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Intel, Vista, Otellini, encruzilhada…

Paul Otellini assumiu a Intel Corporation há treze meses, o primeiro CEO não-engenheiro desde a sua fundação. Sob seu comando a Intel tem investido bilhões em mercados de alto crescimento, como a Índia, e tem se afastado de mercados onde o retorno não tem compensado o esforço dedicado. Este ano anunciou a primeira reestruturação da […]

Publicado: 12/05/2026 às 20:53
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Intel, Vista, Otellini, encruzilhada…
Construção civil — Foto: Reprodução

Paul Otellini assumiu a Intel Corporation há treze meses, o primeiro CEO não-engenheiro desde a sua fundação. Sob seu comando a Intel tem investido bilhões em mercados de alto crescimento, como a Índia, e tem se afastado de mercados onde o retorno não tem compensado o esforço dedicado. Este ano anunciou a primeira reestruturação da empresa desde meados de 1980, quando a mesma mudou de foco saindo do mercado de memórias para se dedicar ao de processadores.

Sob seu comando as ações da companhia atingiram seu menor nível em 3 anos, e embora ainda domine o lucrativo setor de servidores x86, sua rival AMD está conquistando espaço rapidamente com seu Opteron, e de forma sustentável. No mercado total de processadores a Intel ainda lidera com folgas, mas sua participação cai a cada trimestre e seu faturamento sofre quedas significativas quando combinado com a forte redução de preços (leia-se “guerra de preços”) para estancar o crescimento da AMD e desovar rapidamente os estoques dos processadores Pentium 4 e Pentium D, permitindo a entrada da nova linha de produtos..

Entre as ações recentes de Otellini está a mudança do logo da empresa, sai o tradicional “Intel Inside” e entre o “Intel Leap Ahead” (algo como “pulando adiante” segundo o tradutor do Google). No processo de reestruturação já deixou claro que as unidades de tecnologias de processadores Xscale e os produtos de rede (com fio) podem (e devem) ser vendidos devido ao baixo retorno. Provavelmente haverá outras unidades de negócios a serem liquidadas ou vendidas que serão anunciadas à seu tempo, mas a expectativa é que as demissões ultrapassem 10 mil pessoas ainda em 2006. Difícil saber se o investimento nesses setores valeu a pena, pois esses negócios foram adquiridos por mais de 10 bilhões de dólares entre 1997 e 2000 (lembram da bolha nas bolsas?), e estima-se que apenas 1 bilhão deve ser recuperado com a venda dessas unidades atualmente.

Não podemos esquecer, ainda sob o comando de Otellini, a orientação do foco para as plataformas, e não para os processadores. Buscando o ótimo resultado obtido com a plataforma Centrino a Intel agora lança a Viiv para o PC de entretenimento (o PC da sala de TV), a plataforma vPro para o segmento corporativo (um produto muito interessante, falaremos em breve sobre ele) e a nova linha Core, que abrange os Core Single, os Core Duo e os Core 2 Duo (lê-se “dois duo”, é meio estranho mesmo…) e não podemos deixar de citar o Centrino Duo, equipado com o Core dois, ou Duo, ou sei lá qual…

Apesar de algumas vitórias, como no caso da adoção dos processadores Intel nos computadores Apple, grande parte dos analistas e grupos de investidores questionam se Paul Otellini é o executivo que a Intel precisa ter nesse momento, basicamente por causa de uma única questão que ainda não foi respondida: Como crescer em um mercado saturado e estagnado, como atualmente é o setor de PCs, onde o crescimento anual é inferior a 5%, contra taxas de dois dígitos obtidas em anos anteriores?

Até o momento as perdas financeiras da Intel são significativas. Em um mercado onde se fatura cada vez menos, onde o investimento em pesquisa e desenvolvimento é cada vez maior e as margens de lucro menores, o único movimento real da Intel para manter seu domínio foi promover uma guerra de preços. Por causa dessa “querra” e suas conseqüências para a concorrente, o Citigroup reduziu as expectativas de ganhos com as ações da AMD, o que causou certo temor no mercado e induziu a venda desses ativos, acentuando a queda das ações dessa empresa. Hoje as ações da AMD perderam 37% do seu valor frente ao que valiam em janeiro deste ano, um pouco menos pior do que a queda da Intel que chega a 40%.

