A idéia para esta coluna nasceu neste dias mesmo, quando chegou o novo notebook que comprei para substituir meu heróico DELL D520. Afinal será que já chegou a hora de embarcar nos 64 bits? Será que vale a pena tanto para notebook como para desktops? Ou não, ficamos no “velho e bom” 32 bits? Vou […]
A idéia para esta coluna nasceu neste dias mesmo, quando chegou o novo notebook
que comprei para substituir meu heróico DELL D520. Afinal será que já chegou a
hora de embarcar nos 64 bits? Será que vale a pena tanto para notebook como para
desktops? Ou não, ficamos no “velho e bom” 32 bits? Vou traçar alguns cenários,
rever alguns conceitos e quem sabe possamos discutir se já chegou a hora. Este
artigo visa principalmente os usuários menos “sofisticados” que ainda não sabem
muito bem as características de um ou de outro ambiente.
Gozado que este
tipo de situação se repete de tempos em tempos. Já vivi esta cena na passagem do
mundo de 16 bits para o mundo de 32 bits. Havia relutância na adoção da nova
tecnologia. Porque o mesmo fenômeno acontece de novo no mundo de 64 bits? Qual a
razão da resistência? Será que a versão 64 bits do Vista vale a pena? O que ela
tem de diferente?

A tecnologia de
64 bits está no mercado desde o início de 2003, ou seja, há mais de cinco anos,
quando surgiram os primeiro processadores com esta capacidade. No começo sua
adoção foi quase nula porque não havia sistema operacional para usá-lo. Algumas
distribuições de Linux chegaram primeiro. Windows Server 2003 veio depois (2005)
e na seqüência XP 64 (que é na verdade um 2003 64 com “cara” de XP). O Vista foi
o primeiro sistema operacional da Microsoft que nasceu já com versão de 64 bits,
projetado assim. E este foi muito pouco explorado até então. Hoje em dia menos
de 10% das cópias do Vista são de 64 bits. Porque?
A resposta é simples.
Até então poucas pessoas tiveram real necessidade de um sistema operacional de
64 bits como o Vista 64. Mas isso tem mudado e rapidamente. A maior diferença
está na capacidade de gerenciar maior quantidade de memória RAM. O Vista
“clássico” de 32 bits consegue reconhecer e utilizar até 4 Gbytes. Na verdade
menos. Dependendo do projeto do hardware, alguns endereços do topo são usados ou
reservados tornando na prática entre 3.0 Gbytes e 3.5 Gbytes disponíveis para o
sistema operacional. É uma limitação do processador de 32 bits (que tem menos
vias de endereçamento de memória). Nos processadores de 64 bits teoricamente
podem ser endereçados 16 milhões de terabytes, valor inimaginável. Os
computadores atuais usam apenas 48 para endereçamento que limita este valor a
“apenas” 32 terabytes. Na prática podem ser encontrados computadores pessoais
que podem chegar a 16 Gbytes e servidores que podem receber 256 Gbytes
(limitações de projeto). Estes são os limites teóricos que o próprio Vista 64
pode gerenciar.
O fato de um sistema operacional usar uma “palavra”
maior (como é chamado o conjunto de 64 bits) permite que várias operações sejam
executadas mais rapidamente, principalmente as funções que manipulam grandes
quantidades de dados, pois estes podem trafegar e serem processados mais
rapidamente. Isto leva a uma das razões da demora para adoção de 64 bits,
softwares apropriados.
A maneira como a Microsoft desenvolveu o Vista 64
permite que programas de 32 bits sejam usados sem grandes traumas. Um subsistema
chamado WoW (Windows on Windows) presente no Vista 64 traz uma camada de
compatibilidade com o mundo 32 bits. Isso permite que uma grande quantidade de
programas funcione neste novo mundo sem adaptação imediata. Mas isso é bom?
Claro que é, mas os desenvolvedores assim não têm tanta pressa para oferecer
versões nativas 64 bits.
Os servidores, começando pelo Window Server
2003 e atualmente Windows 2008 Server têm versões de 64 bits exatamente para
tirar o máximo partido da maior capacidade de memória. Mas nestes ambientes de
servidor os softwares mais usados como, por exemplo, bancos de dados (SQL Server
2005 64 bits), correio (Exchange 2007 64 bits) e vários outros programas estão
disponíveis e não somente o sistema operacional pode usar mais de 4 Gbytes como
cada uma destes programas “nativos” 64 também pode. No Vista 32, bem como o XP,
o máximo de memória que um único programa consegue usar é 2 Gbytes. Existe uma
“manobra” que permite levar em casos especiais este valor para 3 Gbytes. Mas é
só.
