Acabei de retornar de Las Vegas, onde participei da CES 2010 (Consumer Eletronics Show) a convite da ASUS Brasil. A CES é uma feira interessantíssima, completamente diferente da Computex onde o foco principal é o mercado de OEMs, ou projetos inovadores buscando clientes e inúmeras marcas desconhecidas procurando seu espaço no mercado. A CES é […]
Acabei de retornar de Las Vegas, onde participei da CES 2010 (Consumer Eletronics Show) a convite da ASUS Brasil. A CES é uma feira interessantíssima, completamente diferente da Computex onde o foco principal é o mercado de OEMs, ou projetos inovadores buscando clientes e inúmeras marcas desconhecidas procurando seu espaço no mercado. A CES é lugar de gente grande, empresas consolidadas mostrando o que tem de melhor e o foco são os produtos de consumo de massa. Essa simples diferença faz a feira ser extremamente interessante para avaliar tendências, ou em quais tecnologias ou produtos os fabricantes estão colocando suas apostas.
Lembro que em 2006, quando fiz a cobertura para o Jornal do Brasil, a disputa entre o HD-DVD e o Blu Ray estava no ápice, mas era visível na CES o maior amadurecimento do Blu Ray. Haviam mais fabricantes envolvidos, mais filmes, mais estandes, mais shows. Mesmo com o peso da Microsoft e seu XBOX o HD-DVD acabou minguando pouco depois.Era claro que não havia espaço para dois formatos e independente de qualquer outro aspecto técnico ou de preço, a maioria da indústria segue aquele que aparenta estar na liderança. E venceu o Blu Ray.
Dessa vez há interessantes tecnologias que estão sendo adotadas muito rapidamente, parecem lideres de mercado, desde a TV co suporte a 3D (que falaremos em outra coluna) até os esperados Tablets, pequenas telas de LCD com processadores integrados capazes de realizar inúmeras tarefas. O assunto Tablet é tão quente que vou falar sobre isso em outra coluna, pois estamos iniciando uma nova disputa de padrões e formatos que, uma vez estabelecidos, vão causar uma grande transformação no mercado: De um lado a Intel com seu “beberrão” ATOM (mais de 2 watts na sua melhor configuração ele consome no mínimo quatro vezes mais que seus concorrentes) e seu suporte as instruções x86, e de outro os econômicos processadores baseados em ARM, alguns extremamente interessantes como o Tegra 2 da NVIDIA consumindo míseros 500 miliwatts. Se de um lado temos todo o mundo Windows e sua portabilidade para o ATOM, de outro temos um ambiente extremamente leve, versátil, baseado em Cloud Computing que pode surpreender muita gente.
Mas hoje vamos falar da ASUS, pois estive com vários executivos, participei de várias entrevistas e conheci de perto inúmeras tecnologias interessantíssimas. Alguns vão estranhar, mas a ASUS que conhecemos está para mudar, e irá mudar muito rapidamente. Claro, isso era esperado. O mercado de desktops tradicionais está em forte declínio no mundo todo, e o segmento Do It Yourself (DIY-ou Faça Você Mesmo, onde o usuário monta sua máquina escolhendo os componentes individualmente), diminui ainda mais rapidamente. O “computador” da casa está cada vez mais longe do desktop, está indo na direção dos celulares, dos tablets, dos net/smart/notebooks, das TVs com Skype, e em vários outros dispositivos. Como um fabricante conhecido pelas suas placas mãe poderia sobreviver a essa transição de mercado?
A resposta é simples, mudar o foco do negócio, mas a execução precisa ser extremamente agressiva: a meta da ASUS é se tornar o terceiro maior fabricante mundial de notebooks até 2011. E para chegar lá, a ASUS está investindo muito em estilo, design, novas tecnologias, novos conceitos, softwares (sim…), e está se desfazendo de diversas fábricas, da marca ASRock, e reduzindo bastante seu investimento no setor de placas mãe. Em uma entrevista com executivos da marca, soube que a maioria dos engenheiros de hardware estão envolvidos nas áreas de portáteis e outros dispositivos, como TVs e monitores, e que os engenheiros da área de software já são um grupo maior que os envolvidos em placas mãe tradicionais. Com essa mudança estratégica a nossa percepção da marca ASUS vai mudar muito nos próximos 2 anos, pois para atingir a agressiva meta imposta pelo CEO a ASUS precisa se diferenciar dos demais marcas do mercado, não só pela qualidade do hardware e do software dos produtos mas sobretudo na funcionalidade do design e no estilo. Algo como uma grife mesmo, e é nessa linha que a ASUS nos apresentou os já comentados notebooks NX90 em alumínio polido e áudio da Bang & Olufsen e o incrível G73jh com Core i7 e Radeon HD5870 , mas há muito mais.
Vejam nas fotos abaixo a linha ASUS Collection, que englobam os netbooks Eee PC Seashell assinados pelo designer Karim Rashid, as bolsas estilizadas, e os acessórios em couro ou alumínio escovado que formam o conjunto, inclusive o estilizado mouse e o HD externo do NX90.



Ou produtos completamente novos, como o VideoPhone Skype, ou como os belíssimos monitores e TVs, com design bastante estilizado, seguindo a estratégia de diferenciação.




Para desktops, temos o Eee Box (agora com plataforma ION, da NVIDIA) e o Eee Top (computador integrado atrás do monitor LCD, como em um Mac da Apple)

O Eee Keyboard PC é interessantíssimo, é um teclado com um computador (Eee PC) integrado, sendo que no canto direito há um pequeno painel LCD touch screen capaz de realizar inúmeras tarefas através dos aplicativos pré instalados, ou transferir a saída de vídeo direto para a TV através de Wireless HDMI !



Sim, o computador está dentro do teclado! Eu testei o Eee Keyboard e transferi o sinal de vídeo para a TV próxima e pude usar livremente o Windows XP (a versão com Windows 7 tá no forno) usando o painel touch screen como touchpad e funciona perfeitamente, não é diferente de usar um Eee Box, só que é muito mais adequado para a sala de TV, conectando via Wireless HDMI em 1080p, do que para um monitor tradicional de PC.
Para concluir a “grife” que a ASUS está adotando, há o projeto (ou conceito) chamado de WaveFace, que pode ser visto nas fotos abaixo.Até o momento temos o Waveface “casa” que é uma grande TV widescreen que se “esconde” quando não está em uso, além de ser um portal de comunicação com a internet e um centro de entretenimento. Temos também o Waveface Light, um netbook baseado emtela de LCD flexível, com textura macia e sensível ao toque, com teclado incorporado na tela. Ele pode funcionar tanto como um notebook (dobrando no meio) quanto como um Tablet flat (totalmente aberto). O teclado é um aplicativo do próprio display, pode sumir conforme o caso. O Waveface Ultra é o painel flexível em forma de relógio. Não só marca as horas como também pode ser um celular, acessa informações na internet, e se conecta com os outros dispositivos Waveface.




Segundo S.Y. Shian, Vice Presidente da área de pesquisa e desenvolvimento, é possível colocar produtos no conceito Waveface no mercado em cerca de 2 a 3 anos, todos os itens tecnológicos requeridos já existem comercialmente ou em laboratório (como é o caso das telas LCD flexíveis), falta alguns componentes atingirem a produção em massa e com isso ter um preço mais competitivo para que esse tipo de produto chegue ao mercado.

S.Y. Shian, Vice Presidente de R&D;, em entrevista com o FORUMPCs.