Eram quatro horas da tarde de uma quinta feira quando recebi um convite para, no dia seguinte, sexta feira às 10 da manhã, dar umas voltas com as novas BMW no autódromo de Jacarepaguá. É como perguntar a um macaco se ele quer banana! É lógico que sim, confirmei, troquei alguns e-mails para acertar mais […]
Eram quatro horas da tarde de uma quinta feira quando recebi um convite para, no dia seguinte, sexta feira às 10 da manhã, dar umas voltas com as novas BMW no autódromo de Jacarepaguá. É como perguntar a um macaco se ele quer banana! É lógico que sim, confirmei, troquei alguns e-mails para acertar mais detalhes e no dia seguinte estava lá eu pronto para acelerar as crianças.
Assim que cheguei, fui a pé até o centro da reta dos boxes, a antiga reta interna que antecede o retão do saudoso autódromo Nelson Piquet, palco de poucas mas ótimas corridas de F1 e Moto GP. Ainda é pra mim um lugar mágico embora infelizmente esse templo sagrado do automobilismo carioca tenha sido brutalmente modificado pelas obras do Pan 2007. Ao final da reta dos boxes há uma curva à esquerda para entrar no retão mais ou menos na sua metade. Antes essa curva era mais embaixo e para direita, entrando em um trecho sinuoso que nos levavam ao início do retão lá embaixo, onde agora é o Parque Aquático Maria Lenk. Todo esse trecho acabou. Portanto, seguindo pelo retão, se é que ainda podemos chamar a metade que sobrou de “retão” faz-se uma curva de alta para a esquerda dando início ao trecho antigo de 5 ou 6 curvas rápidas com pequenas retas entre elas que nos trazem de volta para a fechada curva que antecede a agora muito curta reta dos boxes para novamente virar a esquerda e pegar o meio-retão novamente. E é só isso, acabou o circuito, infelizmente. Muito curto e travado.

Levando a BMW Z4 para a pista, uma experiência deliciosa!
Primeiro andei com os carros, um imenso Sport Utility Vehicle (SUV) BMW X5, uma deliciosa esportiva Z4 e um SUV mais “modesto”, o BMW X3, sempre ao lado do piloto profissional Fernando Rebellato. Sei que aqui é um site de tecnologia, mas não resisto a um comentário sobre o BMW Z4: que delícia de carrinho! Depois de conhecer melhor a pista e com as dicas do Fernando, pude levar o carro ao (meu) limite como nunca tinha feito antes.
É impressionante a quantidade e a qualidade de tecnologia embarcada nos carros BMW atuais. Desde itens de conforto como o ar condicionado inteligente, que “sente” e controla a temperatura em vários pontos do automóvel (por exemplo, se o sol estiver pela esquerda, esse lado recebe mais ar frio do que o da direita), até os itens de segurança e controle do veículo que são talvez os mais espetaculares que já tive a oportunidade de experimentar.