No Vista 64 isso é diferente. Imagine um PC com 8 Gbytes. Parece
muito? Veja quanto custa hoje quatro pentes de memória de 2 Gbytes. Bem
razoável. Neste PC diversos programas de 32 bits poderão rodar simultaneamente,
cada um deles alocando o seu máximo de 2 Gbytes sem problema algum. Este é o
primeiro grande diferencial palpável para o usuário ao adotar arquitetura de 64
bits. Usar bem mais e melhor o PC, com mais programas ao mesmo tempo graças ao
sistema administrar mais memória. Mas e se os programas fossem “nativos 64
bits”? Funcionariam melhor, isso não há dúvidas. Mas não há grande esforço
atualmente para isso porque os programas do dia a dia nem usam tanta memória
assim. Documentos, planilhas, apresentações, leitura de e-mail não precisam hoje
de tantos recursos.
Porém existem tipos de programas que a versão 64
bits é muito bem vinda pela sua característica de manipular grande quantidade de
informações. O primeiro nome que vem à mente é o Photoshop. Usuários
profissionais teriam imenso ganho. Foi noticiado que a nova versão CS4 do
Photoshop teria uma versão nativa 64 bits. Programas para manipulação de vídeo,
gerenciadores complexos de mídia, são exemplos de programas que podem ter um
imenso salto de qualidade no ambiente Vista 64.

Configuração do PC evidenciando versão 64 bits do Vista ? meu desktop
Como foi
a migração do meu DESKTOP para o Vista 64?
Se o usuário tiver um
PC mais moderno que permite expandir sua memória além dos triviais 4 Gbytes, a
versão 64 é um boa pedida. Uma dúvida recorrente manifestada pelos usuários de
Vista 32 é o fato de antes do SP1 este mostrar “somente” 3.0 ou 3.5 Gbytes em
seus sistemas. O motivo já foi explicado nas linhas anteriores. Após o SP1 O
Vista 32 mostra que o PC tem 4 Gbytes mas continua usando menos que isso. Assim
mesmo em PCs com 4 Gbytes o Vista 64 permite usar toda esta memória. Mas é nos
PCs que poderão ser expandidos para 8 ou 16 Gbytes que o Vista 64 é
indispensável.
Este era o caso do colunista que aqui escreve. Tendo em
mãos um PC mais avantajado parti direto para a versão 64 do Vista. A saber, era
na ocasião um PC com processado Intel Core 2 Duo E8400 (3.0 Ghz) o qual recebeu
4 Gbytes de RAM (mais tarde expandido para 8 Gbytes) e dois discos de 500
Gbytes. Antes da instalação a preocupação era evidente, os tão famosos drivers.
Encontraria todos que precisava para a versão 64 bits?
Ao falar de
drivers cabe aqui uma explicação muito importante. Existe uma diferença técnica
grande entre os drivers de 32 bits para os drivers de 64 bits. Não somente eles
precisam de uma construção diferente, usando os recursos nativos da nova
plataforma como eles precisam ser “assinados”. Os tais “signed drivers” são um
tipo de carimbo de homologação feito pela Microsoft. Isto garante que o driver
foi construído segundo as boas normas e práticas de desenvolvimento e que a
Microsoft dá o seu aval técnico. O objetivo da Microsoft com isso foi tentar
garantir que na nova plataforma não haveria drivers mal desenvolvidos e que
pudessem causar instabilidade no sistema. Os drivers atuam no sistema em um
nível muito próximo do hardware e têm acesso a áreas de memória que programas
comuns não têm. Um driver “bugado” é capaz de fazer imensos estragos e tornar o
PC muito instável. Como não existia ainda o ecossistema de Vista 64 bits
formado, a Microsoft instituiu esta política visando melhorar a qualidade do seu
produto, pois muitas vezes o Windows NT, 2000, XP e mesmo os antigos 98 e
Milenium tornavam-se erráticos e com muitas falhas por causa de drivers de
terceiros mal desenvolvidos. Inicialmente esta exigência poderia dificultar o
aparecimento de drivers, mas como ainda não existiam na versão 64 bits os
fabricantes compraram a idéia de Microsoft e passaram a homologar os seus novos
drivers tornando-os “assinados”. Os “signed drivers” tornam em teoria o ambiente
64 muito mais estável, pois afasta uma fração considerável de fontes de
problemas. No Vista 32 esta exigência não existe por causa do grande legado de
drivers existentes.
