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Barreiras e degraus da Tecnologia

Este texto não fala sobre os limites intransponíveis do mundo da informática. Não discute o inalcançável (será?) processo de 12 nm para produção de microprocessadores. Nem outros limites que atualmente parecem ameaçar reduzir a inexorável velocidade do progresso da informática. Não é sobre nada disso. Quero discutir algo muito mais simples. É algo que nestes […]

Publicado: 13/05/2026 às 11:39
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7 minutos
Barreiras e degraus da Tecnologia
Construção civil — Foto: Reprodução

Este texto não fala sobre os limites intransponíveis do mundo da informática. Não discute o inalcançável (será?) processo de 12 nm para produção de microprocessadores. Nem outros limites que atualmente parecem ameaçar reduzir a inexorável velocidade do progresso da informática. Não é sobre nada disso. Quero discutir algo muito mais simples. É algo que nestes tempos de festas natalinas e de ano novo, o maior convívio familiar nos proporciona observar detalhes muito interessantes.

Tem ficado claro para mim que ao longo dos últimos anos e talvez até últimas décadas a adoção de novos produtos e novas tecnologias tem acontecido “em degraus”. Eu explico. Automóveis existem desde o final do século 19, se não me falha a memória lá por 1890. O famoso Ford “T” da década de 1910, por exemplo, era uma máquina de uso muito difícil. O condutor devia ligar a chave, que permitia a passagem de corrente elétrica da bateria para o sistema de ignição (magneto), acertar o ponto de ignição na alavanca esquerda abaixo do volante, não podia ficar nem muito atrasado, nem muito adiantado, ajustar a alavanca de aceleração, que ficava abaixo do volante, porém do lado direito. Deveria se dirigir até a frente do carro para acionar o motor com o auxilio de uma manivela. Quando tudo colaborava, bastavam de três a cinco voltas para o motor iniciar seu trabalho. Mudar marcha era um inferno. Apesar de dispor de três pedais no assoalho, suas funções eram muito diferentes dos atuais: o primeiro pedal da direita acionava o freio de trabalho, o segundo pedal acionava o acoplamento da marcha à ré e por fim o terceiro pedal fazia engrenar a primeira marcha, neutro e segunda marcha, sendo que não existia o desacoplamento proporcionado pelos modernos sistemas de embreagem. A troca de marchas era feita no tempo do motor, como nas caixas de mudanças secas.

Apesar desta complicação toda este carro revolucionou a indústria automobilística. Mas quem podia (ou queria) usá-lo era um número razoavelmente restrito. Só com os avanços das décadas seguintes que o automóvel pode ser tornar realmente democrático e popular, ao alcance de todos (tanto pelo aspecto custo pela facilidade de uso).

Outro exemplo muito mais recente é o caso das máquinas fotográficas. Até muito pouco tempo atrás meu sogro ainda usava aquelas máquinas bem simples com filmes químicos de 35 mm. Ele e muitas outras pessoas não tinham a necessidade de uma máquina analógica sofisticada, também cara. Mesmo quando as máquinas digitais já estavam disseminadas ele insistia em sua máquina analógica simples. Somente quando surgiram máquinas digitais bem pequenas (de bolso), muito baratas e com ótima qualidade (máquinas “point and shoot”-basta apontar e disparar que a foto fica ótima), que ele se rendeu à tecnologia nova. Eu sei que ele não é exceção. Os leitores do FORUMPCs são em geral pessoas bem informadas e amantes de tecnologia e não se encaixam neste tipo de situação, mas a média geral do mundo tem reações semelhantes às reações de meu sogro.

Quando a adoção de uma nova tecnologia se dá de maneira “forçada”, por pressão familiar ou mesmo quando um presente é recebido, vemos cenas como aquelas (engraçadas) de pessoas que tinham seus gravadores ou vídeo cassetes. Tinham dezenas de recursos, programações de muitas formas, mas na prática as pessoas só viam filmes (comprados ou alugados). Estas pessoas nem o relógio sabiam acertar no caso de falta de luz!! Quem na década de 90 e começo dos anos 2000 não foi na casa de alguém (ou na sua própria casa) e viu o vídeo cassete com o relógio marcando 12:00 piscando? Usavam o básico do básico do dispositivo que tinham.

