Será que o tiro saiu pela culatra? As demonstrações dos novos processadores Intel no IDF têm impressionado muito pelo ótimo desempenho e o baixo consumo elétrico, algo que já sabíamos desde o ano passado que iria realmente acontecer. Porém, a forma como esses avanços estão sendo divulgados e a demora para que a nova geração […]
Será que o tiro saiu pela culatra?
As demonstrações dos novos processadores Intel no IDF têm impressionado muito pelo ótimo desempenho e o baixo consumo elétrico, algo que já sabíamos desde o ano passado que iria realmente acontecer. Porém, a forma como esses avanços estão sendo divulgados e a demora para que a nova geração efetivamente chegue ao mercado (desculpe, ato falho, não há uma demora de fato pois sempre se falou na disponibilidade em massa somente no segundo semestre de 2006) estão fazendo com que as vendas dos atuais modelos Intel despenquem, literalmente.

As mensagens que nos chegam, “O Conroe será 20% mais rápido que os processadores AMD” , ou os testes independentes como os realizados pelo Anandtech que mostram essa realidade ao comparar um Conroe 2.66 GHz com um Athlon FX60 em overclock, deixam qualquer analista técnico muito animado com as inovações implementadas nesses produtos, e isso é amplamente divulgado na mídia especializada que por conseqüência informa aos leitores interessados que o “próximo” é muito melhor do que o “atual” e melhor até que a “concorrência”.
E o leitor interpreta comprar um Pentium 4 agora é bobagem !
O resultado disso pode ser visto no recente relatório que a Intel divulgou aos analistas financeiros corrigindo para baixo suas estimativas de receita para o primeiro trimestre em função do “desaquecimento das vendas de PCs” e do “aumento do estoque imobilizado”. Se vocês procurarem nas principais lojas online do planeta, vão encontrar inúmeras promoções com os notebooks Centrino da geração anterior (Pentium M) e essas promoções serão mais ou menos agressivas em função das ofertas do Centrino Duo, que ainda são pequenas na maioria das lojas.
Os descontos para compras do Pentium 4 são imensos, há estratégias de rebates (descontos promocionais após a compra), bônus aos vendedores, e principalmente os preços incrivelmente baixos. Há quanto tempo não víamos um Celeron D na faixa de 50 dólares (mercado americano), tão baixo quanto foram os Athlon XP em sua grande época. Um Pentium D 920 (2x 2MB de cache, 64 bits, 2.8 GHz núcleo Presler 65nm) está na faixa de 250 dólares, cerca de 20% mais barato do que um Athlon64 X2 3800+ (2x 512K de cache, 64 bits e 2.0 GHz, núcleo Manchester 90nm) sendo que o primeiro tem um potencial de overclock muito maior.
Nosso mestre Piropo acabou de comprar nos EUA um notebook novo por menos de 1000 dólares equipado com um Centrino tradicional (Pentium M 1.73 GHz + 512 MB e HD de 80GB), enquanto que os novos Centrino Duo se situam em torno de 1800 dólares, a mesma faixa do Centrino tradicional há um ano atrás. E tudo indica que os preços da “Old Generation” vão continuar caindo até que a oferta dos novos modelos se estabilize. Mas há um agravante técnico, o giro de estoque da Intel (um indicador financeiro puramente técnico) conforme os relatórios divulgados por gestores internacionais, aumentou cerca de 10%, para algo em torno de 83 dias (giro médio), muito acima da média do setor de semicondutores que é de 65 a 70 dias. Isso pode ser um sinal de novas promoções agressivas.
No site da Intel há um comunicado na sala de imprensa com um resumo dos acontecimentos. Podemos destacar frases do tipo “as margens de lucro futuras terão impactos negativos”, “a Intel inicia um período de dormência”, “as previsões divulgadas para os próximos anos não mais refletem a realidade esperada” entre outros sinais de que a coisa efetivamente ficou difícil, como a perda de receita esperada de quase 1 bilhão de dólares só no primeiro trimestre de 2006, um desvio de 10% em relação a expectativa anterior.

Para agravar esse quadro, a DELL é responsável por 19% das vendas da Intel (dado de 2005) e está perdendo mercado a cada trimestre, conforme já relatei em colunas anteriores. O mercado financeiro é impiedoso, as ações da DELL estão em níveis muito baixos, as da Intel estão cotadas abaixo de 20 dólares, algo que não acontecia desde a primeira metade de 2003.
Por outro lado, passada essa fase de ajuste, tudo indica que a Intel deva recuperar seu caminho a partir da segunda metade de 2006. Os novos produtos são bons, as estratégias parecem acertadas, o investimento em novas tecnologias de produção parece interessante e o mercado tende a ser “comprador” de micros leves, mais econômicos e de alto desempenho, além da necessidade cada vez maior de gadgets poderosos, muitos deles equipados com processadores Intel (linha Xscale).
Não existe aquele ditado “depois da tempestade vem a bonança”?
Quem sabe ele não se aplica a esse caso…