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DRM, Regiões de DVD, Mac OS… e o Muro de Berlin

Ao final da II Guerra Mundial, a Europa conquistada pelos Alemães foi alvo de partilha entre os países aliados que ganharam a guerra, assim sendo a parte oriental foi ocupada pela URSS ( União das Repúblicas Socialistas Soviéticas ) bem como metade da Alemanha que passou a se chamar Alemanha Oriental ou RDA ( República […]

Publicado: 14/05/2026 às 04:05
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7 minutos
DRM, Regiões de DVD, Mac OS… e o Muro de Berlin
Construção civil — Foto: Reprodução

Ao final da II Guerra Mundial, a Europa conquistada pelos Alemães foi alvo de partilha entre os países aliados que ganharam a guerra, assim sendo a parte oriental foi ocupada pela URSS ( União das Repúblicas Socialistas Soviéticas ) bem como metade da Alemanha que passou a se chamar Alemanha Oriental ou RDA ( República Democrática Alemã ). Berlin, a antiga capital, foi dividida e na madrugada de 13 de Agosto de 1961 um muro foi levantado cercando a cidade de forma a evitar a fuga em massa dos trabalhadores para o lado Ocidental, que estaria enfraquecendo o sistema de economia planificada, o modelo soviético, naquela região. Pronto, resolvido: ninguém entra, ninguém sai, e os interesses são preservados.

A política, criada pelo povo e para o povo, interferiu nas liberdades e desejos dos cidadãos impedindo o fluxo livre de pessoas, idéias, bens de consumo entre sistemas econômicos antagônicos. Com a mesma surpresa que foi construído, o muro caiu em novembro de 1989, 28 anos depois, simplesmente porque sua existência deixou de fazer sentido até mesmo para o regime que o criou. A segunda grande guerra deixou marcas na humanidade e boa parte dos monumentos que a celebram são para que os absurdos cometidos não sejam esquecidos, e não sejam repetidos.

No setor de tecnologias de consumo, as corporações também criaram seus muros, talvez o mais conhecido deles seja o modelo de divisão do nosso planeta em regiões para DVD, impedindo o fluxo livre de idéias, documentários, filmes e tudo mais que possa ser reproduzido por um DVD Player e que esteja restrito a uma região geográfica pré determinada pelas corporações que detém o controle do setor. Um modelo tão retrógrado e arcaico que se ainda não caiu oficialmente, na prática já não mais existe devido a extrema facilidade de se quebrar tais regiões transformando os players em modelos “livres”, e viva a liberdade!

Esses dias o fundador da Apple, Steve Jobs, divulgou a idéia do fim do DRM ( Digital Rights Management ), o modelo de propriedade de direitos digitais que impede a cópia e a reprodução de conteúdo protegido em dispositivos não autorizados. Porque ele fez isso? De onde surgiu esse levante de liberdade?

Em primeiro lugar, vamos lembrar que Steve Jobs não lucra absolutamente nada com os direitos de propriedade, embora seja dono da maior loja de músicas do planeta, o iTunes Store. Mas Jobs vê coisas que ninguém vê, e seus argumentos são fascinantes: em um mundo globalizado, proteger conteúdo digital impede (ou dificulta) a sua distribuição e sua popularização, e consequentemente estimula a criação de ferramentas de troca (P2P) baseadas em cópias ilegais. Ninguém pretende que o artista não seja remunerado, o que se questiona é a forma como isso é feito, através das gravadoras e produtoras, e ao custo que isso é feito, não só pelo ponto de vista financeiro mas principalmente pela dificuldade de massificar artistas que já não sejam populares. Nada mais lucrativo do que os “revival” de bandas consagradas do passado, mas pouco se investe em novos artistas. Analisando friamente todo o processo de nascimento de uma música ou um CD, especialmente por causa da incrível redução de custos que a computação proporcionou para que artistas independentes produzissem seus próprios CDs, o papel da gravadora é hoje muito diferente do passado, na época do vinil e da distribuição física dos Singles e Long Plays (LP) e provavelmente seria dispensável dentro de um sistema livre de comercialização digital.

