ITF Portal - Banner Topo
Slot: /23408374/itf-ad-banner-topo
720x300, 728x90, 728x210, 970x250, 970x90, 1190x250

A divertida lenda doméstica do meu DTK

Era uma vez, no inicio de 2001, portanto no início desse século, um aficionado por hardware que escrevia em revistas de tecnologia, nada mais nada menos que esse que vos escreve e eis que, visitando uma revenda de conhecidos em um momento de “faxina”, seu colega dono da revenda diz: Paulo, você não quer uma […]

Publicado: 14/05/2026 às 11:49
Leitura
9 minutos
A divertida lenda doméstica do meu DTK
Construção civil — Foto: Reprodução

Era uma vez, no inicio de 2001, portanto no início desse século, um aficionado por hardware que escrevia em revistas de tecnologia, nada mais nada menos que esse que vos escreve e eis que, visitando uma revenda de conhecidos em um momento de “faxina”, seu colega dono da revenda diz: Paulo, você não quer uma placa de servidor completa? Com processador e memória? e eu perguntei, Está boa? Sim, ele me respondeu, só é um pouco velha, mas funciona direitinho…

A tal placa era uma DTK, uma conhecida e falida fabricante que produzia placas mãe muito robustas, inclusive para servidores. Não vou me lembrar agora dos detalhes dessa primeira placa, mas lembro que usava um soquete 5 Intel com FSB de 66MHz, e um processador Pentium antigo (ainda não era MMX, mas não me lembro o modelo, acho que um 75MHz). Usava umas memórias muito antigas, anteriores as SDR (acho que eram SIMM de 72 pinos, mas não me lembro da capacidade). Apesar das especificações modestas até pra época, tal máquina funcionava perfeitamente. Tinha dois slots ISA, onde pude finalmente acomodar meu fax/modem USRobotics de 56K “voice” que estava encostado por falta de placa mãe, além de ter portas para teclado e mouse no formato PS/2 e controladoras IDE UDMA 33, provavelmente o supra sumo da época. Lembro que uma das grandes dificuldades foi encontrar uma placa de vídeo PCI pra ela, já que não havia slot AGP, mas consegui com um amigo uma velha SiS e assim ficou por muito tempo.

Aceitei a placa porque era de graça e naquela época já pensava em ter um mini-servidor de arquivos, talvez estudar um pouco de linux, substituir meu velho 486 que funcionava como roteador (Coyote Linux), enfim, certamente teria um bom uso pra ela. Encurtando um pouco a história, não me dei bem com as distros linux da época, e a baixa performance dos HDs que eu tinha disponíveis aliado a baixa capacidade de armazenamento (eram sucatas que ainda funcionavam) acabaram adiando meus planos para um servidor de arquivos. Coloquei uma versão mais atual do Coyote Linux a fim de substituir o velho 486 e só, a maquina ficou assim por uns 6 meses pelo menos até que comprei um roteador básico de 8 portas (DLink) e nunca mais precisei do Coyote Linux para rotear nossa rede local. Portanto meu DTK deveria ter outra função. Nascia aqui, o “meu DTK”.

Eis que me surgiram não uma, mas duas placa RAID UDMA100 PCI, quase ao mesmo tempo em que fiz alguns upgrades na minha máquina pessoal e na da Claudia, sobrando alguns HDs mais novos. Lembro que tinha um de 8GB, um de 20GB e um incrível Maxtor D740X de 40GB que de uma hora para outra se tornaram disponíveis. Eu tinha botado na minha cabeça que o meu “DTK” só iria operar a custo zero, ou seja, nunca iria comprar nada pra ele, portanto só poderia usar sobras, sejam as minhas pessoais ou sejam sobras do laboratório. Portanto coloquei o Maxtor como BOOT e criei um ARRAY com todos os outros discos no modo JBOD (Just a Bunch Of Disks) que cria um único volume de uns 33GB associando todos os demais discos da matriz de forma seqüenciada, sem nenhuma proteção contra falhas. Cada informação gravada nesse volume está de fato gravada em alguns dos HDs, em caso de quebra do Array apenas parte da informação será perdida (aquela que esteja distribuída em mais de um disco). Não preciso ir muito além para dizer que tal solução ficou uma bela porcaria, e que o tal volume não tinha confiabilidade nenhuma para armazenar arquivos de backup.

Com os novos discos decidi usar o Windows 2000 bastante otimizado para operar com pouca memória e pouco processador, e logo vi os benefícios de ter uma máquina ligada 24 horas operando em rede. Aprendi a duras penas a configurar os níveis de permissão de diretórios compartilhados para que informações críticas só pudessem estar disponíveis para o respectivo usuário proprietário delas. Um dia sobrou mais uma placa mãe, agora bem mais moderna, e meu DTK deixou de ter DTK correndo nas veias mas guardou o nome, até hoje, como seu endereço na nossa rede. Nessa versão já usava Windows XP e nele eu armazenava uma cópia do Fórum PCs para desenvolvimento e testes, ainda usando o Microsoft IIS. Um pouco depois passei a usar o Apache, e mais tarde testei um ambiente de desenvolvimento idêntico ao servidor original do Fórum PCs mas rodando em uma sessão VMWARE. Com o passar dos anos o DTK recebeu placas MSI, ABIT, Intel, e uma sucessão de processadores e memórias, até que se tornou a versão atual. Além da regra básica de não comprar nada pra ele, usando apenas sobras, o DTK tinha um outro “mandamento” original. Não iria ter nenhuma unidade de CD nem de disquetes. Não achava que era necessário, e quando eu precisasse de uma poderia simplesmente usar as unidades que tenho no laboratório, montando quando fosse preciso.