Após instalado o Vista 64 uma imensa quantidade de
dispositivos não fora reconhecida. O PC em questão tem uma placa mãe moderna
feita pelo fabricante Gigabyte. O CD que a acompanha foi instalado e após este
simples procedimento quase todos os elementos não identificados foram instalados
corretamente. Impressora multifuncional HP PSC-2410, no-break APC Back-UPS RS
1500, monitor LCD, drive leitor de cartões de memória, foram todos imediatamente
reconhecidos. Ficaram ainda sem reconhecimento a placa de vídeo, uma AMD/ATI
3850 e uma placa de TV da Encore. A placa de vídeo foi fácil. Atualmente os
grandes fabricantes como AMD/ATI e NVIDIA têm em seus sites prontos para
download as versões de 64 bits de seus drivers de vídeo para Vista. Cheguei a
trocar a placa de vídeo várias vezes para testá-las para outras publicações.
Testei AMD 4850, 4870, 4870 X2, Nvidia 9800 GTX, 8800 GTS, 6400, etc. Para todas
estas placas de vídeo, mais modernas ou nem tanto não houve problema para achar
e instalar o driver versão 64 bits. A placa de TV marca Saphire tinha em seu CD
também um driver 64 bits. Feliz surpresa, pois fora uma compra de impulso em uma
pequena lojinha de informática e é uma placa de baixo custo.

Dispositivos todos reconhecidos e instalados no Vista 64 em meu desktop
E quanto aos softwares que eu preciso e gosto
de usar? O WoW (Windows on Windows) faz um excelente trabalho para garantir a
compatibilidade de programas de 32 bits com o ambiente 64 bits. Mas há exceções.
Compreensíveis exceções. Software que mesmo não sendo driver e que atuam em um
nível mais baixo ou sensível da máquina exigem versões específicas. Este é o
caso de antivírus. Deve ser instalada uma versão especial para 64 bits. Isso
acaba sendo bom, pois a versão atualizada traz ganhos esperados de desempenho
por usar melhor os recursos nativos da plataforma.
A grande parte dos
aplicativos nativos do Vista 64 são 64 bits. Existem também duas versões do
Internet Explorer 7 no Vista 64. A versão padrão usada no dia a dia é a versão
32 bits. Por quê? Principalmente por causa dos aplicativos de segurança e
teclados virtuais que alguns bancos usam, todos desenvolvidos para o IE de 32
bits. A versão 64 está lá para quem quiser usá-la, com respostas um pouco mais
rápidas. No dia que isso não for mais problema esta versão passa a ser a padrão.

Vista 64 com suas duas versões do IE7 : 32 e 64 bits

IE versão 64 bits
Tive problemas
somente com um programa. O NERO Burning ROM 8. Curioso pois desde a versão 8.0 o
NERO tem o selo de compatibilidade plena com o Vista. Mas por questões de
engenharia (segundo a AHEAD ? desenvolvedora do Nero) eles removeram da versão
do Vista 64 o aplicativo Nero Image Drive que permite criar CDs ou DVDs virtuais
para serem usados com imagens ISO ou arquivos NRG do próprio Nero. Que mancada!
Mas a solução foi simples. Após uma pesquisa na Internet de alguns minutos
(“Googlada”) achei o software PowerISO que faz a mesma coisa e é gratuito para
esta função (para usar outros recursos de edição avançada de imagens de CD e DVD
ele exige registro).
Resolvidos os problemas do antivírus e do Nero
Image Drive tinha todo meu ambiente funcionando perfeitamente no Vista 64. Uma
grande quantidade de softwares foi instalada. Alguns corriqueiros como Office
2007, 3DMARK, DVD Shrink e outros menos comuns como VMware (virtualização),
Pinnacle Studio 11, etc. Muitos jogos antigos funcionaram logo de cara. Alguns
exigiram usar o assistente de compatibilidade do Vista, não pelo fato do
ambiente 64 e sim para rodarem sob Vista ( na versão 32 bits também precisaram
ser ajustados desta forma).
Importante informação. Não é possível
realizar um upgrade do Vista versão 32 bits para o Vista 64 bits. Uma instalação
nova e “limpa” é requerida. Por isso que no caso citado todo o processo de
instalação de programas precisou ser feito de novo. É uma limitação oriunda das
grandes diferenças de arquitetura entre as versões.
Como foi a migração do meu novo NOTEBOOK para o Vista
64?
