Faltam poucos dias para 2005 acabar, um ano cheio de surpresas em inúmeras áreas (bobagem dizer isso, todo ano é assim…), mas para nós da área de tecnologia o ano não foi tão surpreendente. Dentro do segmento dos PCs, a maior novidade foi o nascimento dos processadores Dual Core, mas por falta de aplicativos desenhados […]
Faltam poucos dias para 2005 acabar, um ano cheio de surpresas em inúmeras áreas (bobagem dizer isso, todo ano é assim…), mas para nós da área de tecnologia o ano não foi tão surpreendente.
Dentro do segmento dos PCs, a maior novidade foi o nascimento dos processadores Dual Core, mas por falta de aplicativos desenhados para multi-tarefa o benefício ao consumidor não foi tão grande assim. O mesmo pode ser dito do processamento de 64 bits, que pelo menos no segmento desktop/notebook, continua sendo uma promessa mais uma vez por falta de softwares adequados. O Windows 64 bits está ainda muito distante das nossas mesas.
No segmento de memórias e de armazenamento, pouca coisa mudou. As memórias DDR ainda têm grande penetração de mercado e as DDR2 ficaram até mais baratas do que estas, como era esperado, mas nenhuma surpresa ou avanço de tecnologia que mereça um destaque. Os discos rígidos evoluíram em capacidade, mas pouco em desempenho. O padrão Serial ATA 2 chegou, mas ainda não mostrou seu valor, e isso também é natural pois demora mesmo para que um padrão novo como o Serial ATA chegue ao seu limite técnico. Aliás, o limite do discos rígidos está na tecnologia de armazenamento, e não no protocolo de comunicação.
O PCI Express finalmente está se tornando popular, bem como os monitores LCD, que até para os brasileiros já são uma realidade, mas nada disso nasceu em 2005. Poucas novidades também no segmento de notebooks, embora eles tenham definitivamente conquistado seu espaço no mundo, ultrapassando em vendas os modelos desktop, e por que não aqui no Brasil. Basta olhar o caderno de informática do O GLOBO, que circula aqui no Rio de Janeiro às segundas feiras, 70% dos anúncios são de notebooks. Esse comportamento mudou recentemente, nos últimos meses do ano, pois até agosto ou setembro eles não ultrapassavam mais do que 30% do total. A mudança em 2006 será ainda mais rápida, e quem pensa em trocar de PC no ano que vem deve pensar seriamente nos benefícios de optar por um notebook.
Entre os acessórios, o MP3 Player e os Pen Drives foram a grande coqueluche, mas nada surpreendente pois ambos já eram bem conhecidos em 2004. Nada de novo no segmento de teclados e mouses, ou mesmo na área de áudio. Redes sem fio se popularizaram, mas não tivemos novidades nessa área em 2005, mas não podemos deixar de mencionar o avanço do VoIP.
Será que podemos dizer que 2005 foi um ano apático para o segmento de informática?
Muito pelo contrário, meus amigos. 2005 certamente será lembrado como o ano da transição entre o “velho” e o “novo” justamente pelo que não chegou ao mercado em 2005, mas que foi amplamente anunciado. Para começar, os PCs agora serão menores e muito mais potentes, por causa dos múltiplos núcleos em seus processadores de baixo consumo, que consequentemente não requerem fontes de alta potência e sistemas de refrigeração exóticos. Isso é liquido e certo, ninguém mais aposta nos PCs gigantes com fontes de alta performance, com alto consumo e alta dissipação térmica, requerendo coolers gigantes e barulhentos, ou até refrigeração liquida. Esses Gas Guzzler (termo usado nos EUA para identificar os antigos automóveis beberrões, que passaram a pagar uma taxa por “consumir muito combustível”) vão acabar logo, e deixarão de ser um símbolo de alta performance para ser um símbolo de desperdício de dinheiro e de energia.