Iniciando os testes com a BMW X5, um exemplo de alta tecnologia, conforto e performance.
O recurso Night Vision por exemplo é muitíssimo interessante e deve se tornar padrão na indústria dentro de alguns anos. Consiste em um conjunto de sensores infravermelhos capazes de identificar pessoas, animais e outras fontes de calor há uma grande distância, muito antes dos faróis serem capazes de iluminá-los. Essas informações são exibidas em uma tela multifunção que mostra a imagem da câmera frontal quando o Night Vision está ativo. Animais, pedestres e até supostos bandidos escondidos a margem da estrada podem ser vistos com clareza com pelo menos um quilometro de antecedência. Essa mesma tela no painel mostra a câmera de ré quando estamos estacionando e duas linhas virtuais apontam para a direção que o carro está tomando durante a manobra a cada movimento da direção. Dá pra estacionar o imenso SUV de ré sem grandes esforços.
Tais sensores, especialmente os dianteiros, permitem mais algumas facilidades, como na comutação do farol alto para o farol baixo: o sistema entende quando há um carro à sua frente pela emissão de luz da lanterna traseira deste, e automaticamente troca o farol alto para o baixo, voltando para a posição de farol alto assim que o tal carro sair da frente, como em uma ultrapassagem, por exemplo. O mesmo acontece quando há um carro ou moto (ele é capaz de identificar pela luz do farol dianteiro) vindo em sua direção, reduzindo o farol para baixo até que o veiculo passe e o farol alto possa ser acionado simultaneamente.
O que mais me surpreendeu, e isso eu pude constatar na pista a quase 200 km/h, é o controle de estabilidade e o controle de tração. Com a BMW X5, por exemplo, dei algumas voltas rápidas pelo circuito com o Fernando me orientando sempre quanto às melhores tomadas de curva e como aproveitar ao máximo as reações do carro. Quando eu achei que já estava muito bom ele me disse para cometer erros propositadamente, como, por exemplo, entrar em uma curva acelerando o máximo possível o que provocaria uma derrapagem. Testei em uma curva de baixa velocidade e percebi que o X5 não só evitava a oscilação da carroceria como também cortava a aceleração do motor sempre que uma das quatro rodas tracionava fora de controle, e fazia isso de forma muito inteligente e natural, quase como se eu mesmo estivesse manualmente controlando a derrapagem. Fui pegando confiança no sistema até que o Fernando me disse: agora entra com tudo nas curvas com o pé embaixo!
O carro literalmente corrigia todas as minhas propositadas barbeiragens mantendo-se firme e forte na pista, quando muito escorregando nas quatro rodas por alguns instantes. Dentro do carro, no que poderia parecer uma situação de absoluto perigo, podia-se até beber água sem derramar uma gota, tamanha a estabilidade e o controle da situação. Perguntei ao Fernando, piloto profissional de Endurance e Marcas, se na pista o controle de estabilidade e tração é mais eficiente do que um bom piloto, e ele me respondeu que na chuva ainda se perde pro computador por pouco, mas que no seco um bom piloto é mais rápido que a máquina.

Fernando Rebellato, Paulo Couto e a incrível BMW M6
Para comprovar isso, pegamos a incrível BMW M6 para uma “volta rápida”, um dos sub-eventos da programação oficial que é patrocinado pela Intel, patrocinadora da BMW de F1. Para quem não sabe, a BMW tem carros incríveis em toda a sua linha, mas a série “M” é a mais especial. São variações dos carros “comuns” com vocação 100% esportiva, o compromisso é sempre a performance pura! O M6 é derivado do coupé 650i que na versão “comum” é equipado com um V8 de 4.8 litros e 360 CV de potência, enquanto que na versão M6 é utilizado um poderoso V10 de 5 litros e 500 CV. Com Fernando Rebellato à direção, iniciamos a volta andando muito rápido com o carro na posição “standard”, ou seja, com o controle de tração e inclinação ativados e com apenas 400 CV disponíveis. Na volta seguinte Rebellato apertou o modo que muda as curvas de torque e potência do motor acrescentando mais 100 CV, e nota-se imediatamente um soco no estomago durante as acelerações. O controle de tração faz um trabalho soberbo mas o carro apresentou uma tendência à escorregar nas quatro rodas nas curvas mais fechadas por causa da maior velocidade. Na ultima volta “rápida” o controle de tração e estabilidade é desativado, mas mantém-se a opção dos 500 CV no motor. Rebellato tem que fazer manualmente o trabalho do computador, controlando o acelerador e a direção com maestria para manter o carro na trajetória correta. As curvas do tipo “Drifting”, onde o carro acelera em uma derrapagem controlada finalmente é possível, mas é preciso um Rebellato na direção para fazer isso a quase 200 km/h na curva do final da reta de Jacarepaguá.
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Também testei quatro motocicletas, desde a F800 S da foto até a fascinante K1200 GT, uma Sport-touring de 155 CV que leva o conforto e a performance das motos de turismo para níveis nunca vistos. Leiam mais sobre elas no