O caso de meu notebook novo, um DELL Inspiron 1525 foi
curioso. Eu assumi um risco. Não assumiria se não tivesse passado já por isso no
meu desktop. No site da DELL o referido modelo NÃO TEM DRIVERS para 64 bits,
pelo menos não explicitamente. O processador é um Centrino Core 2 Duo T8100 (2.1
Ghz), o chipset é o Intel 965. Eu comprei comm 4 Gbytes, Vista Home Basic 32
bits (o mais barato) e sapequei um Vista Ultimate 64 que tinha aqui guardadinho
esperando por ele. Quase todos os drivers no site da DELL suportavam 64 bits
(mesmo não tendo este opção). Alguns como o da rede sem fio (Intel 4965 AGN) e o
driver do vídeo consegui no site da Intel. Alguns itens me deram trabalho. O
prosaico leitor de mídias (leitor de cartões de memória) e a webcam integrada,
ambos não funcionavam. Também o DELL QUICKSET, utilitário que dá vida às teclas
de função do notebook também não. Precisei farejar e chafurdar muito no site da
DELL e acabei achando outros modelos que têm suporte explícito a 64 bits e usei
os softwares/drivers destes outros modelos. No final tudo deu certo!! Todos os
dispositivos funcionando. Chato isso. A limitação do 32 bits no site da DELL é
somente mercadológica e não técnica pois eles direcionam os notebooks para
negócios o suporte a 64 bits e os notebooks “pessoais” para 32 bits. Na minha
opinião, uma bobagem. Mas o que interessa é que apesar da DELL querer ou não,
meu Inspiron 1525 é agora uma máquina de 64 bits.
E
os resultados ?
Como tivera o Vista 32 instalado na mesma máquina
antes (o desktop), tive uma base sólida de comparação. Usando programas de
testes sintéticos (que medem velocidades de determinadas funções da máquina) as
diferenças são ínfimas. Alguns casos de 1% a 4% mais lento no 64 bits e alguns
casos de 1% a 4% mais rápidos. Assim ganho de velocidade não é motivo para mudar
versão do Vista. Mas velocidade absoluta não é tudo. A diferença foi imensa na
usabilidade do sistema. Sou usuário que freqüentemente carrego dez ou mais
programas ao mesmo tempo. Nesta situação o 64 é insuperável. Com os mesmos 4
Gbytes instalados no PC, por sua capacidade de reconhecer quase 1 Gbyte a mais
que o Vista 32 na mesma situação, a diferença, o conforto ao usar é bem
pronunciado, tanto no notebook como no desktop.
Mas ao fazer a
atualização do PC que o 64 mostrou sua valentia. Inicialmente passando de 4
Gbytes para 8 Gbytes o “espaço” dobrou e aquela situação de usar muitos
programas abertos ao mesmo tempo ficou ainda melhor. Ao ligar o PC ele fica
acessando o disco rígido por uns três a cinco minutos, mas depois como tudo está
em memória a máquina fica muito ágil. Este mesmo PC recebeu mais tarde um
processador de quatro núcleos, um Intel Core 2 Quad Q9400 (2,66 Ghz) para fazer
jus ao robusto ambiente.
Confesso que fui pego de surpresa. Feliz
surpresa. Esperava colecionar alguns infortúnios ao longo do tempo ao adotar o
Vista 64. Esperava diversos problemas de compatibilidade, falta de drivers para
os meus periféricos. Na prática todos os dispositivos que já funcionavam no
Vista 32 funcionaram no Vista 64. Esperava experimentar algumas instabilidades
fruto de um ambiente menos testado, afinal apenas uma pequena fração de usuários
já migrara para 64. Esperava situações insolúveis. Afinal me submeti a um teste
visando aprender e quem sabe ter um bom tema para dividir com os leitores. Mas
nada disso aconteceu. Uso este PC há muitos meses e o notebook há algumas
semanas. A robustez do ambiente 64 me cativou. Não volto para o Vista 32 por
nada deste mundo, ainda mais agora que este PC tem 8 Gbytes de memória que
seriam ignorados pelo 32.
Conclusão
Não se pode dizer que o Vista
64 é pior que seu irmão de 32 bits. Pode-se afirmar exatamente o contrário! Mas
talvez não seja a receita para todos. Quem não dispõe de hardware que permita
explorar a potencialidade máxima do 64, mudar não faz sentido e não trará
benefício algum. Situação inversa de quem tem muita memória e Vista 64, nem que
seja para rodar muitos programas de 32 bits simultaneamente muito melhor.

Vejam no acima
Gerenciador de tarefas em destaque os programas 32 bits e todos os outros 64
bits incluindo programas prosaicos como Solitaire (paciência) , Notepad (bloco
de notas). Programas com *32 são de 32 bits, todos os outros que não têm esta
notação são de 64 bits.
Ainda há um longo caminho a percorrer pelos
desenvolvedores de software, pois muitos programas ainda são 32 bits. A
Microsoft deu o exemplo. Bloco de notas, Paciência, Wordpad, os programas mais
simples do Vista são nativos 64 bits. Com certeza estes programas citados não
têm benefício perceptível algum, pois não estressam a memória, não usam muita
memória. Mas com versões nativas 64 de programas como Photoshop, Pinnacle
Studio, PowerDVD, Nero, Office, só para citar alguns, o potencial máximo do
Vista 64 aparecerá rodando ainda melhor toda esta categoria de programas e
oferecendo para o usuário uma experiência ainda mais rica que oferece hoje.