Com o Windows XP, passei a acessar o DTK usando o Remote Destkop, e lá se foram o teclado, mouse e um velho monitor que eu só usava quando era preciso configurar alguma coisa. O passo seguinte foi um KVM, o primeiro tinha apenas 2 portas, mas o atual já é um eficiente modelo de 4 portas que me permite acessar não só a minha máquina pessoal quanto o DTK e mais duas máquinas montadas na bancada do laboratório. Incrível a versatilidade de um bom KVM, esse modelo da TrendNet é absolutamente confiável e não apresentou nenhuma falha de mouse ou teclado até hoje, e nem distorções na tela (uso 1600×1200).

O fato é que com a evolução do hardware, meu DTK foi se tornando cada vez mais útil e sua capacidade de armazenamento foi se tornando realmente bem grande. Hoje tem incríveis 750 GB (um disco de 500GB que veio de um RMA da Seagate, e um de 250GB que eu comprei para minha máquina pessoal no passado e que agora foi substituído por um de 500 GB). Sua estrutura permanece básica até hoje, atualmente é uma placa Intel 965 com vídeo onboard (essa placa não é comercial, e sim um protótipo que foi enviada para testes há uns 2 anos), 1 GB de memórias DDR2 que estavam sem uso no laboratório e um Celeron E430 que recebi em uma troca de produtos. Além de ser um grande servidor de arquivos (todos os downloads que fazemos, sejam drivers, programas, etc são feitos nessa máquina e depois distribuídos para as demais via rede local) ele se tornou nosso grande repositório de músicas (mais de 20 mil músicas que acumulamos desde o tempo do vinil até os mais de 300 CDs que cheguei a ter, que foram digitalizados quando eu ainda tinha paciência pra isso).

Uma outra função importante que ele assumiu é ser nosso CD/DVD virtual, já que até ontem essa máquina não tinha uma unidade de CD/DVD mas sim um drive virtual (Nero Imagedrive) que pode montar imagens ISO ou NRG e compartilhar pela rede. Por isso, em uma das suas pastas temos imagens digitais de inúmeros CDs e DVDs que usamos regularmente em nosso laboratório, de forma que raramente precisamos recorrer as mídias originais. Só o CD do Windows XP que uso no laboratório (uma versão modificada do CD original, com o SP2 incluso e instalação unattended-sem interferência do usuário-além de alguns drivers de controladoras de disco que não estão inclusos na versão original do XP) é que efetivamente está em uma mídia mas ele foi gerado nessa máquina e testado em uma sessão VMWARE antes de ser gravado.

Esse final de semana foi o da faxina anual e finalmente troquei o gabinete do DTK (ele usava um apertadíssimo gabinete de mesa posicionado na vertical) por outro mais amplo, do tipo torre. E com o novo gabinete, eu acabei colocando nele um gravador de DVD, uma unidade de disquetes e uma unidade leitora de cartões que eu comprei pra minha máquina pessoal, mas no fundo não vou usar. Me dei conta que o meu velho e modesto DTK se transformou em um PC robusto, muito bem equipado, e com múltiplas funções especialmente pelo fato de ficar 24 horas ligado. Já tinha pelo menos uns 3 meses que me pegava ocasionalmente trabalhando nele como se fosse a minha máquina pessoal, seja respondendo e-mails, acessando o fórum, fazendo pesquisas na Internet, e tudo mais que não justifique eu ligar a minha máquina pessoal pra resolver o assunto.

Outra coisa que o DTK passou a fazer com freqüência é a conversão de filmes para o iPod/iPhone. Seja usando um conversor que lê direto do Youtube ou seja um filme que eu pretenda ter disponível nesses aparelhinhos como os 10 DVDs do Band Of Brothers que ganhei de Julio Preuss em um dos meus aniversários que já ficaram para trás e que pretendo converter para o iPhone em breve. Com essa demanda, notei que o Celeron 430 tem lá suas limitações, principalmente pelo fato dele ser Single Core, e talvez, quem sabe, eu vá pela primeira vez em 7 anos comprar algo especificamente para ele: um Pentium Dual Core 2160, mas antes preciso resolver o que fazer com o Celeron…

Durante esses sete anos, esse computador que nasceu de uma doação para estudo foi se transformando em uma máquina robusta, com múltiplas funções. Se no início eu sofria com a falta de processamento e memória, foi bom para estudar as otimizações e realizar instalações com realmente o mínimo necessário. Devo reconhecer no entanto que a placa mãe Intel 965 com seus dissipadores passivos e o Celeron 430 que mal chega aos 40 graus trouxeram ao meu velho DTK uma estabilidade fora do comum, dessas de ficar meses sem sequer precisar reiniciar. Finalmente com esse conjunto eu consegui um nível de ruído no sistema próximo de zero. Mesmo a noite, em total silencio, não dá pra ouvir as ventoinhas (cooler box Intel e uma Noctua), a fonte (eXtream) ou os HDs da Seagate.

Vida longa ao DTK!

As melhores notícias de tecnologia B2B em primeira mão
Acompanhe todas as novidades diretamente na sua caixa de entrada
Imagem do ícone
Notícias
Imagem do ícone
Revistas
Imagem do ícone
Materiais
Imagem do ícone
Eventos
Imagem do ícone
Marketing
Imagem do ícone
Sustentabilidade
Autor
Notícias relacionadas