Gosto de reler meus textos antigos, não todos, mas alguns que considero atemporais, ou seja, refletem uma determinada situação ou pensamento que permanece ativo e válido por um longo tempo. Esse fim de semana estava relendo alguns desses textos e resolvi escrever sobre eles, e chamar todos vocês a uma reflexão. A tecnologia avança, claro, […]
Gosto de reler meus textos antigos, não todos, mas alguns que considero atemporais, ou seja, refletem uma determinada situação ou pensamento que permanece ativo e válido por um longo tempo. Esse fim de semana estava relendo alguns desses textos e resolvi escrever sobre eles, e chamar todos vocês a uma reflexão.
A tecnologia avança, claro, e com ela surgem novos mercados, novos produtos, novos meios de vida, novas empresas, em uma evolução contínua onde nem sempre há a necessidade da situação anterior morrer. Um bom exemplo é a indústria automotiva, lançando carros cada vez mais fantásticos e sofisticados enquanto que modelos “velhos” continuam sendo reformados e revitalizados em programas de TV como Over Haulin’ . A moda é tão forte que certos automóveis clássicos estão voltando ao mercado pelas próprias fábricas, como o Ford Mustang e o Chevrolet Camaro, ambos renovados com o visual original dos muscle cars dos anos 60.

Recentemente passou no Discovery Channel um documentário sobre o automóvel do futuro, aliás, esse termo “do futuro” acompanha os automóveis desde os anos 50 com salões cheios

Com computadores pessoais, nosso conhecido PC, é a mesma coisa. A evolução tecnológica foi fantástica nos últimos 20 anos, não há dúvidas quanto a isso. Passamos a usar o PC para ver filmes, processar fotos, jogar, acessar a internet, nos comunicar, tudo com grande velocidade. Só que isso já fazíamos há uns 10 anos, em menor escala e com limitações, mas já fazíamos. Como serão os próximos 20 anos? O PC continuará a ser aquela caixa com teclado, mouse e monitor que estamos acostumados desde o início dos anos 90? Processadores atingirão 30 GHz? Estaremos usando Windows Ultimate Centurion Edition consumindo 2 terabytes de memória RAM?

O carro do futuro, pensado no passado. Seria o carro de hoje?

O carro de tiozão do futuro, quem diria…
Já não está na hora de repensar o PC?
Em dezembro de 2006 escrevi coluna O Futuro do PC está mais próximo falando sobre os primeiros sinais, aliás falei do iPhone, lançado sexta feira passada, mas que na época ainda era um boato. Naquele mesmo mês escrevi 2006-O ano que não aconteceu comentando justamente sobre a evolução do tipo
mais do mesmo que estamos vivendo, sem reais transformações. Curiosamente, falei sobre o Windows Vista, que testei no início de 2006, e que depois de um ano e nas vésperas de ser lançado continuava não me convencendo. Pois estamos no meio de 2007 e o produto ainda enfrenta problemas de aceitação, e surpreendentemente, de drivers.
Esse problema com softwares já foi comentado em fevereiro de 2006 na coluna Software e Hardware em freqüências diferentes , especialmente sobre o aproveitamento dos processadores multicores e pelo imenso atraso na implementação dos 64bits em desktops. E olha que essa coluna já tem um ano e meio, e nada mudou…
E sobre as soluções de múltiplas placas de vídeo?
A maioria de vocês conhecem a minha opinião em SLI vs Crossfire, ou abobrinha? de agosto de 2005, e na coluna Corrida Insana: Dual Graphic de novembro daquele ano. Dois anos se passaram, e mudou alguma coisa? Além do absurdo aumento de consumo elétrico, bem inadequado aos tempos de hoje, houve realmente algo revolucionário no uso dessas soluções? Ou você simplesmente pagou mais caro por uma placa mãe SLI ou Crossfire, que nunca irá usar?
Curiosamente, em dezembro daquele ano fiz o Balanço de 2005 e no final há uma frase interessante: Por causa dos anúncios antecipados de tudo que vai acontecer em 2006, o ano de 2005 ficou meio sem graça para quem é entusiasta. Não fosse pelo repentino caso dos Opterons 939 que chegaram ao mercado em diminutas quantidades, e que eram excepcionais em overclock, o ano passaria praticamente em branco para esse público de necessidades muito específicas. Caramba! Opteron no soquete 939, que saudades… Se 2005 foi chato e 2006 foi o “ano que não aconteceu”, o que será de 2007? Alguma coisa, além do inovador iPhone que não é para o bico dos brasileiros, vai mudar nosso dia a dia até dezembro?
Em julho de 2005, portanto há dois anos, escrevi A farra dos notebooks comentando sobre os baixos preços dos notebooks nos EUA. Finalmente aqui no Brasil podemos comprar notebooks muito baratos, confirmando a tese de que tudo chega ao Brasil em massa com pelo menos 2 anos de atraso. Infelizmente nossos modelos populares não são muito diferentes dos populares americanos de dois anos atrás, mas já é um avanço. Pelo andar da carruagem em 2010 teremos um iPhone por aqui…
Ainda em 2005, em setembro, escrevi meu maior Desabafo , que me inspirou a escrever a coluna dessa semana. Os principais motivos daquele desabafo há quase dois anos são os mesmos de hoje: a contra mão da indústria em relação ao consumo de energia, a padronização das placas mãe praticamente iguais e que não requerem mais tanto estudo para escolher por um modelo ou por outro, e sobretudo a banalização do overclock, que deixou de ser uma arte para se tornar mercadoria, comprada em qualquer loja.
Vejam como sistematicamente, desde 2005, as coisas praticamente não mudam. Nada de muito novo surge a ponto de mudar nossas vidas, ou a forma de como a tecnologia interage conosco. Uma melhora aqui, outra acolá, um ganho de performance em uma ponta, uma economia pequena em outra, mas no fundo sempre “mais do mesmo” . Falta algo para mudar esse cenário, algo que ponha tudo de cabeça para baixo e nos faça repensar a existência do PC. Em 1999 eu cheguei a pensar que seria o Linux, na minha coluna (1999) Linux e o Fim do Mundo , mas não foi. Infelizmente.

Mudou muito ou pouco nesses 20 anos? E daqui a mais 20 anos, como será?