Evoluindo este tema, como algumas melhorias fazem toda a diferença para usar recursos antes “misteriosos”.Tenho em minha residência o equipamento NET HD MAX, o decodificador da TV por assinatura NET com o HD interno para gravar programas e poder vê-los em outro horário. Agendar gravações foi muito bem resolvido neste tipo de aparelho. Meus filhos que são pequenos, gravam, assistem, apagam, com extrema facilidade. Neste aparelho há uma tecla que mostra a programação dos próximos quatro dias para todos os canais. Assim se um programa interessa, com um único clique no controle remoto aquela atração já está programada. Tenho certeza que eles não teriam a mesma facilidade se fosse do velho jeito dos VHSs. Fazendo a analogia, é como se tivéssemos saído dos pedais e manivelas do Ford “T” e tivéssemos passado para partida elétrica e marcha automática dos carros atuais.

Chegando à Informática posso arriscar algumas analogias que remetem a situações parecidas. Até poucos anos atrás pessoas que quisessem extrair o máximo de seus PCs tinham que dominar a nobre arte do overclok. O Paulo Couto recentemente tocou neste tema-

“Ainda faz sentido fazer overclock?” . Hoje em dia os PCs dispõem de processadores com múltiplos núcleos. Na grande maioria das vezes os PCs estão subutilizados pelo usuário ou pelos softwares disponíveis. Mesmo se a pessoa quiser fazer este processador operar acima de sua velocidade nominal há softwares disponibilizados pelo próprio fabricante da placa mãe, com a benção do fabricante do processador para fazer a máquina trabalhar mais rapidamente. Overclock extremo ainda é arte dominada por muito poucos (certo Ziebert??), mas para uso casual, com o empurrão da tecnologia, muitos podem fazê-lo de forma simples e segura.

Há outros exemplos. Usar Internet usando um modem e linha telefônica era a única forma possível vários anos atrás. Era necessária certa esperteza para configurar modems (interno ou externos), driblar conflitos de interrupção (IRQs), etc. A banda larga, com atribuição de IP dinâmico e “modems” ADSL mudaram e facilitaram muito isso tudo. Mesmo com o ressurgimento de “modems” 3G (VIVO, OI, CLARO, etc.) o tal modem, muitas vezes igual a um pendrive, é realmente “plug-and-play”, sem dificuldades ou problemas ou conflitos para configurar ou resolver.

Após esta reflexão acho que entendo agora um pouco melhor o termo “early-adopter” usado para designar o “entusiasta”, aquele que independentemente do custo ou da dificuldade, abraça bem cedo uma nova tecnologia. Normalmente, se aquela tecnologia revelar-se “vencedora”, mais cedo ou mais tarde um novo degrau na maturação da mesma vai torná-la mais simples, mais barata e mais acessível. Assim se você que está lendo este texto e pensa que está “atrasado” na adoção de uma tecnologia, não se sinta assim. Apenas ela pode não ter chegado ainda ao seu nível de conforto para lidar com ela. Como meu sogro com as máquinas analógicas, o uso do vídeo cassete (e os modernos aparelhos de gravação), o overclock, os “modems” de banda larga… Só para citar algumas das dezenas tecnologias que têm surgido e se desenvolvido em forma de “degraus”. Espere o degrau ser “baixinho” o suficiente e dê o próximo passo com todo o conforto!! Ou chame seu consultor de confiança, que pode até ser o filho do vizinho de 10 anos de idade, ou mesmo sua filha de 8 anos!! Tecnologia, essa garotada tira de letra hoje em dia!!

Aproveito para desejar um maravilhoso 2010 para toda a família do FORUMPCs!! Seus leitores, colaboradores e tantos amigos que fiz e venho fazendo aqui ao longo dos anos!!

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