A capacidade de armazenamento tende a aumentar como nunca, em função dos novos usos do PC, voltado para vídeos e centro de entretenimento doméstico. Não se surpreenda se na sua casa, no final de 2006, você não tiver pelo menos 1 terabyte de capacidade de armazenamento espalhado entre os mais diversos dispositivos. Na minha casa já chegamos a esse ponto, basta somar a capacidade de todos os HDs que temos, inclusive os portáteis USB e os dos notebooks, que dá exatamente 1.08 terabyte de espaço para armazenamento.
O curioso disso é que o preço do hardware tende a cair muito, em dólar, nesses novos PCs. Não faz muito tempo que um PC moderno custava coisa de 5 mil dólares, em 2004 já encontrávamos ótimas opções na faixa de 2 mil dólares. Hoje um PC de ótima qualidade já custa mil dólares no Brasil, ou cerca de 600 dólares no mercado americano, e os especialistas apontam que os PCs “media center” devem chegar em torno de 300 a 400 dólares em 2006. Notebooks abaixo de mil dólares também tendem a ser cada vez mais comuns e cada vez melhores, equipados com soluções de alta tecnologia (Dual Core, barramento interno PCI Express, memórias DDR2, baixo consumo, leves, etc).
Aqui no Brasil as coisas não são tão rápidas, mas os benefícios fiscais do PC Conectado vão tornar os PCs “de marca” (Preview, Dell, Positivo, HP, etc) muito mais interessantes do que os “montados” para a grande maioria da população. É só lembrar que o valor da isenção (2.500 reais ou cerca de 1000 dólares hoje) é fixo, mas o custo da tecnologia tende a cair no ano que vem. Não se surpreenda ao comprar por esse preço um notebook ou um PC completo com tela de LCD, aqui no Brasil por volta da metade do ano.
Por falar em PC “montado”, será que ainda valerá a pena?
O grande beneficio do PC “montado” para quem monta o seu próprio é a escolha das melhores peças, para se obter a melhor performance possível, porém, hoje nosso problema não é hardware, e sim software. De quê adianta ter hoje um processador Dual Core com 64 bits, na melhor placa mãe e com o melhor conjunto de placas de vídeo, memórias e HDs, se na pratica estamos subutilizando isso tudo por causa do software inadequado. Basta ver o “patch” que foi recém lançado para o Quake 4 que aumenta o desempenho do jogo em até 87% nos processadores Dual Core.
Até que todos os softwares, games e aplicativos que usamos estejam definitivamente otimizados para múltiplos núcleos e processamento de 64 bits, estamos todos nós com hardware sobrando dentro do PC.
Para quem vende PCs montados, a grande vantagem é o custo, pois o consumidor genérico desconhece o conteúdo do PC e aceita o produto pelo preço baixo, e não pela qualidade. Mas mesmo hoje, as facilidades de financiamento do PC de marca já deixam o PC montado em uma condição pouco favorável, some a isso a repressão ao contrabando que será cada vez mais forte (política internacional de combate a pirataria e a evasão fiscal), a coisa tende a ficar muito difícil para quem vive de montar PCs “genéricos”.
O novo PC (ou notebook, que também é um Personal Computer) terá em 2006 um firmware inteligente, capaz de executar tarefas de gerenciamento que a BIOS atual é incapaz, e também teremos as máquinas virtuais, permitindo múltiplas funcionalidades do computador. É bom que se diga, provavelmente você não desligará mais seu PC pois sua rede doméstica vai depender cada vez dos serviços que ele executa, ou do conteúdo que está armazenado nele. Não tem ainda uma rede doméstica sem fio? Não se preocupe, você certamente terá uma em 2006.
Por causa dos anúncios antecipados de tudo que vai acontecer em 2006, o ano de 2005 ficou meio sem graça para quem é entusiasta. Não fosse pelo repentino caso dos Opterons 939 que chegaram ao mercado em diminutas quantidades, e que eram excepcionais em overclock, o ano passaria praticamente em branco para esse publico de necessidades muito especificas. Menos mal, pelo menos a popularização do PC está aí pra todo mundo ver, e é um ótimo sinal que as coisas estão evoluindo para melhor.