Uma música digital “protegida” é comercializada hoje em torno de 99 centavos de dólar e nesse custo apenas uma ínfima parcela é do autor propriamente dito. Em um sistema livre estima-se que o custo unitário de cada música seja muito menor e o volume de vendas significativamente maior, proporcionando provavelmente uma renda maior para todos os participantes da indústria. A pirataria continuaria, sem dúvida, e caberia aos órgãos como o RIAA combatê-la e dificultar a vida de quem distribuir as obras digitais sem remunerar o dono dos direitos. Por mais estranho que soe essa idéia, ela faz sentido e como tudo que faz sentido, um dia acaba acontecendo.

Vamos ao Mac OS, o sistema operacional da ex-Apple Computers e agora só Apple. Originalmente criado para rodar apenas em hardware Apple, como uma forma de diferenciar, proteger e viabilizar seus computadores, o Mac OS agora roda em plataformas Intel e até em portáteis como o iPhone. Desde a introdução dos Mac Intel que se especula sobre a possibilidade do Mac OS um dia seja vendido ao público em geral, como uma alternativa ao Windows. Não acredito nisso, a pluralidade de hardwares e dispositivos diferentes e seus respectivos drivers do mundo PC é tão grande, veja o fisco do Windows Vista nesse aspecto, que seria inviável comercialmente tentar portar o Mac OS para esse cenário, mas quando falamos em notebooks a coisa é bem diferente, afinal um notebook Apple e um Dell, hoje, são internamente muito parecidos e usam os mesmos componentes.

Daí surgiram boatos (muito fortes) que a Apple provavelmente estaria licenciando o Mac OS para uma linha de produtos Dell, e mais recentemente um artigo no site Overclockers.com chamou a atenção para outro aspecto do negócio: Quão importante para a Apple é o negócio de computadores desktops hoje?

Alguns dados extraídos desse artigo mostram o seguinte: a Apple conseguiu nos últimos três anos passar de 2% do mercado para 2.5%, ou seja, um crescimento de 0.5% na sua participação global, em um mesmo período onde a HP (18.1%) e a ACER (7.1%), apenas para citar dois, cresceram mais de 3% cada uma evidenciando um fenômeno de concentração em poucas marcas que não é novidade para quem está acompanhando o mercado. Os fabricantes pequenos estão morrendo mesmo e os grandes estão aumentando suas participações, e como a lucratividade da Apple nos desktops é muito pequena, é bastante provável que ela venda essa unidade ou deixe de produzir modelos baratos se concentrando em estações de trabalho mais sofisticadas e nos notebooks. Por sinal, a venda de notebooks Apple dobrou nos últimos 3 anos, enquanto a de desktops permaneceu estável no mesmo período e com margens de lucro decrescentes. Sem dúvida, um dia irá desaparecer.

E o Mac OS?

O grande argumento para o Mac OS não ser disponibilizado aos demais PCs x86 é justamente para preservar a venda de computadores Apple, que pelo que estamos vendo está indo de mal a pior nos desktops. Os notebooks Apple hoje em dia tem menos recursos e são menos sofisticados no hardware que modelos baseados em plataformas abertas como Dell, HP, Lenovo e até Asus, Acer, etc.

As vendas dos desktops Apple correspondem a 13.5% do faturamento, contra mais de 20% dos notebooks e mais de 50% dos iPods/iTunes. Apesar de todo sucesso recente, a Apple vende hoje menos desktops do que vendia em 1995 !

A grande pergunta é: Quantas cópias de Mac OS X poderiam ser vendidas para o mercado de notebooks ou PCs licenciados? Considerando uma margem de lucro similar à da Microsoft, estima-se que o Mac OS X possa render mais à Apple do que todas as vendas de computadores desktops. Quando é que esse “Muro de Berlin” vai cair? Afinal, pra quê serve esse “muro”?

Tive um professor que dizia “resolva o problema, mas antes descubra qual é o problema, e dê foco ao problema exato” , e o problema, meus caros, é que 85% dos habitantes desse planeta não tem acesso a um PC e não participam dessa fantástica indústria. E nesse aspecto, insistir em muros tecnológicos é uma grande bobagem.

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