Introdução Qual é a primeira empresa que lhe vem à cabeça quando o assunto é fotografia? Se você é como a maioria, deve ter pensado na Kodak-dona de uma marca que é quase sinônimo do assunto. Agora vamos complicar as coisas: você sabe como a Kodak ganha dinheiro? Com a venda e revelação de filmes, […]
Qual é a primeira empresa que lhe vem à cabeça quando o assunto é fotografia? Se você é como a maioria, deve ter pensado na Kodak-dona de uma marca que é quase sinônimo do assunto. Agora vamos complicar as coisas: você sabe como a Kodak ganha dinheiro? Com a venda e revelação de filmes, atividades que têm sido a mina de ouro do mercado fotográfico nas últimas décadas. Para se ter uma idéia, em 2000, o melhor ano para a indústria fotográfica até hoje, as vendas de filmes nos Estados Unidos movimentaram US$ 2,97 bilhões e as revelações, US$ 6,93 bilhões, totalizando quase dez bilhões de dólares, ou seis vezes os US$ 1,65 bilhões gastos em câmeras convencionais. Não é à toa que a maioria das lojas de fotografia que vemos nas ruas e corredores de shopping-centers são claramente voltadas para a revelação (tanto que ainda hoje são chamadas de laboratórios). O problema é que, com a crescente popularidade da fotografia digital, não só a fabricação e venda de câmeras voltou a ser interessante, movimentando quase US$ 3 bilhões em 2002 e atraindo dezenas de empresas com pouca ou nenhuma tradição na área, como o lucrativo negócio de venda de filmes e revelação se viu ameaçado.

Motivos não faltam: segundo dados da Photo Marketing Association (PMA – 2004), nos Estados Unidos as vendas de câmeras convencionais vêm caindo desde 2000, levando consigo as vendas de filmes e serviços relacionados. No último ano do milênio, foram comercializados no mercado amador americano quase 25 milhões de câmeras (5 milhões delas digitais) e 948 milhões de rolos de filme. Em 2003, de acordo com as últimas projeções da PMA, o total de câmeras vendidas continuou na casa dos 25 milhões, só que mais de 50% eram digitais, e os filmes despencaram para 816 milhões-um número igual ao de 1996. De um nível de penetração de 91% dos domicílios, em 1996, as câmeras convencionais despencaram para 74%, em 2003, o que representa quase 20 milhões de câmeras a menos. As únicas câmeras convencionais que vão bem, obrigado, são as de uso único (ou descartáveis), cujas vendas cresceram 7% em 2003, mas que também não tem mais o fôlego do passado, quando sua participação chegou a crescer 17% em um ano. E o movimento já começou a afastar fabricantes de peso da fotografia convencional: a Kodak anunciou, no início do ano, que iria interromper a comercialização de câmeras de filme nos países desenvolvidos (China, Índia, Leste europeu e América Latina não seriam afetados) para dedicar-se apenas às digitais, enquanto a Nikon, meses depois, declararia que não vê nenhum mercado em que seja possível lucrar com câmeras de filme amadoras, razão pela qual estaria só aguardando o momento certo para encerrar a produção desses modelos, mantendo em linha apenas câmeras de filme profissionais e digitais.

Não restam dúvidas que a popularização da fotografia digital vai reduzir drasticamente as vendas de filme. Agora, a grande preocupação dos empresários do ramo-dos acionistas da Kodak aos donos de pequenos “laboratórios” de revelação-é com o negócio de impressão de fotos, que já vimos ser o filé mignon do mercado. Quem tem uma câmera digital sabe que ela nos leva a fotografar muito mais (entre outras coisas, pela economia de filme), mas que poucas fotos acabam sendo impressas. Em 2001, 77,3% dos americanos que compraram uma câmera digital citaram “enviar fotos por e-mail” como uma das principais razões para a aquisição e disseram ter imprimido apenas 11,8% das imagens armazenadas, sem contar as que foram apagadas (e olha que naquela época os fotologs e demais serviços de compartilhamento de fotos nem eram tão populares).