Um dos indicadores analisados pelo mercado é o lucro por ação. Em 2005 a Intel obteve US$ 1.40 de lucro por ação, mas em 2006 a projeção é de apenas 93 centavos, contra US$ 1.53 do projetado para a AMD, que se mantém na frente também nas estimativas para 2007 embora essas estimativas ainda não considerem a brutal queda de preços dos processadores prevista para ainda esse ano. Não custa lembrar que até recentemente a AMD operava no prejuízo, e suas ações não valiam quase nada.

Há razões para otimismo nessa encruzilhada?

Sim, para alguns há claros sinais de recuperação, e a concentração do foco no segmento de plataformas é bem visto pelo mercado, que acredita que após a reestruturação a empresa passe a oferecer ganhos de até US$ 1.90 por ação. A nova plataforma Core é sem dúvida muito promissora e a Intel contará com uma ajudazinha de sua “parceira” Microsoft, já que o Windows Vista estará no mercado no final desse ano (inicio de 2007 para o varejo) “criando” uma necessidade de upgrades para atender os requerimentos desse novo sistema operacional em um momento que a empresa terá produtos vencedores a disposição, e a baixo custo.

Para falar sobre o Windows Vista seria necessária outra coluna, mas basta dizer que as estratégias da Microsoft são muito agressivas para que ele seja adotado em todos os segmentos e muito rapidamente. Há suspeitas, por exemplo, que o DirectX 10 será exclusivo do Vista, e não suportado no Windows XP ou 2000. Supondo que os consumidores desejem ansiosamente pelo Windows Vista (o que é provável, já que ele é inovador e o Windows XP já tem seus bons 4 anos de vida), a necessidade por máquinas novas, especialmente notebooks novos, fará com que o estagnado mercado de PCs volte a se aquecer no início de 2007.

A Intel deve se beneficiar mais do que a AMD nessa eventual retomada do mercado, porque seus produtos para desktops (o novo Conroe) e Notebooks (o novo Meron) são (serão) superiores e mais baratos do que as versões da AMD, que só terão novidades em meados de 2007. Talvez um pouco tarde se houver realmente um “boom” de compras.

Não podemos esquecer que um dos focos da Intel, e onde muitos apostam suas fichas, é o segmento de micros baratos, handhelds com poder de PCs, e ainda os dispositivos de mão com telas pequenas capazes de mandar e-mails, navegar na internet, ver fotos, ouvir musicas e outras tarefas simples que são as mais usadas por milhões de usuários. Um segmento novo, que ainda não existe e que pode superar o mercado do iPod se houver um dispositivo capaz e acessível.

Além disso, a Intel se associou (Join Venture) recentemente a Mícron Technologies para o setor de memórias NAND, utilizadas em quase todos os dispositivos portáteis atuais, desde iPods até celulares. Esse mercado cresce a taxas altas, e é hoje quase tão grande quando o mercado de processadores. Para quem gosta de números o mercado de memórias NAND é estimado em 22.3 Bilhões de dólares em 2006 e deve atingir 31.1 Bilhões em 2009 (taxa de crescimento anual de 13.7%), enquanto o mercado de processadores atual é de 36.4 bilhões e deve atingir 46 Bilhões em 2009 (taxa média de apenas 7.1% ao ano).

Meu último comentário é sobre o rumor envolvendo a fusão da ATI e a AMD, talvez seja apenas um boato, mas a reação da Intel foi surpreendente ao afirmar que vai entrar com força no segmento de processadores gráficos (GPUs) e que provavelmente terá até placas dedicadas usando seus chips. Surpreendente também foi a nVidia ter anunciado que passará a fabricar processadores ainda nessa década, entrando com força no segmento de PCs.

Enquanto isso, ATI e AMD vão continuar negando que vão se fundir…

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