o comportamento do notebook nesta nova situação. Ganhei anos de uso com este noteebook usando o novo sistema operacional.
Eu deveria ter uma queixa séria contra o “7”. Precisaria ter uma para poder contar para vocês. Não consegui achar. Pelo menos até agora. E ao contrário de estar “testando” um PC com Windows 7, eu estou USANDO há mais de duas semanas máquinas REAIS de PRODUÇÃO, usando direto no escritório, carregando o T400 para empresas… Claro que mais cedo ou mais tarde vou acabar tendo alguma queixa, mas impressiona-me a qualidade percebida até então. Línguas maldosas dizem que o “7” é o Windows que o Vista deveria ter sido. Meu bom amigo André Gurgel até radicaliza dizendo que o “7” deveria ser oferecido sem custo como se fora um service Pack 3 do Vista. Não vou entrar neste mérito. Reconheço virtudes também no Vista, mas que de fato no “7” a Microsoft caprichou muito, isso é para mim verdade irrefutável. Quem ainda tem dúvidas, deveria experimentar. Acho que vai se impressionar também.
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